Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Da Redação
Publicado em 31 de março de 2020 às 19:02
- Atualizado há 2 anos
O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi condenado pela Justiça Federal em Brasília, nesta terça-feira (31), à perda de função pública e à suspensão de seus direitos políticos por cinco anos. As informações são da Folha de S.Paulo.>
A decisão se deu em ação civil de improbidade administrativa ajuizada após o jornal paulista noticiar, em novembro de 2016, que o então chefe da Secretaria-Geral de Governo na gestão de Michel Temer (MDB) pressionou, pessoalmente e por meio de terceiros, o então ministro da Cultura, Marcelo Calero (hoje deputado federal), a produzir parecer técnico favorável a seus interesses privados em um negócio imobiliário.>
Transferido para o Complexo Penitenciário da Mata Escura, Geddel está preso desde 2017 devido a outro processo, de natureza penal, que trata de seu envolvimento em supostos casos de desvio e ocultação de recursos públicos. >
A defesa do ex-ministro, que informou que irá recorrer da nova condenação, requereu sua liberação por ter 61 anos e integrar grupo com maior risco de contrair o novo coronavírus, mas o pedido foi negado pela Justiça.>
Em outubro, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Geddel a 14 anos e 10 meses de prisão, além de determinar pagamento de multa de cerca de R$ 1,6 milhão, por lavagem de dinheiro e associação criminosa.>
Bunker na Graça O colegiado entendeu que ele fez investimentos de dinheiro ilícito em uma construtora, além de ter ocultado R$ 51 milhões em um bunker no bairro da Graça, em Salvador, descoberto pela Polícia Federal.>
A ação de improbidade administrativa, ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), tratou do caso denunciado pelo então ministro da Cultura.>
Calero afirmou em entrevista à própria Folha que o então articulador político do governo Temer o procurara pelo menos cinco vezes — por telefone e pessoalmente — para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão subordinado à Cultura, aprovasse o projeto imobiliário La Vue Ladeira da Barra, nos arredores de uma área tombada em Salvador.>
Nas palavras de Calero, Geddel disse nas conversas possuir um apartamento em andar alto do empreendimento, que dependia de autorização federal para sair do papel.>
Na ocasião, o Iphan ainda decidiria se o número de pavimentos do prédio deveria ser reduzido, para atender ao regramento de proteção ao patrimônio histórico e artístico. Isso acabou ocorrendo.>
Após a decisão, segundo Calero, os pleitos sobre o caso aumentaram e passaram a vir de outros integrantes do governo, como o então ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (MDB), e o então subchefe de Assuntos Jurídicos da pasta, Gustavo do Valle Rocha, que tratavam de recurso à decisão contrária a Geddel.>
O advogado de Geddel, Gamil Föppel, afirmou em nota que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) "a fim de buscar a reforma da referida sentença condenatória, uma vez que é manifestamente contrária à prova dos autos e aos princípios comezinhos de direito".>
"Com efeito, a instrução processual demonstrou a inexistência de qualquer ato de improbidade administrativa praticado por Geddel, o que, inclusive, foi reconhecido pelo Ministério Público Federal, autor da ação, que, ao final, pediu que a ação fosse julgada improcedente, reconhecendo inexistência de violação a qualquer princípio da administração pública", escreveu. "A condenação é, de fato, um desatino jurídico, que haverá de ser reformada.">
Gustavo Rocha e Eliseu Padilha ainda não se pronunciaram sobre o assunto.>