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Gabriel Galo
Publicado em 3 de agosto de 2020 às 05:00
- Atualizado há 2 anos
No primeiro turno do Brasileirão de 2019, o Bahia fez campanha que o credenciou a brigar por vaga na Libertadores. Estava ao alcance. Em alguns momentos do segundo turno, o clube esteve a uma vitória de chegar à mágica 6º posição, mas escorregou. No fim, terminou em 11º, atrás até mesmo dos equivalentes em orçamento Fortaleza e Goiás.>
A evolução, no entanto, é evidente. Finalista em 4 das últimas 6 edições da Copa do Nordeste, atual bicampeão baiano, em busca de um tricampeonato que não vem desde o fim dos anos 1980, boas campanhas na Copa do Brasil e Copa Sul-Americana... A questão é conseguir ultrapassar a barreira e conseguir efetivamente dar o próximo passo.>
Em parte da torcida fica um gosto estranho de ver um clube que avança institucionalmente, mas em campo parece não acompanhar o passo. Talvez tenha chegado o momento em que a questão é a definição de teto. Até onde pode o Bahia efetivamente chegar?>
Falta, eventualmente, unir a ambição do campo à ambição que a torcida expõe fora dele. Não que se questione o querer de todos os envolvidos, mas há um descompasso aparente entre estes mundos, que torna o inexistente em real, se assim o parece.>
E para reverter o placar adverso da primeira partida da final da Copa do Nordeste contra o muito bem armado Ceará de Guto Ferreira, o Bahia vai precisar de uma pimenta extra. Numa decisão, o emocional é preponderante. Às vezes se faz urgente sacudir a hierarquia, não por questionamento do trabalho realizado, mas pelo atendimento à necessidade premente: adaptação é evolução, disse Darwin. Não se trata, afinal, de pontos corridos. Vale taça, posição vantajosa na Copa do Brasil em 2021, premiação e o agrado à torcida, que, corretamente, se recusa a diminuir suas expectativas.>
Enquanto isso, no Campeonato Baiano, o interior continua pedindo passagem. O Jacuipense, representante do futebol baiano na Série C deste ano, caiu em pé nas semifinais. Com dois golaços e desabafos no jogo da volta, mostrou brio de quem não se contenta com meias palavras. Quer respeito e o reconhecimento que merece. Vai entrar na disputa nacional almejando algo mais.>
Já a eletrizante semifinal entre Juazeirense e Atlético mostrou a que serve efetivamente os estaduais. Não é narrativa dos grandes que acumulam títulos que alimenta a paixão por histórias improváveis. A estes, estadual é obrigação quando ganha, crise quando perde. Aos menores, no entanto, é questão de definição de teto, de quem pode conquistar mais território.>
O Atlético do interminável Magno Alves e a Juazeirense protagonizaram emoção extrema, com direito a defesa dupla em pênalti que selou a classificação da equipe de Alagoinhas. A festa pós-jogo mostra quem, afinal, quer mais o caneco. Alagoinhas clama por novo título do interior, que bateu na trave em 2019 com o Bahia de Feira. No fim das contas, contudo, o troféu não chega necessariamente de acordo com o desejo latente.>
Veremos, no derradeiro match, a quem caberá a volta olímpica vazia, com taça erguida para as câmeras de TV. Se a glória pelos pés improváveis do dito azarão ou se a grande força que joga com time de aspirantes por imposição de um calendário esdrúxulo que, numa tacada só, fere tanto estadual quanto regional. Há rara igualdade se aproximando. Ainda bem.>
Gabriel Galo é escritor.>