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Prefeitura proíbe que seja imposto o uso do capelo tradicional para pessoas com cabelos crespos

Lei foi publicada no Diário Oficial do Município no último domingo (30)

  • Foto do(a) author(a) Larissa Almeida
  • Larissa Almeida

Publicado em 2 de abril de 2025 às 05:00

Capelos inclusivos
Capelos inclusivos Crédito: Divulgação/ Agência GUT São Paulo

O uso do capelo tradicional, objeto comum em solenidades de formatura, não será mais obrigatório para pessoas com cabelos crespos ou volumosos. A medida foi instaurada pela Prefeitura de Salvador, por meio da criação de uma lei publicada no Diário Oficial do Município, no último domingo (30).

Além do fim do uso obrigatório do capelo tradicional, a prefeitura determinou que, nas solenidades de formatura de instituições de ensino no município de Salvador em que se faça o uso do objeto, deve ser garantida a oferta de modelos para cabelos crespos e volumosos, além do modelo tradicional.

A oferta, a distribuição e o aluguel dos capelos para cabelos crespos e volumosos deverão ser asseguradas pelas entidades organizadoras da solenidade. Entre os modelos que devem ser considerados, estão o capelo durag, o capelo turbante, o capelo tiara e o capelo pente garfo.

A vereadora Marta Rodrigues (PT), que é autora do projeto de lei que foi sancionado pela prefeitura, diz que a ideia da lei surgiu da campanha #respeitameucapelo, encabeçada pela marca baiana Dendezeiro que, junto com a Vult, produziu capelos que respeitavam a estética dos cabelos volumosos para utilização nas cerimônias de formatura da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB).

“Salvador é uma Roma negra, e a população negra normalmente não se vê representada nos espaços acadêmicos. O uso dos capelos no formato tradicional são a materialização dessa estética embranquecida do academicismo, que não considera a existência de estéticas próprias do povo negro, com seus cabelos volumosos, crespos, trançados”, aponta Marta.

“É nesse contexto que a sanção dessa lei é fundamental, para que no momento do ápice da intelectualidade, na formatura, a essência dos formandos seja respeitada. É sobre representatividade e respeito à nossa ancestralidade, empoderamento e elevação da autoestima da nossa população negra nesse momento que é tão especial na vida de um estudante” completa a vereadora.

Para a antropóloga Naira Gomes, presidente da Marcha do Empoderamento Crespo, ao mesmo tempo em que constitui um avanço, a lei mostra a lentidão do reconhecimento da variedade de cabelos e expressões identitárias do povo negro. Ela conta que espera que, a partir dessa medida, o povo soteropolitano possa escolher manifestar seus crespos em ocasiões extraordinárias.

“Eu percebo, ao longo do tempo, que o empoderamento se dá em vários níveis. As pessoas, na vida ordinária, ou seja, no dia a dia, estão com cabelo crespo. Mas, no momento extraordinário, de um certo rito, pompa ou decoro, elas modificam os cabelos de forma a se adequar com o padrão. [Só que] o empoderamento significa duas coisas: a escolha do cabelo natural, a partir de experimentações, e também de mantê-lo assim nas situações extraordinárias, como a formatura”, reitera.