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Festa de Iemanjá aumenta em até 80% o comércio de flores em Salvador

As flores são opções sustentáveis de oferenda e não agridem o meio ambiente

  • D
  • Da Redação

Publicado em 2 de fevereiro de 2023 às 05:00

 - Atualizado há 2 anos

. Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Há um século é tradição que nas primeiras horas do dia 2 de fevereiro, devotos de Iemanjá comecem a formar fila em frente à Colônia de Pescadores Z-01, no Rio Vermelho. É o momento em que as pessoas se conectam com a orixá e depositam suas oferendas que mais tarde serão levadas ao mar. Mas a Festa de Iemanjá não seria a mesma sem a presença de um dos seus maiores símbolos: as flores. Em Salvador, a data movimenta o segmento e as vendas aumentam em até 80%. 

Entre as inúmeras opções, as rosas são as preferidas dos devotos e a unidade custa entre R$5 e R$8, de acordo com uma pesquisa realizada pela reportagem. Não importa se brancas, amarelas ou azuis, elas são presença garantida nos grandes balaios oferecidos à rainha do mar, mas há quem prefira outras. 

As flores do campo, angélicas e astromélias também costumam ser procuradas na data e tem preço similar às da rosa. O ramo de lírio é para quem pode pagar mais caro e custa em torno de R$40. Grande parte das flores compradas aqui, enfrentam horas de estrada até serem lançadas ao mar. 

Uma das maiores cooperativas do segmento no Brasil, a Cooperflora, explica que as flores comercializadas no 2 de fevereiro em Salvador vem de sítios localizados no sul de Minas Gerais e interior de São Paulo. Somente o mercado atacadista Ceaflor, localizado em Holambra (SP), cidade famosa pela produção de flores, revela que comercializou 2,7 milhões de hastes de três tipos de flores especialmente para o dia 2 de fevereiro na Bahia.

Rosas, palmas e lírios foram as flores mais vendidas neste mês para o estado. Apesar de o Ceaflor não possuir dados de anos anteriores por ser um mercado recente, a comparação com outros meses indica que há um aumento considerável na venda graças às celebrações à orixá. Em relação a setembro do ano passado, por exemplo, a quantidade de flores vendidas agora representa um incremento de 30% no comércio.

Em território local, a procura pelas flores começou a ser sentida ainda no dia 30 de janeiro, como conta Tainá Santos, que trabalha na Acácia Flores, no Rio Vermelho. Inicialmente, aqueles que compram para fazer arranjos formam a maioria entre os clientes.“Quando vai chegando mais próximo do dia 2, o pessoal compra mais as unidades. A gente percebe um aumento de 70% em relação ao mês passado”, revela. As floriculturas localizadas no bairro onde a festa acontece são as mais privilegiadas, afinal, é comum que os devotos comprem as flores no caminho para a praia. Mas a demanda se estende por toda a cidade e há inclusive lojas que funcionam durante toda a madrugada do dia 2. É o caso do Kiosque das Flores, na Pituba. 

“Por conta da Festa de Iemanjá, muitas pessoas buscam as flores nas primeiras horas da madrugada, então a gente prefere funcionar 24 horas para atender o público”, conta a funcionária Graça Neves. Em datas como Dia das Mães e Dia dos Namorados, a loja também estende o funcionamento. 

Apesar de as floriculturas serem unânimes em dizer que as vendas no início de fevereiro são inferiores às das outras datas citadas, o movimento alimenta o comércio local e impacta no segmento nacional. Nas ruas do Rio Vermelho, comerciantes aproveitam a festa para conseguir aumentar a renda no momento de devoção à orixá. 

Para a vendedora ambulante de flores, Caroline Sales Santos, de 37 anos, o impacto na lucratividade será positivo. Sua expectativa para este ano é de que as vendas na festa de Iemanjá sejam 80% maiores em comparação com os períodos sem a festa. Na barraca dela, instalada no Largo de Santana, próximo a Colônia de Pescadores Z-01, a unidade da rosa sai a R$7, mas se o cliente levar três, o conjunto sai por R$20.

Ao realizar o levantamento de preços das flores no Rio Vermelho, a reportagem observou que o valor das rosas está tabelado entre os vendedores ambulantes. Já sabendo que isto tinha grandes chances de acontecer e pensando que o tamanho da adesão do público na festa ainda é uma surpresa, pelo fato de que a celebração de 2023 representa o retorno às ruas após dois anos de pandemia, Caroline adotou uma estratégia para manter o aumento de vendas esperado para a época.

“Eu comprei menos mercadorias, para evitar sobras e, consequentemente, as perdas. A gente ainda não sabe o quanto o povo vai voltar para a rua, por isso, ao invés de comprar as 500 caixas de rosas que costumo pegar para o 2 de fevereiro, comprei 200. Assim, eu mantenho o aumento na lucratividade que a gente espera o ano todo para ter nessa festa”, conta a vendedora de flores, que investiu R$6 mil em rosas coloridas. 

Na banca de Anderson Souza, de 27 anos, mais conhecido como Príncipe das Artes entre os vendedores de flores, as rosas são as campeãs de venda no dia de Iemanjá, principalmente nas cores branca e azul - que a representam. Segundo ele, a maioria vem de São Paulo, pois, mesmo partindo de longe, chegam em melhor qualidade do que as de produtores locais. “São lindas como as daqui, mas a qualidade das pétalas e a durabilidade delas são maiores”, detalha. Anderson vende flores no dia de Iemanjá há 10 anos (Foto: Emilly Oliveira/ CORREIO) Assim como ele e Caroline, a maioria dos ambulantes floristas está concentrada no Largo de Santana. Em suas barracas, além das tradicionais rosas, também é possível encontrar flores do campo por R$5 o ramo; crisanto por R$7 o ramo; e o par de girassóis por R$15. Com a aposta na variedade de tipos de flores, a ambulante Rose Magna, 46 anos, espera impulsionar as vendas para atingir a meta de 30% de aumento em relação ao período pré-pandemia. Rose Magna começou a vender suas flores às 5h da manhã de ontem (1°) (Foto: Emilly Oliveira/ CORREIO) Diferente de Caroline, ela acredita que o público deste ano será maior do que o de 2020, quando a data foi celebrada como pede a tradição pela última vez.“O povo ainda está chegando devagarinho hoje [ontem (1°)], mas quando começarem a ver as pessoas pisando na areia de novo, tenho certeza de que todos virão atrás para depositar suas rosas e fazer seus pedidos”, almeja a vendedora de flores. Um dica para que as flores se mantenham vivas e bonitas por mais tempo é realizar um corte na diagonal no talo, como explica a artista floral Celene Maria. "É bom fazer um corte na diagonal para só ficar uma pontinha e o talo fica mais livre para absorver água", diz. 

Flores são opção ecológica para presentear Iemanjá

A prática de entregar presentes como forma de agradecimento aos orixás é ancestral e foi trazida pelos africanos ao Brasil. O babalorixá Vilson Caetano explica que, na origem da tradição, grãos, raízes e frutas eram depositados nas águas. “A comida é responsável pela manutenção da vida e o significado das oferendas é uma retribuição ao que o sagrado dá”, explica. 

Quando as religiões de matriz africana começaram a se espalhar pelo Brasil, a figura da orixá ganhou contornos do feminino, como analisa a pesquisadora da Festa de Iemanjá, Cristiane Sobrinho. “Muito do que se oferta à mulher, começa a se ofertar à orixá, como perfumes, espelhos, pentes e as flores”, diz. 

O problema é que muitos desses presentes não são biodegradáveis e agridem a natureza marinha quando depositados nos oceanos. Por isso, as flores naturais são uma boa opção para quem quer agradar a Iemanjá e proteger o meio ambiente. Confira dicas da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) sobre o que pode ser depositado nas praias da celebração. 

O que pode: Flores 100% naturais Sabonete sem embalagem Pentes e utensílios de madeira Velas de cera de soja Recipientes feitos com folhas de bananeiras O que não deve ser depositado no marBrincos Pulseiras Embalagens Espelhos Materiais de plástico e metal em geral *Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro