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Portal Edicase
Publicado em 27 de setembro de 2024 às 18:36
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ligado ao Ministério de Minas e Energia, recomendou o retorno do horário de verão em 2024. Caso a proposta seja adotada, os brasileiros terão que adiantar os relógios em uma hora após o segundo turno das eleições municipais, em 27 de outubro. >
Do ponto de vista do órgão, a volta do horário de verão surge como uma estratégia para otimizar o uso de energia solar. Enquanto isso, especialistas em saúde orientam que as pessoas observem como a mudança pode afetar a qualidade do sono. >
Segundo a neurologista Aline Vieira Scarlatelli Lima Bardini, professora de Medicina na UniSul/Inspirali (ecossistema de educação em saúde) e especialista em Medicina do Sono, a mudança pode afetar a qualidade do sono, especialmente nos primeiros dias de adaptação. “A perda de uma hora de sono pode gerar sonolência diurna, irritabilidade e mau-humor em pessoas mais sensíveis à mudança”, explica. >
Ela ressalta que, embora a maioria das pessoas consiga se ajustar ao novo horário após alguns dias, os efeitos podem ser mais acentuados para quem tem maior sensibilidade ao sono. No entanto, a médica destaca que, por ser uma alteração temporária, dificilmente haverá prejuízos a longo prazo se o ritmo do sono for ajustado de forma adequada. >
Grupos específicos, como crianças, adolescentes e idosos, tendem a sentir mais os efeitos dessa alteração. “Os extremos da vida são os que mais sofrem com mudanças no ritmo circadiano . Nessas fases, o impacto no sono tende a ser maior”, afirma a especialista. >
Aline Bardini reforça que prestar atenção à qualidade do sono é um cuidado que deve ser observado não só no horário de verão. Segundo ela, a perda de uma hora de sono, persistente e de forma crônica, ou seja, ao longo de anos, pode resultar na Síndrome do Sono Insuficiente — mais conhecida como privação de sono. Nesse caso, ocasionando problemas a longo prazo. >
Dormir menos não significa ser mais produtivo; muito pelo contrário, no decorrer do tempo, pode gerar danos irreversíveis. “Dormir não é perda de tempo, mas, sim, ganho de qualidade de vida. Quem dorme menos que o necessário pode ter perda de memória e tendência a desenvolver doenças crônicas como diabete e hipertensão. Além disso, a taxa de mortalidade é maior em indivíduos que dormem menos do que o necessário”, afirma. >
Para amenizar os efeitos do horário de verão no organismo, a neurologista recomenda algumas práticas importantes de higiene do sono. Entre as principais orientações, estão: >
Essas medidas podem ajudar a minimizar o impacto da mudança de horário no ciclo circadiano e acelerar a adaptação ao novo ritmo. >
O horário de verão visa principalmente reduzir o uso de usinas termelétricas, deslocando o pico de consumo para um horário com maior incidência de luz solar, o que poderia aliviar o uso de fontes de energia mais caras e poluentes. A decisão final, no entanto, ainda depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. >
Com o adiantamento dos relógios, o consumo de energia elétrica durante o fim da tarde, um dos momentos de maior demanda, seria atendido por uma maior oferta de luz solar. Isso evitaria o acionamento de usinas termelétricas, que além de poluir mais, aumentam os custos operacionais do sistema energético. >
Por Carol Passos >