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Portal Edicase
Publicado em 4 de abril de 2025 às 16:09
Criado pelo sociólogo italiano Domenico De Masi, o termo “ócio criativo” significa a conciliação harmônica entre o trabalho, os estudos e os jogos, ou seja, o uso do lazer e do aprendizado para a produtividade e inovação. >
“O ócio criativo não é um simples momento de inatividade, mas, sim, uma pausa produtiva que permite o surgimento de novas ideias, a resolução de problemas e o desenvolvimento pessoal. Pode envolver atividades como leitura, caminhadas ao ar livre, hobbies artísticos ou, até mesmo, momentos de contemplação”, explica a psicóloga Luciane Rabello, especialista em expatriados e RH. >
Por sua vez, Sandra Regina Rudiger, psicóloga, palestrante e escritora, pontua que a principal ideia dessa pausa não é a atividade em si, mas como você a encara. Isto é, sem pressa, sem cobranças e com espaço para a mente relaxar e criar. >
O ócio comum e o criativo não são iguais. De acordo com a psicóloga Luciane Rabello, o primeiro é caracterizado por momentos de inatividade sem propósito, como assistir TV ou ficar nas redes sociais de forma passiva. O segundo, por outro lado, envolve uma pausa intencional e enriquecedora. “A diferença principal está na qualidade do descanso e no impacto positivo gerado”, complementa. >
Segundo a Dra. Natasha Consul Sgarioni, neurologista da clínica Mantelli, o ócio criativo apresenta inúmeros benefícios para a saúde mental e neurológicas. São eles: >
O ócio criativo pode ser praticado por qualquer pessoa. Contudo, existem atividades que podem ser mais benéficas para cada faixa etária. O Dr. André Ceballos, neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil, lista algumas opções: >
Para obter os benefícios, as atividades do ócio criativo precisam de um certo investimento e perseverança. Para que o início do processo não seja difícil, é preciso seguir algumas dicas. O Dr. André Ceballos recomenda escolher atividades que lhe sejam prazerosas e estabelecer uma regularidade para o seu cumprimento. “Durante esses períodos, evite se preocupar com tarefas complexas, permitindo que os pensamentos surjam naturalmente e sem pressão”, complementa. >
Por sua vez, a Dra. Natasha Consul Sgarioni explica que é preciso equilibrar o tempo distribuído entre o descanso criativo e as necessidades do cotidiano. Além disso, é importante evitar distrações como redes sociais por tempos longos, pois podem ser um estímulo excessivo e desnecessário para o cérebro. >
Conforme o Dr. Leonardo Fonseca, psiquiatra e diretor médico da Clínica Revitalis, não há um tempo exato para a prática do ócio criativo. Contudo, deve caber na rotina, ser curto e bem gerenciado, para o foco ficar somente na atividade. “Acredito que algo em torno de 30 minutos contínuos possa trazer muitos benefícios”, adiciona. >
Além disso, apesar dos benefícios, o excesso de ócio criativo pode ser prejudicial. Conforme a psicóloga Luciane Rabello, quando as atividades se tornam excessivas a ponto de prejudicarem os compromissos sociais, elas podem levar à procrastinação , frustrações e sensação de estagnação. “O ideal é que o ócio criativo seja um complemento à rotina, e não um substituto das responsabilidades diárias”, finaliza. >