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Tradicional ou vegana? Freijoada atrai católicos ao Centro Histórico

Santa feijoada: em sua 4ª edição, evento promovido pelos freis da Igreja de São Francisco produz 1,5 mil refeições e 100 kg de feijão

  • Foto do(a) author(a) Priscila Natividade
  • Priscila Natividade

Publicado em 26 de maio de 2024 às 18:12

Evento aconteceu neste domingo (26), no Largo do Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho
Evento aconteceu neste domingo (26), no Largo do Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho Crédito: Ana Albuquerque/ CORREIO

O ingrediente principal - diz o frei - é a solidariedade. Porém, esse ano, a receita ganhou uma nova versão com tofu, grão-de-bico e coco. A Freijoada promovida há 4 anos pelos freis da Igreja de São Francisco, além da feijoada tradicional - que todo mundo já conhece - inovou com a versão vegana também.

“O segredo da receita vai ser sempre a solidariedade e alegria. Esse ano, pensamos em trazer, pela primeira vez, a nossa feijoada vegana para tornar a Freijoada ainda mais acessível. Tiramos tudo que era de origem animal e substituímos por ingredientes de origem vegetal. Além disso, nós, como franciscanos, também é uma causa nossa proteger o meio ambiente”, afirmou o Frei Lorrane.

Frei Lorrane é um dos organizadores da Freijoada
Frei Lorrane é um dos organizadores da Freijoada Crédito: Ana Albuquerque/ CORREIO

Não era nem meio-dia ainda, mas já tinha gente procurando mesa para sentar quando a santa feijoada começou a ser servida neste domingo (26), no Largo do Cruzeiro de São Francisco, bem em frente à igreja, no Centro Histórico. “A ideia é mesmo trazer alegria para quem quer ajudar. Preparamos algo em torno de 1,5 mil refeições. Desse montante, 200 quentinhas serão doadas para a população de rua”.

"A ideia é mesmo trazer alegria para quem quer ajudar"

Frei Lorrane

frei da Igreja de São Francisco
Juvenal Rodrigues decidiu experimentar a versão vegana da feijoada dos freis
Juvenal Rodrigues decidiu experimentar a versão vegana da feijoada dos freis Crédito: Ana Albuquerque/ CORREIO

Antes das 11h, o aposentado Juvenal Rodrigues já estava com seu prato de feijão. Só que dessa vez, abriu mão do feijão com carne por problemas de saúde. “Não posso comer feijoada mais devido a questões de saúde mesmo. Ainda bem que cheguei aqui e tinha a vegana para eu não ficar sem comer”, comemorou ele, que veio de Cajazeiras.

Depois da primeira garfada, Juvenal aprovou a versão nova. “Está tudo beleza. Eu nem senti falta da outra. Veio arroz, couve, feijão. Eu acho até que vou virar vegano agora”, brincou. Ainda que a receita tenha sido a novidade dessa edição, muita gente não abriu mão da feijoada como ela é:

Gil Andrade levou a família para almoçar junto na Freijoada
Gil Andrade levou a família para almoçar junto na Freijoada Crédito: Ana Albuquerque/ CORREIO

“Não tem jeito, gosto de carne”, confessou o professor Gil Andrade, que trouxe a esposa Lilian Alves, a mãe Deise Andrade e o filho, Felipe Andrade, para almoçar no Pelourinho. “É o segundo ano que venho. É importante alimentar a alma, o espírito e o corpo. A gente encontra aqui pessoas maravilhosas, assiste à missa e depois aproveita essa feijoada deliciosa, sem deixar de ajudar a causa”, completou.

"É o segundo ano que venho. É importante alimentar a alma, o espírito e o corpo "

Gil Andrade

professor

Feijão abençoado

A produção da feijoada começou ainda de madrugada, 1h da manhã, como destacou o Frei Lorrane. São 100 quilos de feijão e cerca de 60 voluntários envolvidos, desde a preparação, embalagem e transporte das refeições. “A preparação é antes, mas a feijoada está super fresquinha, é do dia mesmo”, garantiu.

Quem apareceu para experimentar o prato foi fundador e presidente do bloco afro do Carnaval Ilê Aiyê, Vovô do Ilê. “Nunca tinha vindo, é a primeira vez. Vim encontrar uns amigos. Sabia que a fama do feijão é muito boa e ainda por cima é abençoado. Juntei o útil com o agradável”.

 Gilson Cardoso e Tânia Silva chegaram cedo ao Centro Histórico para aproveitar o feijão
Gilson Cardoso e Tânia Silva chegaram cedo ao Centro Histórico para aproveitar o feijão Crédito: Ana Albuquerque/ CORREIO

Já o casal Gilson Cardoso, 64 anos, e Tânia Silva, 54 anos, contam que tinham muita vontade de conhecer desde que viram a ‘dancinha’ dos freis no vídeo que viralizou desde o início da feijoada. “Está tudo 10, tudo ótimo. Com fome, a comida fica melhor ainda”, comemora Tânia, que fez questão de uma cervejinha para acompanhar. “A gente saiu de Bom Juá só para vim almoçar aqui e, ao mesmo tempo, ajudar. O feijão é maravilhoso”, acrescenta Gilson.

"A gente saiu de Bom Juá só para vim almoçar aqui e, ao mesmo tempo, ajudar"

Gilson Cardoso

aposentado

Cada prato custou R$ 25. A feijoada a agradou ainda os aposentados Gilsélia Gouveia, 68 anos, e Daniel Gouveia, 77 anos, que decidiram ficar mais um pouco pelo Centro Histórico depois da missa. “Tomei até um cafezinho bem de leve, só na expectativa da feijoada. Queria vir desde o ano passado quando vi na televisão”, confessou Gilsélia. “Idoso almoça cedo, a gente pegou a feijoada e sentou para comer logo. Está aprovada, uma delícia. Tem também o propósito de colaborar, fazer a nossa parte na caridade”, ressaltou Daniel.

Gilsélia Gouveia e Daniel Gouveia também aproveitaram a feijoada
Gilsélia Gouveia e Daniel Gouveia também aproveitaram a feijoada Crédito: Ana Albuquerque/ CORREIO

A renda total da Freijoada será revertida na reforma e restruturação de um espaço no Convento de São Francisco que acolhe pessoas em vulnerabilidade social. Para a professora Hosana Souza, 30 anos, almoçar mais cedo valeu muito a pena. “Como eu sou católica, estou sempre atenta para participar desses eventos comunitários. E a feijoada está incrível”. De João Pessoa, a pesquisadora Amanda Azevedo vive há 1 ano em Salvador, mas sempre teve a curiosidade de conhecer a feijoada dos freis. “Está uma delícia sim. E o propósito da feijoada torna o feijão mais gostoso ainda, sem dúvida”.