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Leia artigo da jornalista Wanda Chase sobre a morte de Jackson

'Michael desliza pelas pedras do Pelourinho com uma leveza impressionante', diz Wanda

  • D
  • Da Redação

Publicado em 27 de junho de 2009 às 11:29

 - Atualizado há 2 anos

Era um sábado, fazia sol em Salvador, mas todas as atenções estavam voltadas para uma estrela: Michael Jackson. A excitação era grande, e eu, na época assessora de imprensa e conselheira do Olodum, estava lá para coordenar a imprensa.

Salvador recebeu jornalistas do Brasil e de vários países para documentar aquele momento, Michael no Brasil, e ele escolheu a Bahia para começar a gravar o clipe. Vamos voltar a fita - como falamos na tv.

A produção, na verdade, começou na sexta-feira. Entrevista no Olodum, com Spike Lee, Quince Jones, assessores, a diretoria do Olodum. A casa ficou cheia e João Jorge com um sorriso de felicidade. O ensaio, na véspera do grande evento, a gravação do clip, na Praça Jubiabá, o Pelourinho fervia. Depois de todos os acertos, orientações, os percussionistas do Olodum desfilaram pelas ruas do Pelourinho em direção à Casa do Olodum, na Rua Gregório de Mattos.

Parecia até sexta-feira de Carnaval, aquela descida dos músicos, Andréa, Gilmar, Pacote, Sidney, Geronimo, Marquinhos, Jorginho, Bira - que depois do clipe passou a ser Bira Jackson - e o maestro Neguinho do Samba, que parecia ser o mais orgulhoso de todos.

O sábado começou cedo e, às seis da manhã, já estávamos agilizando tudo no Olodum. Um sobe e desce de gente no Pelourinho. Gente ansiosa, querendo a conversas eram as mais variadas, estranhas, cada um tinha uma história para contar.

“Ele vai chegar de helicóptero”, dizia um. “Depois da gravação do clipe, vai marcar uma data para fazer show em Salvador”, sonhava outro. Até que em meio a todos os boatos e versões chega Michael em um carro escuro.

O Largo do Pelourinho foi interditado. Fotógrafos e cinegrafistas desciam de dois a dois para fotografar, capturar imagens. Entrevista, não era permitido. No vai-e-vem de gente, eis que chega Michael Jackson.

Luz, câmera, ação! Começa a gravação do tão esperado clipe. Michael desliza pelas pedras do Pelourinho com uma leveza impressionante. Quem está por perto fica extasiado. Não consigo tirar os olhos dos percussionistas do Olodum.

Bira Jackson toca o tambor e dança como se estivesse reverenciando Michael. Eu, ali, tão perto e tão distante, um filme começa a passar na minha cabeça: Jackson Five, cabelo black power, o menino que se fez homeme que inspirou milhões de garotos com aquele jeito especial de dançar.

Ainda penso: ah! Se eu soubesse dançar... Lá vem ele, despretensiosamente em minha direção, não, vai para o lado da Ritinha (Rita Castro, na época, diretora do Olodum) exímia dançarina, mas ela fica ali, parada feito uma estátua, semesboçar um movimento. Está hipnotizada e eu também. Quem não ficaria...

Wanda Chase é jornalista, repórter e apresentadora da TV Bahia.E-mail:[email protected]

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