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Fernanda Varela
Publicado em 28 de agosto de 2019 às 05:10
- Atualizado há 2 anos
'Sai desse computador, vai estudar para a prova!' e 'Guarda esse celular e presta atenção na aula!' são reclamações que os jovens já ouviram muito, em casa e na escola. Mas será que a tecnologia precisa ser vista como uma vilã na hora dos estudos? Não mesmo. Ela é bem-vinda e já é realidade na vida de muitos estudantes, principalmente os que estão prestes a encarar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).>
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Claro, é necessário equilíbrio na hora de aliar tecnologia e estudos, mas ela tem sido cada vez mais benéfica para o processo de estudos. Com um celular em mãos, o estudante consegue organizar melhor seu tempo, lembrar de fazer as atividades no prazo correto e, de quebra, tirar dúvidas com os professores após deixar a escola. Prova disso é o uso da ferramenta Google for Education em escolas de Salvador.>
Joaquim Camerino, líder de soluções educacionais da Safetec, empresa de tecnologia que é representante credenciada do Google no Nordeste, explica o que é essa ferramenta. "Ela oferece vários aplicativos. É um AVA (Ambiente Virtual de Aprendizado). Com essa ferramenta, os professores conseguem dar suporte ao aluno, além de aplicar exercícios e simulados de forma dinâmica".>
Ou seja, o professor pode, por exemplo, preparar um conteúdo especial para o Enem e passar como dever de casa para o aluno, sem que o estudante precise se limitar aos exercícios dos livros ou a buscar conteúdos de estudo por conta própria e sem orientação.>
Os aplicativos do Google for Education mais usados para fins acadêmicos são o Google Drive, onde os professores podem disponibilizar simulados, apostilas, slides e conteúdos para toda a classe, e o Google Sala de Aula (ou Clasromm), onde é possível criar um ambiente similar ao da escola, mas de forma virtual. Ambos são gratuitos e exigem apenas a criação de uma conta no Gmail, que também é de graça.>
Nessa segunda opção, o aluno, além de ter acesso ao conteúdo de estudo, passa a interagir com professores e colegas pelo celular ou computador. "Nesse caso, o professor pode criar um ambiente e oferecer todo tipo de conteúdo, que fica disponível o tempo inteiro para o aluno. O estudante pode tirar dúvidas com professores e colegas em um chat que é muito semelhante às redes sociais, mas é uma coisa voltada só para o estudo", completa Camerino.>
Realidade em Salvador O professor de Química Luiz Alberto Amorim já implementou a tecnologia em salas de aula de três colégios onde dá aula para o Ensino Médio, em Salvador: Isba, Cândido Portinari e Favo (Cabula), além do seu curso particular, Química com Amorim.>
Para ele, inovar em sala de aula é fundamental, já que o perfil dos alunos também muda com o passar dos anos. "As pessoas demonizam o uso do celular, mas é errado fazer isso. O aluno sabe usar, faz pesquisas dinâmicas e aprende muito mais, porque faz parte da linguagem deles. Temos um modelo tradicional da escola, que não é ruim, mas o aluno do século 21 tem outra velocidade, já não dá mais para usar os mesmos meios", diz."A reação dos meus alunos, quando mando pegar o caderno, é uma. Quando falo para pegar o celular, é outra. Na aula, eles não ficam no WhatsApp. Temos um código de honra e que eles respeitam muito", completa.O professor também usa a ferramenta Google Agenda junto com seus alunos, onde disponibiliza as datas de todas as atividades que serão feitas. Segundo ele, o método é mais eficaz do que anotar em cadernos, já que os alunos podem perder os papéis. "Eles passaram a cumprir melhor os prazos, até porque recebem alertas de quando iniciará a atividade". Professor Amorim usa aplicativos do Google em suas aulas (Foto: Marina Silva/CORREIO) Outra vantagem do uso da tecnologia nas escolas é que o professor, caso fique doente, não deixa a turma na mão. Recentemente, o próprio Amorim vivenciou essa situação, quando adoeceu e passou as atividades através do Google Sala de Aula. Segundo ele, o processo foi cumprido com êxito. "Também já teve caso de aluno que faltou, mas não perdeu a pontuação da atividade, porque fez pelo celular", destaca. >
Desde que começou a usar o Google Sala de Aula, Amorim percebeu que sua relação com os alunos melhorou. Além de falar a língua deles, como define, o professor passou a ter uma percepção melhor de quais são os alunos com dificuldade, quem faz as atividades, e quem atrasa na entrega do dever, que pode ser feito no próprio caderno, caso o aluno prefira. Neste caso, basta mandar uma fotografia.>
Outra vantagem do uso da tecnologia, explica o professor de Química, é que o aluno passa a se sentir protagonista no processo de aprendizado. "Ele ganha mais responsabilidade e se sente valorizado também. O aluno faz os exercícios até na praia, se quiser. Tem um período para responder, mas ele que se organiza para, dentro daquele limite, fazer como quiser. Isso é bom para eles e para mim, pois me dá maior controle. Eu sei que o aluno que tem muito erro precisa de um acompanhamento mais próximo. E, além de provas e testes, que continuam existindo, faço atividades pontuadas lá também", completa o professor, que usa a tecnologia há dois anos. >
Alerta Modernizar as ferramentas usadas no ensino é um caminho que tem dado muito certo, mas é necessário ter alguns cuidados. O vice-diretor do Grupo Anchieta, Ademilton Costa, conta que o colégio usa a tecnologia em sala de aula há pelo menos oito anos e como dribla possibilidades de dispersão do aluno.>
"O uso do celular vem acompanhado de uma possibilidade de ferramentas, já que são muitos aplicativos. O maior risco seria o aluno acessar outros conteúdos, mas, para evitar isso, há alguns métodos. No Anchieta a internet é acessada com o Wi-Fi da escola, o estudante utiliza com acompanhamento e monitoramento. Claro, não extrapolando a individualidade dele, mas com o bloqueio do acesso a alguns sites e redes sociais", explica ele, que também é professor de Biologia e adepto dos aplicativos do Google em sala de aula.>
Ademilton explica também que os celulares só são usados quando o professor solicita e que o aparelho não pode ser considerado um inimigo da educação, "já que é apenas uma ferramenta, que como qualquer outra pode ser bem ou mal utilizada". A estudante Maria Fernanda Barreto, 17 anos, concorda. Aluna do 3º ano do Anchieta, ela vai fazer Enem no fim do ano e acredita que o uso dessas ferramentas será importante."O professor disponibiliza o material e fica muito mais acessível. Ajuda também porque não precisamos mais anotar tudo, é muito menos trabalhoso e dá para assimilar melhor, porque muitas vezes a gente não consegue prestar atenção enquanto copia", opina. Maria Fernanda vai fazer Enem no fim do ano (Foto: Reprodução) Ela, que pensa em cursar Veterinária, diz ainda que a otimização de tempo com o uso do aplicativo Google Sala de Aula é fundamental para quem está prestes a fazer o exame. "É como se fosse um grupo de WhatsApp, onde podemos mandar mensagens e arquivos. O Enem tem muito assunto, seria difícil pegar tudo e colocar num só lugar, aí o aplicativo ajuda nisso. É muito mais rápido na hora de estudar", completa.>
Também aluna da instituição, Beatriz Ferreira de Sá, 16, conta que usa a ferramenta há cerca de dois anos no colégio e já sente diferença. "É muito melhor, porque é muito mais natural para nós o uso do celular, é uma adaptação para a nossa realidade. Vai ser muito útil no ano que vem, quando eu fizer o Enem, por exemplo, porque ajuda a filtrar os assuntos que vamos estudar. O livro tem páginas e páginas, com textos que muitas vezes não são relevantes, então a gente perdia muito tempo", relata ela, que cita ainda a grande economia de papel com o uso do aparelho.>
Este ano, o Enem será realizado em dois domingos: dia 3 de novembro (Linguagens e Códigos, Redação e Ciências Humanas) e no dia 10 de novembro (Ciências da Natureza e Matemática). Beatriz é fã do uso de tecnologia na sala de aula (Foto: Acervo pessoal) Outras ferramentas O Google trabalha com educadores para criar programas, aplicativos e dispositivos para o uso em sala de aula há 10 anos. Até o momento, segundo a assessoria de comunicação da empresa, são cerca de 20 milhões de usuários em todo mundo. O CORREIO solicitou, mas não há um levantamento sobre o número de adeptos no Brasil, na Bahia ou em Salvador.>
Além dos aplicativos já abordados nesta reportagem, a empresa conta com os chamados chromebooks. "É tipo um notebook, mas a instituição controla a política de uso, então ela pode determinar as regras, quais aplicativos e sites os alunos poderá abrir. O bom é que, ao invés da escola ter que criar um laboratório de informática, os equipamentos chegam nas salas de aula e com total controle da escola sobre o que é acessado, diferente do computador convencional", explica Joaquim Camerino.>
Em Salvador, instituições de ensino superior, como a Universidade Católica do Salvador (Ucsal), também já utilizam o equipamento. Agora, o objetivo da Safetec é disseminar a tecnologia para colégios da rede pública de ensino. "A ideia é ampliar para os colégios públicos, estamos com esse projeto em mente. Queremos ampliar esse mercado", diz Camerino. Apesar dos planos, não há ainda um período para que isso aconteça.>
Especificamente para o Enem, o Google oferece ainda o canal YouTube Edu, com vídeo-aulas para complementar os estudos.>
Entre um universo de aplicativos e plataformas, o professor Amorim sugere ainda o Flipboard, onde o aluno pode fazer a sua própria revista e guardar, para pesquisas futuras.>
"Nesse aplicativo o aluno faz um trabalho de pesquisa, como por exemplo um levantamento sobre como funciona coleta de lixo, da água, falam sobre poluição atmosférica. Os temas ambientais, a gente trata a partir da revista, que são compartilháveis entre os alunos. Um ajuda o outro a estudar. O aluno pode convidar o outro como leitor ou colaborador", conta empolgado.>
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Aplicativos do Google For Education>
Gmail É um sistema de e-mail que permite a inscrição dos usuários nos demais aplicativos.>
Google Drive Utilizado para o armazenamento e organização de tarefas, simulados, documentos ou listas dos cursos. Pode ser acessado com segurança de qualquer dispositivo.>
Google Sala de Aula (ou Google Classroom) O aplicativo ajuda alunos e professores a organizar as tarefas, aumentar a colaboração e melhorar a comunicação. Com ele, os professores podem criar turmas, distribuir tarefas, dar notas, enviar feedbacks e ver tudo em um único lugar.>
Google Agenda Aplicativo que permite o compartilhamento de agendas ou criação de uma junto com os membros da sua turma ou instituição para não perder as programações.>
Planilhas Google Permite a colaboração, compartilhamento e feedback de trabalhos junto com os alunos em tempo real, através de documentos, planilhas e apresentações.>
Google Formulários Usado para criar formulários, testes e pesquisas para coletar e analisar respostas. Os professores criam simulados no aplicativo e os alunos respondem.>
Google Jamboard Permite que o usuário desenhe e colabore em uma tela interativa com o Jamboard, o smartboard baseado em nuvem do Google, no computador, smartphone ou tablet.>
Google Sites Uma ferramenta de criação da Web fácil de usar para criar sites, hospedar ementas de cursos, promover habilidades de desenvolvimento e liberar a criatividade dos alunos.Google Hangouts Meet Para que o professor se conecte aos alunos virtualmente usando videochamadas e mensagens seguras para que o aprendizado continue fora da escola.>
Google Groups Pode ser usado para criar e participar de fóruns da turma para incentivar a comunicação e a conversa.>
Google Vault O professor pode adicionar alunos, gerenciar dispositivos e definir a segurança e as configurações para que seus dados fiquem protegidos.>
Fascículos no CORREIO trazem temas para revisão>
O jornal CORREIO publica até o dia 30 de outubro 18 fascículos especiais do 13º projeto Revisão Enem 2019. Com simulados que são disponibilizados no site do jornal (correio24horas.com.br/enem), os conteúdos contam com uma série de questões objetivas, realizadas pelo SAS Educação, para os estudantes testarem seus conhecimentos nas disciplinas cobradas no Enem.>
Além disso, sempre às quartas-feiras, o site Correio 24 horas conta com videoaulas, que podem ser acessadas na íntegra na página: www.correio24horas.com.br/revisao. Na versão impressa e no site do CORREIO, é possível acompanhar conteúdos focados em temas que auxiliam os alunos no processo de estudo, com artigos diversos, dicas de como estudar e macetes para fazer um bom exame. O projeto tem o oferecimento da Rede FTC.>