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Ignorar prova de Inglês ou Espanhol no Enem é cilada; entenda

Historicamente, notas nas disciplinas são muito baixas

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 11 de setembro de 2019 às 05:10

 - Atualizado há 2 anos

. Crédito: Reprodução

Matemática, Biologia, Português, Redação... É tanta coisa para dar conta que, na hora de estudar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitos estudantes deixam a prova de língua estrangeira de lado. Uns por falta de familiaridade com o inglês e o espanhol, outros por achar que apenas cinco questões não farão a diferença. É aí que mora o perigo.

Ter um bom desempenho na Língua Estrangeira eleva a nota da área Linguagens, Códigos e suas Tecnologias na prova, que conta com 45 questões, sendo cinco delas de Inglês ou Espanhol - ou seja, 11% da prova. O idioma é escolhido no ato da inscrição. 

Mas por que é importante ir bem nessa prova? Simples. Além de não desperdiçar mais de 10% da prova, o estudante tem a chance de ter um grande diferencial e sair na frente dos concorrentes. De acordo com os microdados do Enem, a média de acerto dos brasileiros nos idiomas é muito baixa: em Inglês é de 45%, enquanto em Espanhol é de 34%. Foto: Arte CORREIO Historicamente, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em todo o país, 60% dos alunos escolhe a língua espanhola e 40% a inglesa. Já na região Nordeste, no ano passado, uma pesquisa apontou que 71% escolhem o espanhol e 29% o inglês. Ainda não há o percentual de escolhas neste ano e também não há o detalhamento na Bahia. Fonte: Arte CORREIO E tem mais: mesmo que o aluno não tenha estudado nadinha dos idiomas até agora, dá para responder às questões do exame. E quem garante isso é o especialista em Língua e Literatura Espanhola e professor do Instituto Dom de Educar (Rede FTC), Rodolfo Badilla.

"O número de questões, de fato, é bem desproporcional em relação à Língua Portuguesa, mas são cinco questões de interpretação de texto, apenas. Ou seja, mesmo quem nunca estudou nada de espanhol na vida, é capaz de responder a essas questões. Elas trazem o texto inicial todo no idioma escolhido, mas o enunciado é sempre em português. Ou seja, a prova não é feita para um nativo de outro país, e sim para um aluno brasileiro".

Por isso, a dica dele e da professora de Inglês Gina Teixeira é a mesma: ler primeiro a pergunta e só depois ir para o texto de apoio. Pode fugir à ordem habitual, mas é o melhor caminho a ser feito. Gina dá aulas de Inglês há 37 anos (Foto: Acervo Pessoal) "É que a pergunta já é direta, já fala em português e de forma clara o tema do texto. Então, isso te dá uma luz, você já vai para o texto sabendo do que se trata, já sabe o tema, o que te ajuda a poupar tempo, o que é fundamental no Enem. Você não perde tempo traduzindo as palavras, uma por uma. Já vai sabendo o que vai encontrar ali", explica Gina.

Ao receber o caderno, o estudante vai se deparar com 10 questões de Língua Estrangeira, sendo 5 de cada idioma. Apesar disso, ele só responderá o questionário do idioma que escolheu no ato da inscrição, deixando a prova da outra língua em branco. Rodolfo pede que alunos não ignorem prova de Língua Estrangeira (Foto: Betto Jr/CORREIO) Cuidados Embora seja bom ter uma noção básica de gramática, para assimilar o que está escrito, não é necessário saber aplicá-la nos textos. As questões, afinal, são de marcar. O que pesa mesmo é saber ler e interpretar. Um levantamento da plataforma SAS Educação, entre os anos de 2009 e 2018, mostra que leitura e interpretação de textos e de cartuns e tirinhas foi o tema que mais caiu.

Em Inglês, somando interpretação de texto (47 questões) e de cartuns e tirinhas (11), são 64,4% das questões. Já em Espanhol, são 51 questões em que o aluno precisou interpretar textualmente (56,7%).

"Muita gente dá ênfase na gramática, mas não é o que mais cai. Para ler um texto, você precisa saber tempo verbal, conjunção, voz passiva. Se eu não sei o que é voz passiva, não vou entender a compreensão textual. Mas o foco  mesmo é saber interpretar", explica Gina.

"E não basta se prender só aos textos também, porque muitas vezes o Enem cobra a interpretação das charges, tirinhas, cartuns, poesia, música. A prova aborda diversos tipos de gênero de literatura", completa Rodolfo.

Apesar de precisar saber basicamente interpretar, isso não significa que seja mamão com açúcar também. Existem algumas pegadinhas que podem fazer os mais desatentos se darem mal. A principal delas é o falso cognato, que é quando duas palavras parecem ter o mesmo significado por possuírem sons e escritas parecidos."Por exemplo, a palavra bassoura em espanhol significa lixo. Muitos alunos podem ler e achar que é vassoura", alerta Rodolfo. Foto: CORREIO A lista de falsos cognatos é enorme, por isso, é importantíssimo ter um repertório vocabular. No caso do inglês, Gina diz que eles não são tão frequentes quanto no espanhol, que tem uma língua semelhante ao português, mas alerta que também existem pegadinhas.

"Não é que seja uma prova cheia de pegadinhas, mas a prova de Inglês, por exemplo, costuma ter uma questão certa e umas duas parcialmente certas. O aluno que não domina os termos, que não sabe o contexto que a palavra se encaixa no texto, pode ficar confuso. Fica em dúvida porque as questões erradas dão aquela sensação de que podem, sim, estar corretas", avisa.

O Inglês foi introduzido no Enem em 2009, enquanto o Espanhol passou a fazer parte no ano seguinte. E outro bom motivo para não deixar a área de lado, é que uma boa nota na prova de Linguagens é fundamental para quem almeja qualquer curso.

É verdade que cada curso tem seu peso e cada instituição tem liberdade para decidir quais deles vai atribuir para cada curso. No entanto, é universal a ideia de que uma boa pontuação na prova de Linguagem é fator decisivo na hora de entrar em qualquer unidade educacional.

Na Universidade Federal da Bahia (Ufba), por exemplo, a prova de Linguagem tem peso 3 em absolutamente todas as áreas, seja de exatas ou de humanas, o que é considerada uma relevância alta. Os pesos de todos os cursos podem ser consultados aqui.  Foto: CORREIO Dicas dos mestresEn Español: Rodolfo pede que seus alunos peguem as provas passadas do Enem e refaçam. "Pelo menos uma prova de espanhol por dia, já que são poucas questões". Segundo ele, essa é a melhor estratégia para compreender, de fato, como os assuntos são cobrados e garantir uma boa nota.

"É o que vai deixar o aluno bem treinado. O Enem é uma prova de habilidade e isso é algo que você desenvolve, não aprende de uma hora para a outra".

Segundo ele, a prova de Espanhol é multicultural e sempre focou em aspectos sociais, principalmente o sofrimento do povo latino-americano, fruto da ditadura. Com a mudança de governo, ele não sabe se o tema será abordado. "Não sei se vai cair. Essa prova deste ano é uma incógnita para todos nós. De todo modo, a essência do exame é que não é prova de seleção, e sim de avaliação. Todos podem pontuar e passar, ninguém é eliminado. Por isso é importante garantir um melhor desempenho indo bem na prova de Espanhol ou Inglês".

Dicas de estudo 1) Para quem escolher a língua espanhola, a dica é mergulhar no universo de Mafalda. A garotinha, que protagoniza charges que caem frequentemente nas provas do Enem, já tem até perfil no Instagram: @mafaldaoficial.

2) Outra boa pedida é ler as publicações do El País, seja no site ou até mesmo no Instagram (@el_pais). 

3) O professor também indica a leitura de matérias no Clarín, da Argentina. "É Importante saber os temas atuais, porque o Enem cobra isso, atualidade". Tirinha de Mafalda usada no Enem de 2012 (Foto: Reprodução) In English:  Já para seus alunos, Gina aconselha que o aprendizado seja uma grande diversão. Na lista estão atividades super fáceis de cumprir: ouvir uma música em inglês e tentar traduzir; ler os quadrinhos da dupla Calvin and Hobbes (Calvin e Haroldo, em português) e os feitos por Randy Glasbergen; e caprichar nos jogos de celular. Tudo que o estudante queria, né? Quadrinho de Glasbergen caiu na prova de 2018 (Foto: Reprodução) "Sempre indico que meus alunos façam cruzadinhas que vendem nas bancas e que também já tem na internet, chamada Classwords. É muito bom, porque eles aprendem de forma lúdica. Tem também caça-palavras, que pode parecer uma coisa boba, mas não é. O aluno está ali brincando e aprendendo. Ouvir música também é fantástico".

Gina dá ainda uma dica preciosa: informe-se. Como o Enem cobra temas da atualidade, quando o estudante está por dentro do assunto, é muito mais fácil responder a qualquer questionário.  Tirinha de Calvin and Hobbes da prova de 2013 (Foto: Reprodução) Dicas de estudo 1) As orientações da teacher (professora, em Inglês) não param por aí. Gina diz que também é válido acessar aplicativos para celular, como o Duolingo, o Unlock your Brain e o FluentU.

2) Há também uma ferramenta que é uma espécie de xodó da professora. Trata-se do app English Vocabulary Builder. "Ele apresenta uma gama de palavras ligadas a um determinado tema. Por exemplo, você escreve food e ele dá muitas variações dentro desse universo. É um ótimo treinamento para aumentar o vocabulário".

3) Jogos de celular que possuem diálogos em Inglês ajudam - e muito - quem quer manter o inglês afiado e é uma indicação da professora. Pode ser qualquer um, desde que os personagens dialoguem no idioma ou as instruções também sejam na língua inglesa.

Fascículos no CORREIO trazem temas para revisão O jornal CORREIO publica até o dia 30 de outubro 18 fascículos especiais do 13º projeto Revisão Enem 2019. Com simulados que são disponibilizados no site do jornal (correio24horas.com.br/enem), os conteúdos contam com uma série de questões objetivas, realizadas pelo SAS Educação, para os estudantes testarem seus conhecimentos nas disciplinas cobradas no Enem.

Além disso, sempre às quartas-feiras, o site Correio 24 horas conta com videoaulas, que podem ser acessadas na íntegra na página: www.correio24horas.com.br/revisao. Na versão impressa e no site do CORREIO, é possível acompanhar conteúdos focados em temas que auxiliam os alunos no processo de estudo, com artigos diversos, dicas de como estudar e macetes para fazer um bom exame. O projeto tem o oferecimento da Rede FTC.