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Bruno Queiroz
Publicado em 28 de janeiro de 2019 às 05:05
- Atualizado há 2 anos
Desde o seu primeiro dia no Fazendão, na reapresentação do Bahia, em 3 de janeiro, dava para perceber que Artur era um jogador diferente. Chamava a atenção a hiperatividade, percebida em alguns detalhes comportamentais, como o fato de descer para o campo antes dos demais jogadores, ajudando os auxiliares de comissão técnica a levar os materias de treino, como bolas e colchões. Enquanto espera seus companheiros, ele costuma ficar arriscando chutes a gol ou simplesmente faz malabarismos com a bola.>
Desde que o ano começou de fato, Artur tem demonstrado em campo o quão importante pode ser para o Bahia no decorrer da temporada. Até então, ele marcou um gol e deu uma assistência em três partidas e participou de forma efetiva em mais quatro dos 11 gols da equipe. >
Em entrevista exclusiva ao CORREIO, o meia-atacante se mostrou surpreso com o bom início. “Acho que foi uma surpresa pra mim, porque eu passei muito tempo sem jogar. O primeiro jogo eu senti bastante, mas vi que estava muito bem fisicamente, só que sem ritmo de jogo. Na segunda (partida) fiz o primeiro gol, desde 2017, acho que meados de novembro, eu tinha feito o último jogo. Foi uma surpresa por estar bem, ter feito o gol tão rápido”. >
De fato, o ano passado foi difícil para Artur, que teve duas lesões sérias. Ele realizou uma cirurgia no tornozelo, em fevereiro, e depois quebrou o braço, em setembro. Tudo isso fez com que jogasse apenas sete vezes, sendo somente uma como titular, nos 3x0 do Palmeiras sobre o Paraná, na Série A.>
Até marcar nos 7x1 do Bahia sobre a Juazeirense, Artur vinha de um jejum de mais de um ano sem balançar a rede. Como lembrou anteriormente, a última vez havia sido no dia 14 de novembro de 2017, quando o Londrina venceu o Guarani por 1x0 pela Série B.>
A rápida adaptação ao sistema de jogo é fruto de um bom entendimento com Enderson Moreira. “O enfrentei quando ele treinava o América-MG e (já no Bahia) ele conhecia minhas características, pediu para eu jogar bem aberto. As características do time que ele coloca pedem um jogador rápido, que vai para o drible. Me encaixei bem na formação tática dele”, explica.>
Artur valoriza também o entrosamento com Gilberto, com quem tem feito uma boa parceria nos primeiros jogos do ano. “Gilberto é um cara muito humano, muito gente boa. Desde o primeiro jogo eu falei que sempre ia buscar ele, que ele seria sempre minha primeira opção e está dando certo. Contra o Santa eu participei dos três gols, ele fez dois e então acho que é assim que a gente está se comportando. Espero que ele faça mais e eu possa dar mais passe para ele fazer gols”. >
Sem pretensão de brigar por artilharia, Artur afirma que ficaria satisfeito com o camisa 9 balançando as redes e ele responsável pelo posto de garçom tricolor na temporada. “Tá ótimo, maravilha (risos)”. Em 2017, o jogador foi o líder de assistência naquela edição da Série B, pelo Londrina, com 11. Marcou oito gols. >
Dybala do Nordeste? Artur conta que já recebe carinho dos torcedores por onde passa em Salvador. Inclusive, ele não escapou de uma mania bem comum ao baiano, que é a de apelidar as pessoas. O apelido que ganhou, porém, foi bem recebido. >
“Já escutei várias vezes o pessoal me chamando de Dybala do Nordeste. Acho uma maravilha ser comparado a um jogador de alto nível, como é o Dybala. Acho que não pareço muito com ele não, algumas características sim, por ser canhoto, finalização, acho que tem algo um pouco parecido”, analisou. O Dybala original é argentino, tem 25 anos, e atua na Juventus, da Itália. >
Artur é mais novo, tem apenas 20 - completa 21 no dia 15 de fevereiro -, mas já carrega consigo algumas experiências importantes no futebol. Em 2017, fez parte da seleção que disputou o Sul-Americano Sub-20. “A experiência é muito boa, convivência com outros atletas de outros times, conhecer outro país, cultura, estilo de jogo. Foi uma lição muito boa”, disse, para depois elogiar o companheiro Ramires, representante tricolor na atual seleção. "Eu não cheguei a conhecer ele ainda, só de jogar contra e vi que ele é muito bom". >
O atacante mostrou ansiedade em jogar seu primeiro Ba-Vi, domingo (3), às 17h, na Fonte Nova. “Já ouvi demais falar sobre Ba-Vi, sei o quanto é importante pro Bahia esse jogo. Essa semana vai ser um espírito diferente das demais. Quando a gente joga contra o rival, o clima é diferente. Vamos fazer essa semana valer a pena para chegar no domingo e fazer os três pontos", afirma, confiante. >