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Da Redação
Publicado em 24 de junho de 2020 às 17:14
- Atualizado há 2 anos
Pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia encontraram uma nova linhagem do vírus da zika circulando no Brasil. A descoberta foi publicada este mês no periódico International Journal of Infectious Diseases.>
A introdução da nova cepa, do tipo africano, foi identificada graças a uma ferramenta de monitoramento genético desenvolvida por pesquisadores vinculados ao Cidacs. As informações são da revista Marie Claire. >
O método consiste em analisar sequências genéticas de microrganismos disponíveis em bancos de dados públicos, permitindo aos cientistas compararem os genes do vírus avaliado com os que já foram descobertos anteriormente.>
"Pegamos esses dados e analisamos, selecionamos as sequências do Brasil e mostramos a frequência desses tipos virais ano a ano", afirmou Artur Queiroz, coautor do estudo, em declaração à imprensa. >
"O principal achado é que vemos uma variação de subtipos e linhagens durante os anos, sendo que em 2019 há o aparecimento, mesmo que pequeno, de uma linhagem que até então não era descrita circulando no país", complementa o pesquisador.>
De acordo com os cientistas, há duas linhagens do vírus zika: a asiática e a africana (sendo que essa é subdividida em oriental e ocidental). >
No novo estudo, os pesquisadores analisaram 248 microrganismos que foram encontrados no Brasil e notaram que, até 2018, o vírus da zika era majoritariamente (mais de 90%) cambojano. >
Essa proporção, entretanto, mudou em 2019, quando o subtipo da zika oriundo da micronésia passou a compreender 89,2% das sequências submetidas ao banco genético.>
Mesmo assim, o que surpreendeu os pesquisadores foi a identificação do tipo africano do vírus zika por aqui. "A linhagem da África foi isolada em duas regiões diferentes do Brasil: no Sul, vindo do Rio Grande do Sul, e no Sudeste, no Rio de Janeiro", escreveram os autores do estudo.>
Para os membros da Fiocruz Bahia, a descoberta serve como alerta para a vigilância da doença. >
Segundo Larissa Catharina Costa, uma das autora da pesquisa, estudos genéticos devem continuar sendo realizados a fim de evitar um novo surto da doença com o novo genótipo circulante. >