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Após dominar Recôncavo Baiano, alvo da Katiara é o tráfico em Salvador

A facção Katiara, com forte atuação no Recôncavo e nos bairros de Valéria e Águas Claras, é conhecida por crueldade

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 3 de março de 2016 às 06:50

 - Atualizado há 2 anos

O surgimento da Katiara está diretamente ligado à história de Roceirinho em Nazaré, no Recôncavo baiano, onde ele se criou. Depois de passar a infância cuidando de cavalos e gados nas fazendas da região — daí o apelido —, Adilson foi trabalhar como feirante na fase adulta.

Ele vendia carne numa feira local. A casa onde morava com os pais e irmãos ficava próxima a uma boca de fumo, controlada por dois rapazes. À época, o tráfico de drogas era uma atividade “amadora” na cidade. Foi quando um traficante de Salvador o convenceu a ser o gerente dele, pois queria expandir o domínio no Recôncavo via Nazaré. Roceirinho então mudou de ocupação ao comparar as vantagens: dinheiro, carro e mulheres — tudo bancado pelo tráfico da capital. Perspicaz, aos 40 anos percebeu que poderia andar com as próprias pernas, rompeu a ligação com Salvador e recrutou um exército, formado principalmente por meninos, e eliminando os concorrentes. Rapidamente, aumentou seu faturamento e investiu na ampliação do bando.

O começo do domínio do traficante veio, justamente, com a aquisição de armas como fuzis e metralhadoras, há cerca de 10 anos. Entre as práticas relatadas por um PM, para que o traficante ampliasse sua área de atuação, estava o investimento na distribuição das drogas na região. Ele pagava R$ 150 por semana a um vapor (quem transporta a droga).

Com a conquista de Nazaré, não foi difícil estender os domínios para regiões vizinhas, como Santo Antônio de Jesus, Maragogipe, Salinas da Margarida, Vera Cruz e Santo Amaro. Na capital, Roceirinho domina pontos nos bairros do Lobato, Valéria e Águas Claras — disputados por estar às margens da BR-324.

O grupo liderado pelo traficante, que se chamava Primeiro Comando do Recôncavo, passou a ser Katiara a partir de 16 de outubro de 2013, em “prol de trazer uma nova imagem com transparência e verdade para fortalecer o crime no estado da Bahia”, segundo o estatuto da facção (leia).

Roceirinho está na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, desde 2 de setembro de 2015, quando foi transferido do Conjunto Penal de Serrinha, no Centro Norte baiano. Ele foi preso em 2012. Desde então, coleciona idas e vindas em presídios: em 6 de novembro de 2013 foi transferido de Serrinha para o Presídio Salvador.

Em sua segunda passagem pelo sistema prisional na Bahia, foi novamente custodiado em Serrinha no dia 18 de maio de 2015 e transferido de volta para Campo Grande, onde se encontra até hoje.

Bando é marcado por crueldade em ‘julgamentos’Uma das principais características da facção é a crueldade com que executa seus desafetos. A prática vem desde o local considerado o berço da organização criminosa, em Nazaré das Farinhas, até o reduto em Salvador, no caso o bairro de Valéria.

Em agosto do ano passado o CORREIO esteve na Rua Katiara, em Nazaré, cujo nome batiza a facção, e os relatos dos moradores dão conta de que o manguezal que existe no lugar é transformado num tribunal dos traficantes de Roceirinho, onde os endividados são arrastados pelas ruas e amarrados no rio até a morte.

Em Valéria, um caso mais recente é de um morador que não concordava com o tráfico no bairro. Pedro de Almeida Rodrigues foi decapitado em 26 de janeiro deste ano na localidade de Jardim Valéria. A cabeça foi deixada em cima de uma base de concreto.

O motivo seria o fato de a vítima ter denunciado os bandidos à polícia. “Ele foi morto porque não aceitava o tráfico na área. Então, foi a forma que os traficantes encontraram para fazer imperar a lei do silêncio”, explicou a delegada Patrícia Brito, do DHPP. 

Segundo a polícia, o crime foi cometido pelo traficante Elisberto Pereira de Souza, o Rasta, preso recentemente. A ele são atribuídos sete homicídios desde de janeiro deste ano. Ainda de acordo com a polícia, 17 homicídios praticados em um ano no bairro estão sendo investigados como de autoria de membros da Katiara.

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