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Mario Bitencourt
Publicado em 27 de abril de 2019 às 06:00
- Atualizado há 2 anos
Prevista para ocorrer entre 28 de maio e 1º de junho, em Luís Eduardo Magalhães (oeste do estado), a Bahia Farm Show terá dificuldades para alcançar os R$ 2 bilhões em negócios, principal objetivo da feira, devido à redução do crédito rural pelo Banco do Brasil, que detém 60% da fatia do mercado.>
Principal fornecedor de crédito rural desde a década de 1960, o banco busca reduzir espaço para outras instituições financeiras atuarem no setor, sobretudo privadas, que abarcam os 40% restantes: Bradesco, Santander, Itaú, Rabobank, Sicoob, Sicredi, Caixa Economia Federal e Banco do Nordeste do Brasil, dentre outros.>
O recuo do banco no financiamento da agricultura faz parte de uma política de abertura ao setor privado pelo Ministério da Economia, que, junto com o Ministério da Agricultura, realiza estudos para fomentar a agricultura brasileira. As novidades serão anunciadas no Plano Safra 2019/2020, a ser lançado em junho.>
Segundo o Ministério da Economia, no Plano Safra atual, no período de julho de 2018 a março de 2019, todos os bancos públicos, englobando o Banco da Amazônia e bancos estaduais, já aplicaram mais de R$ 68 bilhões no crédito rural. O CORREIO pediu dados sobre valores aplicados na Bahia, mas isso não foi informado.>
Para a Bahia Farm Show, maior feira do agronegócio do Norte e Nordeste do Brasil, ainda não se sabe quanto será disponibilizado de crédito rural para que os agricultores da região que faz parte do Matopiba – fronteira agrícola brasileira que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – investirem em maquinário e tecnologia.>
Os bancos que vão atuar na feira este ano são o Santander, Sicredi, Bradesco, Banco do Brasil, Desenbahia e Banco do Nordeste. Ano passado, segundo a organização do evento, dos R$ 1,89 bilhão em negócios (recorde no evento), R$ 1,006 bilhão foi por meio de crédito rural – esse valor não inclui as negociações do Bradesco.>
Presidente do Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães e vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Carminha Maria Missio é uma das preocupadas com a redução do crédito rural. “Esse ano precisa de novos créditos, isso é necessário para que a Bahia Farm Show repita o sucesso de anos anteriores”, disse.>
“A feira é uma oportunidade de receber informações novas, buscar conhecimento, mas também é oportunidade para que reivindiquemos algumas questões necessárias, como o aumento do crédito rural para que possamos aumentar nosso plantel de máquinas e mais tecnologia nas nossas lavouras”, completou Carminha.>
Sobre obter crédito em bancos privados ou públicos, ela disse que “todo produtor prefere instituições públicas, mas não havendo a possiblidade vai ter de buscar isso em instituições privadas, que é mais difícil e mais severo, é um negócio mais monetário mesmo, mas que não deixa de ter o seu valor e a sua importância”.>
Para o presidente do Sindicato Rural de Barreiras, Moisés Almeida Shimidt, “o governo tem que entender a importância do juro subsidiado dado por governos passados, que enxergo com bons olhos, e acreditar na agricultura e na continuidade de crescimento do Brasil”.>
“Independente do banco privado ou público, há uma necessidade de crédito rural, e o governo deve enxergar essa necessidade do crédito, se ele não quiser, tenho certeza que os bancos privados, vendo o potencial do agronegócio, vão emprestar dinheiro. Eu mesmo, pego dinheiro de banco privado, público e até estrangeiro”, afirmou.>
Preocupação>
Diretor geral da Bahia Farm Show, Luiz Pradella, diz que “quanto a ser banco oficial ou não no financiamento, o produtor vai onde consegue uma taxa de juro menor, e no momento não está muito interessante, o governo tem dado uma segurada no crédito, já uma preocupação para a próxima safra e para a Bahia Farm”.>
“No momento, não temos um número estimado de volume de crédito rural pra feira, nenhum banco se arrisca a falar qual valor terá esse ano, como ocorreu em anos anteriores. Isso preocupa porque as vendas e investimento de longo prazo dependem de crédito para o produtor comprar. As vendas caem se não tiver crédito”, disse.>
Assessora técnica da Comissão Nacional de Política Agrícola, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fernanda Schwantes observa que “o governo tem uma visão mais liberal da economia e isso vai fazer com que realmente existam incentivos para que bancos privados tenham uma atuação maior no mercado”.>
“A orientação dessa equipe econômica [do governo Bolsonaro] é que se reduza essa subvenção ao crédito, adotando medidas de estímulo para que os bancos privados e também para que outras fontes de recurso, como títulos do agronegócio, sejam mais utilizadas”, ela afirmou.>
Percebendo isso, a CNA, segundo Fernanda Schwantes, “tem trabalhado para que o volume total de subvenção que a agricultura recebe, e que não é muito alto, permaneça. Temos auxiliado o Ministério da Agricultura para negociar com o da Economia sobre como esse gasto poderia ser melhor utilizado”. >
“Se o agricultor tiver uma apólice de seguro que possa ser usado como garantia efetiva, a nossa percepção é que isso vai fazer com que os bancos privados, e mesmo o setor privado como um todo acabe financiando mais ao agronegócio. Porque até as últimas safras está bastante concentrado mesmo nos bancos públicos”, emendou.>
Ao analisar o Plano Safra de anos anteriores, ela disse que o governo anunciava um volume de recursos superior ao que de fato existia para os produtores tomarem como crédito, o que fazia com que os recursos acabassem se esgotando antes do previsto e muitos produtores, tanto grandes quando pequenos, ficassem sem crédito.>
Para manter as taxas de juros baixos nos bancos públicos (a menor é de 4,6% no Pronaf, voltado para a agricultura familiar) abaixo das taxas de mercado, o governo paga uma parte.>
Com o Pronaf, por exemplo, o governo gasta em torno de R$ 5 bilhões por ano para equalizar a taxa de juros do pequeno produtor e mais R$ 5 bilhões pra equalizar a taxa de juros de todos os programas dos médios e grandes produtores.>
“A taxa de juros dos bancos oficiais é um pouco mais baixa, mas é tanta burocracia para o produtor acessar esse crédito, como custo de projeto técnico, custos cartoriais. Então, quando a gente compara o crédito comercial normal com o crédito do governo é mais baixa, mas tem outros custos acessórios que acabam elevando o custeio geral”, disse Fernanda Schwantes. >
Com relação as propostas do governo, ela diz que “é difícil afirmar que vai ser bom ou ruim para o produtor”, e que “o governo tem estudado como otimizar o quanto de dinheiro tem de dinheiro para aplicar na agricultura”.>
Schwantes diz que “o que a gente tem visto é uma prioridade de pequenos e médios produtores com taxas de juros melhores que as de mercado e para os grandes produtores tentar flexibilizar par que outros instrumentos e outros bancos atuem para financiar os agricultores”.>
Pleitos para o Plano Safra>
Para o próximo Plano Safra, a CNA quer que os juros do Pronaf caiam para 4% ao ano. Para o Pronamp, a redução pedida é de 6% para 5,5% ao ano. Para os demais produtores, o pedido é de queda dos 7% em vigor nesta temporada para 6,5% ao ano.>
Outro pleito é o aumento nos limites de financiamento por ano agrícola por beneficiário: no Pronaf de R$ 250 mil para R$ 300 mil, no Pronamp de R$ 1,5 milhão para R$ 1,8 milhão, e para os demais produtores de R$ 3 milhões para R$ 3,6 milhões.>
A CNA apontou que o governo deve priorizar o crédito pra custeio pra safra 2019/2020, o programa de investimento para construção de armazéns, o programa para atender aos médios produtores, o de inovação tecnológica nas propriedades, e o programa de agricultura de baixo carbono. “E que defina políticas estruturantes do seguro rural e apoio da comercialização dos produtores”, disse Fernanda Schwantes.>
O Ministério da Economia, em nota ao CORREIO, informou que “está trabalhando em diversas frentes para ampliar o crédito rural, em conjunto com o Ministério da Agricultura, o Banco Central e ouvindo as demandas dos produtores. Essas medidas serão apresentadas até a divulgação do Plano Safra”.>
Questionado se há previsão de liberação de crédito rural para bancos públicos até a data de realização da Bahia Farm Show, o ministério declarou que “os bancos públicos utilizam as mais diversas fontes de recursos e, cada vez mais, recursos próprios e aqueles captados diretamente, com taxas que dão prioridade à atividade rural”.>
“Dada a evolução do crédito para investimento, o governo já redirecionou recursos de algumas linhas de crédito (com menor demanda) para outras linhas com maior procura, buscando atender às necessidades dos produtores”, diz o comunicado.>
Para o Ministério da Economia, “os bancos privados já atendem ao crédito rural e é importante que aumentem sua participação para que o produtor rural tenha maior disponibilidade de recursos para sua atividade”.>
Bancos anunciam plano de ação na Bahia Farm sem falar em valores>
Os bancos que estarão na Bahia Farm Show são o Santander, Bradesco, Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Desenbahia, Banco do Brasil e Sicredi, e o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que participa pela primeira vez do evento.>
Os agentes financeiros estão com portfólios com serviços que vão desde linhas de crédito para financiamento de máquinas, implementos, energia solar, armazenamento, correção de solo, aquisição de animais a projetos de irrigação e consórcios de veículos.>
Muitos apostam, ainda, em uma equipe de profissionais especializados que estará atendendo os agricultores e oferecendo apoio nas tomadas de decisões pelos produtos que mais se encaixam em cada perfil.>
“Estaremos com ofertas diferenciadas e portfólio completo de linhas de crédito, além de uma equipe de especialistas na área de riscos para atender mais rápido as necessidades e dar todo o suporte ao produtor – cliente ou não cliente – no evento”, disse Paulo Bertolane, superintendente executivo de Agronegócios do Santander Brasil.>
“Teremos as linhas de financiamento de longo e curto prazo, como o CDC Agro, que financia máquinas, equipamentos e implementos, e o Crédito Pessoal Agro (CP Agro), linhas para projetos fotovoltaicos, para armazenagem e estocagem, Consórcio Agro e Seguros”, completou.>
Segundo o executivo, “todos os produtos são adequados à capacidade de pagamento do produtor, ou seja, quitação semestral ou anual de acordo com a colheita. Haverá também a isenção da comissão (flat 0%), taxa de mercado que incide sobre o valor total da compra. Para esse tipo de financiamento de máquinas e equipamentos, o prazo é de 5 a 10 anos, com 20% de entrada e o próprio bem em garantia”.>
Recuperação de negócios>
O presidente do Desenbahia, Francisco Miranda, informou que “está preparando uma proposta especial com as melhores condições de crédito para a Bahia Farm, com ênfase em financiamentos de projetos de irrigação, armazenagem e correção de solo; de máquinas e equipamentos; energia fotovoltaica e Inovação”. >
“Com prazos estendidos às melhores taxas efetivas e financiamentos de 90% sem taxa flat. Nossa meta é superar o recorde de negócios realizado em anos anteriores, atingindo um número cada vez maior de empresários do agronegócio, além do comércio, serviços e indústria”, comentou.>
O Sicredi desembarca pelo quarto ano na Bahia Farm. Para o gerente da agência de Luís Eduardo Magalhães, Giego Scholz, a aposta é alta no retorno esperado durante os cindo dias. “Nossa expectativa é de efetivação de mais de R$ 50 milhões em negócios, as condições de pagamento ainda estão condicionadas à divulgação do Plano Safra 2019/2020 e serão definidas conforme cada linha de crédito”, revelou.>
O Bradesco informou que a expectativa é superar em 20% os números do ano de 2018, com foco na ampliação da participação de mercado e com expectativas para o setor, almejando também registrar um número recorde em captação de negócios.>
A oportunidade de contato aberto com quem o banco se dedica a atender, que a Bahia Farm Show proporciona é outro foco. De acordo com o informado, o Bradesco possui a maior atuação no setor agrícola entre os bancos privados, com aproximadamente R$ 23 bilhões em contratos vigentes.>
Os produtores rurais também terão acesso às oportunidades de crédito oferecidas pelas demais instituições financeiras presentes no evento, que vão focar as suas linhas de financiamento, principalmente, nos segmentos de máquinas e implementos agrícolas para pequenos, médios e grandes.>
“Nossa orientação é que os agricultores esperem o período da feira para financiar máquinas e demais produtos porque, lá, além de um atendimento personalizado, eles contarão com as novidades e facilidades em negociações que os bancos presentes oferecerão”, falou a coordenadora geral da Bahia Farm Show, Rosi Cerrato.GMTY Detectar idiomaAfricânerAlbanêsAlemãoAmáricoArabeArmênioAzerbaijanoBascoBengaliBielo-russoBirmanêsBósnioBúlgaroCanarêsCatalãoCazaqueCebuanoChicheuaChinês simpChinês tradChonaCingalêsCoreanoCorsoCrioulo haitianoCroataCurdoDinamarquêsEslovacoEslovenoEspanholEsperantoEstonianoFilipinoFinlandêsFrancêsFrísioGaélico escocêsGalegoGalêsGeorgianoGregoGuzerateHauçaHavaianoHebraicoHindiHmongHolandêsHúngaroIgboIídicheIndonésioInglêsIorubaIrlandêsIslandêsItalianoJaponêsJavanêsKhmerLaosianoLatimLetãoLituanoLuxemburguêsMacedônicoMalaialaMalaioMalgaxeMaltêsMaoriMarataMongolNepalêsNorueguêsPachtoPersaPolonêsPortuguêsPunjabiQuirguizRomenoRussoSamoanoSérvioSessotoSindiSomaliSuaíleSuecoSundanêsTadjiqueTailandêsTâmilTchecoTelugoTurcoUcranianoUrduUzbequeVietnamitaXhosaZulu AfricânerAlbanêsAlemãoAmáricoArabeArmênioAzerbaijanoBascoBengaliBielo-russoBirmanêsBósnioBúlgaroCanarêsCatalãoCazaqueCebuanoChicheuaChinês simpChinês tradChonaCingalêsCoreanoCorsoCrioulo haitianoCroataCurdoDinamarquêsEslovacoEslovenoEspanholEsperantoEstonianoFilipinoFinlandêsFrancêsFrísioGaélico escocêsGalegoGalêsGeorgianoGregoGuzerateHauçaHavaianoHebraicoHindiHmongHolandêsHúngaroIgboIídicheIndonésioInglêsIorubaIrlandêsIslandêsItalianoJaponêsJavanêsKhmerLaosianoLatimLetãoLituanoLuxemburguêsMacedônicoMalaialaMalaioMalgaxeMaltêsMaoriMarataMongolNepalêsNorueguêsPachtoPersaPolonêsPortuguêsPunjabiQuirguizRomenoRussoSamoanoSérvioSessotoSindiSomaliSuaíleSuecoSundanêsTadjiqueTailandêsTâmilTchecoTelugoTurcoUcranianoUrduUzbequeVietnamitaXhosaZulu A função de fala é limitada a 200 caracteres Opções : Histórico : Comentários : Donate Encerrar >