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Yan Inácio
Publicado em 26 de março de 2025 às 05:45
Celebrado nesta quarta-feira (26), o Dia Mundial de Prevenção do Câncer de Colo de Útero acende o alerta para esse tipo de câncer, que é o terceiro que mais atinge mulheres no Brasil. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o país deve registrar 17.010 novos casos da doença em 2025.
Por isso, é importante entender como a doença, que costuma ser silenciosa, se manifesta. Apesar da maioria dos casos serem assintomáticos, a médica oncologista Hamanda Nery chama a atenção para os possíveis sintomas.
Os principais envolvem o sangramento vaginal. Para aquelas pacientes que ainda menstruam, podem acontecer sangramentos principalmente após a relação sexual ou fora do período menstrual. Para as pacientes que já estão na menopausa, pode haver um retorno do sangramento.
Outro sintoma é a dor pélvica, que pode aparecer em alta e média intensidade ou até intermitentemente. Além disso, o corrimento vaginal pode ser outro fator de risco. Quando relacionado a esse tipo de câncer, pode ter seu volume aumentado ou apresentar um odor mais fétido.
HPV é o principal fator de risco
Cerca de 90% dos casos da doença estão relacionados a infecção persistente por determinados tipos de HPV, vírus transmitidos em relações sexuais sem proteção. Por isso, a vacinação se mostra como uma das principais formas de se evitar cânceres ginecológicos, especialmente antes do início da vida sexual.
No último mês, o Ministério da Saúde ampliou a vacinação para jovens entre 15 e 19 anos. A meta é vacinar 90% dessa faixa etária que ainda não recebeu nenhuma dose da vacina. A vacina reduz o risco de infecções pelo HPV e doenças associadas, incluindo diversos tipos de câncer, com eficácia superior a 90%.
Tratamento
O tratamento da doença é determinado a partir do estágio da doença e do tamanho do tumor. E pode envolver rádio ou quimioterapia, sendo na maioria dos casos um combinado entre as duas modalidades. Além disso, também há novos tratamentos em desenvolvimento como a imunoterapia e terapia alvo.
Maior incidência em mulheres negras na Bahia
Nos últimos dez anos, mulheres negras morreram 14 vezes mais que brancas em decorrência desse tipo de câncer na Bahia, de acordo com dados do DataSUS. Para a médica oncologista Hamanda Nery Lopes, da Oncoclínicas na Bahia, o dado está diretamente ligado às diferenças socioeconômicas entre pessoas brancas e negras.
“As mulheres negras têm menor acesso aos exames de rastreamento, de diagnóstico, aos médicos e, principalmente, aos especializados como o oncologista. Isso tudo leva a uma demora importante para a chegada ao tratamento oncológico adequado”, explica. O diagnóstico tardio faz com que tumores sejam encontrados em estado mais agressivo.
Por isso, é recomendado que mulheres entre 25 e 64 que já tiveram atividade sexual façam o exame ginecológico preventivo, o Papanicolau. “Através do preventivo é possível identificar não apenas o câncer cervical em fases iniciais ou avançadas, mas também lesões precursoras desse tipo de câncer, permitindo que elas sejam tratadas antes de se tornarem um tumor”, esclarece a médica oncologista Daniela Galvão.