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Giuliana Mancini
Publicado em 5 de junho de 2018 às 07:00
- Atualizado há 2 anos
Quando Roberta Leão Marins, 33, descobriu que estava grávida de Beatriz, ficou superfeliz. O que a cabeleireira não imaginava era que o primogênito da família não lidaria nem um pouco bem com a novidade. E, à medida que o tempo passava, a situação ia piorando. “Ele estava muito triste. Chegou a um ponto que não queria mais comer. Tive até que alimentá-lo com uma seringa”, conta. >
O primeiro filho de Roberta, porém, não era um humano, e sim Popeye, seu cachorro yorkshire. “Ele era uma felicidade só e, de repente, virou outro. Não comia e destruiu o enxoval de Bia. Ele não ligava para as minhas roupas, mas acabava com as coisas dela”, lembra. Da raça yorkshire, Popeye apresentou problemas emocionais após o nascimento de Beatriz (Foto: Shutterstock/Reprodução) Preocupada com a situação, Roberta foi atrás de ajuda: um “psicólogo” para cães. “Fizemos uma sessão igualzinha à de humanos. Contamos toda a história, os problemas... Ele nos ensinou a fazer Popeye sentir que ainda era amado. Não tínhamos mais tanto tempo como antes para ele, mas isso não significava que ele não era mais parte da família”.>
Psiquiatria animal A especialidade procurada por Roberta é conhecida como Zoopsicologia. Mas há também a Zoopsiquiatria ou Medicina Veterinária Comportamental. Ela aborda problemas de comportamento em animais. “É muito parecido com a psiquiatria infantil”, garante o médico veterinário Stéfano Mendes Lima, 40, que há cerca de 10 anos trabalha com Zoopsiquiatria. Segundo Stéfano, a zoopsiquiatria parece com a psiquiatria infantil (Foto: Shutterstock/Reprodução) O especialista afirma que um profissional da área é necessário todas as vezes em que não há o bem-estar, seja do animal ou das pessoas com quem ele convive. “O primeiro sinal é a mudança de comportamento. Em todos os seres vivos, esse é um indício de que algo não está funcionando bem. Se ele fica mais quieto que o normal, mais agitado...”, diz. Siga o Bazar nas redes sociais e saiba das novidades de gastronomia, turismo, moda, beleza, decoração e pets: No caso de Popeye, é possível que, mesmo sem a intenção dos donos, o cão tenha se sentido deixado de lado e desenvolvido uma depressão.>
“Muitas vezes, as pessoas querem separar o bebê de animais. Acabam trancando eles em alguma parte da casa ou não deixam que entrem numa área à qual, antes, tinham acesso. Isso é mudar o ambiente deles. Se o bicho é bem tratado e vacinado, vermifugado, a possibilidade dele transmitir uma doença é pouca. É bom que esteja presente para que se sinta parte daquilo”, afirma.>
Síndromes Outros gatilhos podem levar os cães a desenvolver problemas comportamentais. “Um caso comum é a Síndrome da Ansiedade de Separação. O pet pode arranhar a porta, fazer xixi pela casa, rasgar e quebrar objetos”, diz o profissional. Pets podem apresentar a Síndrome da Ansiedade de Separação (Foto: Shutterstock/Reprodução) Um estudo feito na Universidade de Bristol, no Reino Unido, concluiu que cachorros que mostram este tipo de comportamento relacionado à separação também parecem ser mais pessimistas de forma geral.>
“A pesquisa sugere que pelo menos alguns desses cães podem ter estados emocionais negativos subjacentes. E os donos são encorajados a procurar tratamento para melhorar o bem-estar de seus cães”, escreveu Samantha Gaines, chefe-adjunta do Departamento de Animais de Companhia da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA). Cachorros podem ter estados emocionais negativos (Foto: Shutterstock/Reprodução) Outra síndrome que pode ser desenvolvida pelos bichos, a dermatite psicogênica ou dermatite acral por lambedura tem como possíveis causas solidão, ansiedade e até Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). “O cachorro lambe tanto uma área do seu corpo (a pata, por exemplo), que pode ficar sem pelo”, diz Stéfano.>
E como o veterinário chega aos diagnósticos? Tenta falar com o máximo de pessoas. “Procuro entender aquela relação. Converso com quem convive com o animal e sabe tudo sobre ele, como e quando o problema começou...”, fala. >
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O tratamento pode ser desde mudanças de rotina até o uso de remédios, como ansiolíticos e antidepressivos. Com Popeye, foram atividades com a família. Todo o processo aconteceu há oito anos e, na época, foram necessárias dez sessões, divididas em 20 dias.>
Deu certo. “Depois de um tempo, ele voltou ao normal. E, quando fiquei grávida de novo, foi superamigável. Não destruiu nada e brincava com o bebê”, lembra Roberta. O valor, no caso de Popeye, ficou em R$ 60 por sessão. "Foi em 2010. Mas soube que o mesmo profissional cobra, hoje, R$ 200", diz Roberta.>
No caso de Stéfano, o preço é medido de acordo com uma conversa prévia com o cliente, ao telefone. "Discutimos sobre o animal, se ele mora com outros bichos, sua rotina... E falo com pessoas que também convivem com ele. Já houve casos que não era necessário um tratamento comigo, e sim com um adestrador. Aí, não cobrei".>
Apesar de Stéfano não ter um valor tabelado, uma consulta com um especialista em uma das áreas da medicina veterinária custa de R$ 180 a R$ 200.>
Sem estímulo negativo Focadas na área psicológica, algumas empresas de adestramento já desenvolvem abordagens terapêuticas. É o caso da PCS - Adestramento de Cães Salvador. Algumas empresas de adestramento têm abordagens terapêuticas (Foto: Shutterstock/Reprodução) “Compreendemos as demandas dos animais - como, por exemplo, agressividade, revolta, desobediência, neuroses, latição excessiva... E trabalhamos as aflições e anseios com reprogramação e resignificação do trauma ou experiência negativa que tenha sido a causa”, fala Marco Maynart, especialista em psicologia animal e adestramento. Na PCS, eles prometem reprogramar o trauma ou experiência negativa do cão (Foto: Shutterstock/Reprodução) “Evita-se o uso de submissão, empregada amplamente na maior parte dos adestramentos. As pessoas tendem a tratar superficialmente os problemas de comportamento através de estímulos negativos (como borrifar água no animal, bater ou esfregar o focinho no xixi)”, diz Marco.>
“Mas estudos científicos revelam que os animais, quando confrontados, ignorados ou acuados tendem a ficar mais agressivos, desobedientes, revoltados, estressados e ansiosos”.>
O valor dos serviços da PCS variam de acordo com o temperamento de cada animal, os objetivos e tipo de tratamento e a disponibilidade do dono do bicho. Para uma estimativa, a empresa informa que é preciso se fazer uma consulta inicial, em que será avaliado e elaborado o programa personalizado de acordo com o pet. No site, há mais informações.>