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'Eu pedi pra ele não ir ao jogo', diz pai de torcedor do Bahia morto após Ba-Vi

O corpo do estudante Carlos Henrique, que completaria 18 anos na quinta-feira, será enterrado nesta segunda (10), às 16h30, no Campo Santo

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  • Da Redação

Publicado em 10 de abril de 2017 às 10:12

 - Atualizado há 2 anos

Carlos Henrique Santos de Deus completaria 18 anos na próxima quinta-feira (13). Como presente, seus pais lhe deram o ingresso para ele ver seu time do coração, o Bahia, jogar contra o Vitória na Arena Fonte Nova, neste domingo (9). Quando deixou a partida, Carlos foi baleado e morreu na Avenida Vasco da Gama.

"As duas coisas que ele mais amava. Jogar bola e o Bahia dele. Eu tive um pressentimento. Pedi pra ele não ir ao jogo, mas ele foi. Ele disse: 'eu vou, é meu presente de aniversário'. Mas eu senti. No fundo, senti, pedi pra ele não ir. Mas já tinha comprado o ingresso e disse que queria muito", disse ao CORREIO o pai do menino, o segurança José Carlos Espírito Santo de Deus, 51,  ao liberar o corpo do filho no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR).Estudante era torcedor do Bahia e ganhou ingresso de presente de aniversário Foto: Reprodução/Tailane Muniz/CORREIOJosé Carlos conta que o filho era tranquilo e apaixonado por futebol. "Ele era estudioso e obediente. Infelizmente aconteceu essa fatalidade. Se ele pudesse, ele ia em todos os jogos", lamentou. O corpo de Carlos Henrique será enterrado nesta segunda-feira (10), às 16h30, no Cemitério Campo Santo, na Federação.

"Meu filho era um anjo. Nunca bebeu. Estudava e gostava de bola. Começou a namorar agora, pediu permissão ao pai da garota, que também está arrasada", relatou José Carlos. Carlos era seu único filho e estudava o 2º ano do ensino médio no Colégio Estadual Manoel Novaes, no Canela.

O pai do menino disse que o futebol acabou para ele depois da tragédia deste domingo. "Ba-Vi da Paz? Que paz? Essa paz que levou um pedaço do meu coração. Essa violência que só vitima inocentes. O futebol acabou para mim e para minha família, somos todos Bahia", destacou. A família acredita que o crime foi motivado pelo fato do jovem ser torcedor tricolor. "Não temos dúvida disto, não tem outro motivo", completou o José.

O tio da vítima, Jorge Conceição dos Santos, 53, pai do primo da vítima, que também estava no jogo, comentou que o filho se salvou por pouco. "Meu filho ia sempre com eles. Mas saiu antes porque ia encontrar a namorada. Está arrasado", declarou. O homicídioO adolescente morreu por volta das 20h deste domingo (9), no posto Shell da Avenida Vasco da Gama. O crime aconteceu após o término da partida entre Bahia e Vitória pelo Campeonato Baiano. Carlos Henrique Santos de Deus, 17, tinha ido ao estádio assistir ao jogo e estava a caminho de casa, na Rua Ferreira Santos, no bairro da Federação,  quando foi atingido no abdômen e na perna. Segundo testemunhas, a pessoa que atirou estava a bordo de um veículo, que parou próximo ao adolescente e disparou. Além de Carlos Henrique, outro amigo, o frentista Isaias Souza Santos, 27, foi atingido de raspão no pescoço e levado por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Geral do Estado (HGE). Ele passou por uma cirurgia na madrugada desta segunda-feira, para retirada da bala. Seu estado de saúde é estável.

Em contato com o CORREIO, o primo do frentista, o zelador Jandson de Jesus Mota, 26, informou que o primo esteve consciente durante todo tempo e narrou à família o que teria acontecido. "[Isaias] me disse que eles tinham acabado de passar pelo Dique e atravessaram a rua. Foi quando três homens, apenas um deles armado, chegou atirando. Ele contou que se escondeu na parte de troca de óleo do posto", relatou.

Ainda conforme o primo da vítima, dois, dos três homens vestiam a camisa do Vitória. "Ele contou que viu os caras com os uniformes. Mas foi só. Ele está bastante abalado porque viu o Carlos morrer. Iam juntos para os jogos. É lamentável", pontuou.O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso, informou que ainda não é possível afirmar o que, de fato, motivou o crime. Conforme a Polícia Civil, testemunhas que já foram ouvidas informaram à polícia que dois ônibus da torcida organizada do Vitória, Imbatíveis, estavam sendo perseguidos por dois carros de cor prata.

Os depoimentos dão conta de que homens, nenhuma das testemunhas precisou a quantidade, fecharam um dos ônibus e desceram do veículo já disparando contra as vítimas. A polícia informou, também, que ainda não tem certeza se as imagens foram gravadas pelo circuito de segurança do posto.

O CORREIO foi até o posto mas não conseguiu contato com a administração do estabelecimento. Um dos frentistas disse que há a possibilidade do circuito não ter flagrado a ação, já que o espaço passou por troca de gestão recentemente. Funcionários informaram que as duas torcidas frequentam o local, e nunca havia acontecido nada parecido.