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Da Redação
Publicado em 31 de outubro de 2019 às 18:13
- Atualizado há 2 anos
O Banco de Abrolhos não está mais livre das manchas de óleo agora que o petróleo cru chegou a Corumbau, povoado de Prado, no Extremo Sul do Estado.>
A prefeitura local informou que pequenas manchas do resíduo chegaram à região, nesta quinta-feira (31). Entretanto, o Ibama aponta que o ponto oleado mais ao sul do estado, até agora, é Santa Cruz Cabrália, na região de Porto Seguro. O instituto informou que muitos pontos do sul do estado receberam resquícios de óleo nesta quinta.>
Localizado no início do Banco de Abrolhos, Corumbau ainda não faz parte do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, nem do arquipélago de mesmo nome. Em linha reta, a localidade está a cerca de 124 Km do parque.>
Leia também: Confira mapa de locais atingidos por mancha de óleo na Bahia>
De acordo com o coordenador da Rede Abrolhos, Rodrigo Moura, duas Unidades de Conservação já foram atingidas - a Reserva Extrativista de Canavieiras e a Reserva Extrativista Marinha Corumbau.>
Segundo a secretária de Administração da Prefeitura de Prado, Andressa Neves, os resíduos que atingiram Corumbau tinham apenas cerca de 5 cm. Uma equipe da Secretaria de Meio Ambiente e de voluntários vai ser enviada para a região nesta sexta-feira (1º).>
Limpeza das praias Na localidade, a comunidade teve pronta resposta e já limpou a praia. Restam apenas uma pequena quantidade dos fragmentos. Na vizinha Cumuruxatiba, a população e agentes de limpeza também estão mobilizados para responder de forma rápida a chegada do óleo. Ambas localidades ficam em Prado.>
A prefeitura da cidade adquiriu alguns Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Os apetrechos também foi doado pela Marinha, ONGs e parceiros da prefeitura. Andressa informou que os equipamentos vão ser levados para a região de Corumbau para preparar o local para uma chegada de uma maior quantidade de óleo. “Se chegar, estamos preparados para isso. Mas, de acordo com a Marinha, pode ser que só venha essa quantidade”, disse. >
Até o momento, a sede de Prado ainda não registrou a chegada de óleo, mas esforços de monitoramento buscam avistar o resíduo antes que ele toque a costa. Foi no mar que um pescador da região encontrou uma mancha de petróleo cru, a cerca de 25 Km da costa do Prado.>
Segundo a analista ambiental da secretaria de Meio Ambiente do município, Gabriela Vasconcelos, a amostra coletada pelo pescador deve ser entregue à Marinha para análise.“Esperamos eles pegarem o material para confirmar se é o mesmo óleo que está no litoral do Nordeste. Tudo indica que seja o mesmo”, pontuou.No dia 17 de outubro, os municípios litorâneos do Extremo Sul da Bahia e as reservas ambientais da região criaram um plano de ação para responder a chegada do óleo.>
Segundo Gabriela, a sociedade local está muito mobilizada. “O monitoramento da chegada é feito pelos pescadores e pela população, não tem uma equipe”, explica a analista ambiental.>
De acordo com Gabriela, o plano possui quatro etapas - articulação entre os municípios e os órgãos superiores, comunicação, monitoramento e limpeza e contenção. A prefeitura informa a comunidade como atuar nas limpezas das praias e evitar contaminações.>
A secretária de Administração da Prefeitura de Prado contou que os moradores do município que forem instruídos sobre o contato com o óleo devem passar os conhecimentos a frente. “Treinamos agentes de saúde, limpeza pública e diretores de escola para serem replicadores para passar para a comunidade informações sobre como tratar os resíduos e fazer a coleta”, pontuou.>
Banco de Abrolhos Com uma extensão que vai de Corumbau, na Bahia, até Regência, no Espírito Santo, o Banco de Abrolhos é o berçário das Baleias Jubarte, casa para espécies endêmicas e os recifes de corais mais ricos do Atlântico Sul. “É um grande reservatório de biodiversidade”, afirmou o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador da rede abrolhos, Rodrigo Moura.>
Para o coordenador é impossível medir os impactos ambientais nesta área de grande importância para a conservação da biodiversidade marinha do brasil. Ele explica que, no caso da chegada de grandes manchas no local, é possível prever a mortalidade em massa de corais e a perda da biodiversidade. “O prejuízo para a fauna marinha é incalculável. É uma perda que a gente pode dizer que é irreparável”, afirmou.>
O professor afirmou que ser essencial que seja mantida a mobilização dos órgãos governamentais e dos voluntários na região para mitigar as consequências da chegada do óleo. “É importante ampliar a mobilização. Até porque a mancha chega em fragmentos. A gente precisa de uma mobilização grande dos autores locais, que estão mobilizados em termos de voluntariado. Mas é preciso ampliar o apoio para que as pessoas possam atuar não só na limpeza das praias”, indicou.>
Apesar de ter atingido o Banco de Abrolhos, ainda não foi registrada a chegada do petróleo cru no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos - o primeiro a ser criado no Brasil. Dentro desta região rica do ponto de vista da biodiversidade, é na área de preservação que ficam os locais mais frágeis e que podem sofrer as piores consequências se atingidos pelo óleo. >
“O parque é o epicentro, o local que é mais importante para a biodiversidade. Nas áreas do parque é onde se tem as ilhas, que são basicamente rochosas e onde a chegada do óleo pode causar problemas muito sérios”, pontuou.>
Moura explica que também é dentro do parque que ocorre os recifes de corais chamados de chapeirões, uma formação que só ocorre na região e cresce desde o fundo do mar até perto da superfície em um formato de cogumelo. “A gente tem uma quantidade muito grande desses recife que estão na região do parque e se esse óleo chegar, certamente fica preso nessas estruturas porque elas são muito altas em relação ao fundo do mar”, disse.>
Apontado pelo professor como o parque marinho mais importante do Brasil, o parque resguarda uma área chave para a preservação da biodiversidade. “Ele é chave para manter a pesca saudável no entorno”, disse.>
*Com orietação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.>