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Perla Ribeiro
Publicado em 2 de abril de 2025 às 14:14
Recém formada e desempregada, a biomédica Lorena Lacerda, 21 anos, estava sozinha na casa que vivia com a mãe, a comerciária Sirlene da Cruz, 54, na Rua Luiz Régis Pacheco, no bairro do Uruguai, na Cidade Baixa, quando uma vizinha avisou que a loja de estofados que funcionava no andar de baixo do prédio que moravam estava em chamas. Só deu tempo de trocar de roupa, pegar o celular e deixar para trás tudo o que ela e a mãe construíram ao longo da vida. Durante o incêndio, que ocorreu no dia 20 de março, quase tudo virou pó no imóvel que viviam mãe e filha. Agora, elas fazem uma vakinha online, no intuito de arrecadar R$ 10 mil para ajudar no recomeço. Até o momento, conseguiram arrecadar menos de R$ 4 mil.>
"A vizinha de cima que percebeu e bateu na minha porta. Na hora que a gente estava lá embaixo, que os bombeiros estavam apagando o fogo, com a área isolada, a gente achava que não ia pegar em cima", conta. No entanto, para tristeza dela e da mãe, quase tudo virou cinza. Só no final do dia, quando a Defesa Civil liberou o acesso ao imóvel é que puderam ter dimensão do estrago. "Pegou fogo em tudo. A gente não conseguiu salvar nada, só as roupas mesmo, porque o fogo chegou até a porta do meu quarto, mas eles apagaram. A porta pegou fogo, mas eles apagaram. Meu guarda-roupa, minha cama e as roupas ficaram, foi o que deu para salvar". >
O imóvel que viviam era alugado. Como ficou inabitável, mãe e filha foram morar na casa de uma familiar, em Brotas. "É uma sensação muito difícil de descrever. Um misto de tristeza, impotência e choque. Ver tudo o que fazia parte do meu dia a dia reduzido a cinzas é algo que machuca muito", avalia Lorena. Entre as muitas perdas, Lorena lista os eletrodomésticos e móveis. Televisão, mesa, sofá, geladeira, fogão, forninho, microondas, armários, cafeteira, pipoqueira, sanduicheira, air fryer, purificador de água...Tudo virou pó. >
Ela diz que os R$ 10 mil não serão suficientes pra repor tudo que perderam, mas vai ajudar no recomeço. "A gente veio pra casa da minha tia, por parte de mãe, ainda não achamos outro lugar para ir, estamos procurando. E com os R$ 10 mil a gente pretende comprar os móveis e eletrodomésticos que temos que comprar, porque a gente está ganhando alguns coisas também".>
O incêndio>
Era por volta de 10h da manhã quando moradores e comerciantes da rua Luiz Régis Pacheco foram surpreendidos pelas chamas em uma estofaria. O fogo se espalhou rapidamente pela natureza do material. O proprietário da loja estava no local e teve os braços, a perna e parte do couro cabeludo atingidos por queimaduras de segundo grau, de acordo com o dono da loja de peças para motos, próxima ao estabelecimento em que o acidente ocorreu.>
No momento do desespero, um caminhão-pipa que, por coincidência, passava pela rua foi o que conseguiu conter as chamas, até a chegada do Corpo de Bombeiros. A fumaça atingiu quem estava próximo ao local. Uma mulher grávida e uma idosa precisaram receber atendimento médico. O dono da loja e a gestante foram encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo Antônio e estão em estáveis.>
O Corpo de Bombeiros foi acionado para realizar o processo de rescaldo com quatro caminhões. A Defesa Civil de Salvador (Codesal) também esteve no local para realizar a vistoria da estrutura do prédio. De acordo com o órgão, aparentemente, não houve danos estruturais no imóvel, mas o responsável foi notificado para que um profissional habilitado realize uma avaliação da estrutura. Ainda não se sabe como as chamas iniciaram. Segundo a Codesal, a perícia deve indicar a causa do incêndio. Por conta da densidade da fumaça, a rua precisou ser temporariamente interditada.>