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Da Redação
Publicado em 4 de novembro de 2019 às 18:26
- Atualizado há 2 anos
O governo brasileiro pediu, por meio da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), informações à Delta Tankers Ltd, que administra o navio Bouboulina, de bandeira grega, suspeito de ter derramado óleo que atinge as praias do Nordeste. "A empresa vai ser notificada agora. A gente fez os pedidos através de interpol. Ela vai tomar conhecimento da investigação toda e vai ter oportunidade de apresentar estes documentos que ela alega ter", disse nesta segunda-feira, 4, o delegado Franco Perazzoni, chefe do serviço de geointeligência da Polícia Federal.No final de semana, a empresa afirmou à Reuters que uma investigação em material de câmeras e sensores de suas embarcações não encontrou evidências de que o navio "tenha parado para fazer qualquer tipo de operação entre dois navios, vazado óleo, desacelerado e desviado do seu curso, na passagem da Venezuela para Melaka, na Malásia".>
Perazzoni ponderou que a empresa é suspeita, mas não foi indiciada. "A gente vai reunir todos estes elementos e avaliar", comentou.>
Segundo o comandante de Operações Navais da Marinha, Leonardo Puntel, foram abertos ainda dois inquéritos administrativos sobre o caso, por crime ambiental e para apurar fatos de navegação. "(As apurações) têm poder de alcançar os responsáveis", disse.>
A PF informou que o Brasil aguarda informações sobre o navio pedidas via cooperação política internacional a Cingapura, Venezuela, África do Sul, Nigéria e Grécia.>
Dano bilionário O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, disse que o dano ambiental pelo avanço de óleo em praias do Nordeste "com certeza" será na "casa dos bilhões".>
Ele afirmou que mais de uma multa ambiental pode ser aplicada em casos desta proporção. Cada multa tem valor máximo de R$ 50 milhões.>
Perazzoni, da Polícia Federal, afirmou que diversas medidas de "descapitalização" também são possíveis, além da multa, como sequestro de bens e arresto. Ele disse que os danos pelo óleo derramado são de "tal monta" que acabam sendo irreparáveis. A pena para crimes como de poluição, não notificar incidentes ao mar e delito ambiental podem chegar a 10 anos, disse Perazzoni.>
Volume de óleo Segundo o comandante Leonardo Puntel, diminuiu nos últimos dias a quantidade de óleo que chega às praias, mas não é possível estimar o volume que ainda irá atingir o litoral. "Como o óleo navega submerso, é muito difícil detectá-lo", afirmou.>
Assim como Puntel, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse mais cedo que não há como saber a quantidade de óleo que ainda pode chegar às praias. Ambos desviaram de perguntas sobre declaração do presidente Bolsonaro de que o "pior está por vir".>
Puntel disse que investigações apontam que o navio suspeito fez uma operação de transferência de carga ("ship to ship") em águas internacionais, próximo de Cingapura. O governo brasileiro aguarda respostas do país asiático sobre o caso.>