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Da Redação
Publicado em 18 de setembro de 2019 às 09:36
- Atualizado há 2 anos
Após prometer zerar o déficit público no primeiro ano de governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a se justificar sobre as razões para que isso não aconteça. O governo atualmente precisa conter despesas para assegurar o cumprimento da meta fiscal de déficit de R$ 139 bilhões, ou o rombo seria até maior que o permitido. "O déficit vai ser o melhor possível", afirmou. "Eu quero zerar o déficit público. E as estatais? Quero vender todas", disse Guedes na noite desta terça-feira (17), em evento em Brasília."Dizem que não zeramos o déficit (no primeiro ano), mas (governos anteriores) ficaram anos esburacando (o Orçamento) e não podemos ter um ano e meio para tentar (reverter o déficit)?", questionou o ministro, arrancando aplausos da plateia do IV Fórum Nacional do Comércio.Em seguida, Guedes explicou que preferiu adotar uma postura conciliatória com Estados e municípios, que também enfrentam dificuldades fiscais, e dividir os recursos que serão obtidos com o megaleilão de petróleo do pré-sal. "Eu (União) podia ficar com todo o dinheiro, mas o que eu estaria construindo de alianças políticas?", ponderou o ministro.>
Diante dessa decisão, o ministro afirmou que o déficit este ano vai ser "o melhor possível". Ele explicou que preferiu ter um resultado "um pouquinho pior", mas ajudar os governos regionais. O que não pode ocorrer, segundo ele, é elevar imposto para bancar o excesso de gastos.>
Recuperação Apesar do momento de dificuldades, Guedes demonstrou otimismo com o futuro da economia. Segundo ele, o governo pretende acelerar as privatizações, e a arrecadação já veio "bem acima do esperado" nos últimos dois meses. O ministro destacou ainda que o governo segue firme nos planos de reduzir encargos trabalhistas, juros e impostos, além de trazer investimentos. Disse ainda que as empresas estatais serão fechadas ou privatizadas - sem indicar exceções.>
"O Brasil vai retomar o crescimento sustentado, não na base de anabolizante", disse o ministro. Já no ano que vem, Guedes previu um avanço do PIB de ao menos o dobro do que será verificado este ano. A previsão do governo para 2019 é uma alta de 0,85%. "No terceiro ano (de governo Bolsonaro), já decola", afirmou.>
Teto de gastos O ministro da Economia disse ainda que a prioridade do governo segue sendo controlar o crescimento das despesas. Após idas e vindas sobre flexibilizar ou não o teto de gastos, o ministro garantiu que o mecanismo que limita o avanço das despesas à inflação está mantido. "Deixa o teto parado. Nosso desafio é quebrar o piso", disse, sinalizando que a intenção é atacar as despesas obrigatórias.>
Segundo Guedes, o governo não vai furar o teto, mas sim desindexar e desvincular despesas. Como mostrou o Estadão/Broadcast, as despesas obrigatórias (que incluem Previdência e salários de servidores) crescerão R$ 266,2 bilhões de 2016 a 2020, enquanto as discricionárias (que englobam investimentos) caíram R$ 35 bilhões. O governo estuda propor mecanismo que permita não conceder reajustes nominais do salário mínimo - valor que é referência para boa parte das despesas obrigatórias do governo.>
No evento em Brasília, o ministro disse que o excesso de gastos nos últimos anos acabou "corrompendo a democracia e estagnando a economia". O objetivo do governo Jair Bolsonaro, segundo ele, é fazer uma "transformação". Guedes avalia ainda que o Congresso está maduro e que as reformas estão avançando. "O presidente foi politicamente bem-sucedido, ganhou eleição. Ele sinalizou que antiga política, de troca de favores, não continuaria, e aí havia dúvida sobre governabilidade, sem o toma-lá-dá-cá. Mas existe governabilidade, porque Congresso também foi eleito e está avançando com reformas", disse o ministro.>
Essa governabilidade, segundo Guedes, está contribuindo inclusive para que os resultados projetados pela equipe econômica cheguem mais rápido que o esperado. "Não é em dois ou três meses que vamos recuperar dinâmica de crescimento, mas nós vamos recuperar essa dinâmica, vamos na direção certa", afirmou>
"As coisas estão indo melhor que esperado, achavam que não teríamos governabilidade, mas o Congresso está maduro", avaliou. Para o ministro, "o rumo está decidido" na direção de um programa liberal. "Vamos manter o que deu certo e corrigir o que deu errado, o que inclui o excesso de gastos", disse.>