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Rede Nordeste, JC
Publicado em 5 de junho de 2020 às 09:38
- Atualizado há 2 anos
A Polícia Civil deve encaminhar ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), nos próximos dias, a conclusão do inquérito sobre a morte de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos. O delegado Ramon Teixeira autuou em flagrante a patroa da mãe do garoto, Sarí Côrte Real, por homicídio culposo. >
Segundo ele, a suspeita foi negligente por deixar Miguel usar um elevador sozinho, mas não teve a intenção de matá-lo. A pena para esse crime é de até três anos de detenção. Na prática, a Justiça pode decidir que Sarí deve prestar serviços à comunidade, por exemplo. Mas, claro, essa pena dependerá da interpretação do juiz.>
Mas o caso ainda pode ter uma reviravolta. Quando o inquérito chagar ao MPPE, o promotor de Justiça responsável irá analisar provas materiais e depoimentos. E decidirá se denuncia Sarí Côrte Real por homicídio culposo ou doloso (quando há intenção de matar). Advogados criminalistas, ouvidos em reserva pela coluna Ronda JC, afirmam que o promotor pode, sim, interpretar que a patroa da mãe de Miguel agiu com dolo eventual, pois uma criança daquela idade jamais poderia estar sozinha em um elevador. >
Na visão dos criminalistas, ela era responsável pelo menino naquele momento e deveria ter impedido a ação. Caso o promotor decida denunciar por homicídio doloso, Sarí Côrte Real poderá ser levada à júri popular. >
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Mudanças na tipificação de crimes não são incomuns quando o inquérito chega às mãos do MPPE. Um exemplo, guardadas as devidas proporções, é o caso do processo relacionado à morte do estudante Edvaldo da Silva Alves, de 19 anos, no município de Itambé, na Mata Norte do Estado. >
Os policiais militares envolvidos na morte foram indiciados pela polícia por homicídio culposo (sem intenção de matar). No entanto, o promotor responsável pelo caso interpretou que se tratou de um homicídio doloso (com intenção) e denunciou os dois PMs. A Justiça também confirmou esses indícios e decidiu que os militares deveriam ir a júri popular. >
Outro caso emblemático foi o acidente provocado pelo empresário Alisson Jerrar, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, dezembro de 2008. Ele estava bêbado e furou o sinal vermelho, batendo em outro carro. O acidente resultou na morte de uma técnica em enfermagem. Na época, até então, casos como esse eram tipificados como homicídio culposo. >
Mas o delegado João Gustavo Godoy interpretou que se tratava de homicídio doloso, já que o empresário assumiu o risco de dirigir embriagado. O empresário foi condenado pela Justiça. >
Quem era Miguel O menino Miguel era filho de Mirtes Renata Santana de Souza, empregada doméstica de um dos apartamentos do edifício localizado na área central do Recife. A patroa dela, Sarí Côrte Real, esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), foi presa em flagrante e liberada, após pagamento de fiança, por ter deixado Miguel sozinho dentro do elevador do prédio. >
Ao sair, a criança caiu de uma altura de 35 metros. O fato aconteceu na tarde da última terça-feira (2), quando Mirtes deixou o filho sob a responsabilidade da patroa e desceu para passear na rua com o cachorro da família. Ao voltar para o prédio, ela se deparou com o filho praticamente morto. Miguel ainda foi socorrido, mas não resistiu. Para a mãe de Miguel, faltou paciência da patroa com o filho.>