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Priscila Natividade
Publicado em 27 de dezembro de 2020 às 20:22
- Atualizado há 2 anos
Em plena noite de Natal, mais um caso de feminicídio registrado na Bahia, dessa vez no município de Mundo Novo, na região da Chapada Diamantina. A doméstica Jenilde de Jesus Pinheiro, 24 anos, foi agredida com um murro no olho e recebeu cinco golpes de faca após seu ex-companheiro, Anselmo dos Santos Reis, 31, ter invadido a casa onde a vítima morava com as filhas pequenas pela porta dos fundos.>
Segundo informações da 98ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), por volta das 20h30, policiais militares foram acionados para atender a uma ocorrência de tentativa de feminicídio na Rua do Hospital. Ao chegar ao local, a guarnição foi informada que Jenilde havia sido esfaqueada e que populares já haviam socorrido a vítima para o hospital municipal.>
De acordo com o irmão da vítima, Jenilson de Jesus Pinheiro, 29, Jenilde estava em casa com as filhas de 5 e 6 anos, que presenciaram o crime. Ela chegou a ser transferida para o Hospital Clériston Andrade, em Feira de Santana, mas não resistiu aos ferimentos.>
Jenilde foi sepultada neste domingo (27), no cemitério municipal de Mundo Novo.>
“A gente vai fazer de tudo para que as pessoas ajudem a localizar quem fez isso com minha irmã para que a polícia possa fazer o seu trabalho e não deixe ele sair impune. Minha irmã estava sob medida protetiva e o ex-marido ficava perseguindo ela, principalmente pelo Facebook. Não sei como ele conseguiu o número do telefone dela e chegou até a mandar mensagem dizendo que ela estava colocando outro homem dentro de casa”, afirmou.>
Jenilson contou ainda que Jenilde e Anselmo namoravam desde a adolescência e viveram juntos por 13 anos. O casal estava separado há cerca de nove meses.“Ele só chegava em casa embriagado e sob efeito de entorpecentes, sempre transtornado, ameaçando que ia matar todo mundo. Minha irmã foi tomando medo e se separou”.O caso vai ser investigado pela Polícia Civil.>
“Minha irmã era uma pessoa bastante amigável, onde chegava ela deixava amor. É um momento muito difícil, de muita dor, principalmente por que duas crianças vão ficar sem mãe. Nós queremos que as pessoas olhem para a foto de Jeny e não vejam só uma imagem. Outras mulheres podem estar precisando dessa ajuda urgente para não ser mais uma vítima como minha irmã foi”, lamenta.>
Outros casos A morte de Jenilce se soma a outros três casos de feminicídio registrados desde o início do mês de dezembro. No último dia 10, João Miguel Pereira Martins, o DJ Frajola, foi encontrado morto dentro de um apartamento no bairro do Caminho das Árvores depois de assassinar a sua ex-namorada, a estilista Tatiana Fonseca, que foi surpreendida quando estava saindo do apartamento onde morava, na Pituba.>
No dia seguinte, 11 de dezembro, o prefeito do município de Conceição de Feira, Raimundo da Cruz Bastos, o Pompílio, foi encontrado morto ao lado da esposa, Elba Rejane Silva. A Polícia Civil está investigando o crime e a suspeita é de que ele tenha tirado a própria vida após assassinar a mulher.>
O terceiro caso foi registrado no dia 20, quando a jovem Karoline Almeida de Oliveira, 23 anos, foi morta, na rua Irênio Souza, bairro de Sussuarana Velha. O suspeito é o marido de Karoline, Gideon Campos de Oliveira. Ele teria matado a esposa com tiros antes de cometer suicídio com a mesma arma.>
Com base em um levantamento nacional feito pelo Instituto AzMina, nos primeiros seis meses de pandemia, 49 mulheres foram vítimas de feminicídio na Bahia, colocando o estado na terceira posição do ranking com maior número de mortes atrás somente dos estados de São Paulo, com 79 óbitos, e Minas Gerais, com 64, respectivamente. Neste período do monitoramento feito em 19 estados, 497 mulheres foram assassinadas no país, o equivalente a uma morte a cada nove horas.>
Há três dias, a juíza carioca Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, 45 anos, foi morta pelo ex-marido Paulo José Arronenzi, 52 anos, na véspera de Natal. Viviane e Paulo com ficaram casados por 11 anos. Paulo José foi deixar as três filhas com Viviane, uma menina de 9 anos e gêmeas de 7, no condomínio em que a juíza morava, na Barra da Tijuca. Quando ela foi pegar as garotas, ele a esfaqueou.>
O vídeo que circula em redes sociais mostra que as crianças estavam presentes no momento, inclusive, uma delas grita repetidamente pedindo para o pai pare de esfaquear a mãe. Viviane morreu no local. Paulo ficou ao lado do corpo e foi preso em flagrante, sendo levado para a Delegacia de Homicídios da Capital (DH).>
O monitoramento feito pelo AzMina integra a série “Um vírus e duas guerras”, que vai levantar os casos de feminicídios e de violência doméstica até o final deste ano. De acordo com o instituto, o objetivo é “dar visibilidade a esse fenômeno silencioso, fortalecer a rede de apoio e fomentar o debate sobre a criação ou manutenção de políticas públicas de prevenção à violência de gênero no Brasil”.>