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Larissa Almeida
Publicado em 4 de abril de 2025 às 16:17
O velório da jornalista Wanda Chase, que morreu na madrugada da última quinta-feira (3) por complicações durante uma cirurgia de um aneurisma na aorta do coração, reuniu familiares, amigos e colegas de profissão. Entre eles, estava Lazinho, fundador e vocalista do Olodum, que relembrou o pedido feito insistentemente pela banda que fez a jornalista se mudar de vez para a Bahia. >
Lazinho conta que tudo começou em Campina, na Paraíba, há cerca de 30 anos. Foi naquela cidade que ele viu, pela primeira vez, uma repórter negra na frente das câmeras. Na ocasião, ela estava cobrindo o Encontro de Negros do Norte-Nordeste, um dos eventos de ativismo do movimento negro. >
"De lá para cá, onde nós encontrávamos ela, [dizíamos] 'tem que vir para Salvador, tem que vir para a Bahia', principalmente João Jorge [presidente do Olodum]. Então, ela pegou um carinho muito grande por mim, por Vovô do Ilê e João Jorge", disse.>
Em um outro encontro, desta vez na Semana da Cultura em Olinda, no estado de Pernambuco, os membros do Olodum voltaram a fazer coro para que a Wanda, que era natural de Manaus, viesse fazer carreira na Bahia. "Ela já estava na Globo Nordeste, então nós dissemos: 'ja está perto, só é pedir transferência'. E não é que ela pediu e a Globo aceitou a transferência dela para cá? Ela veio para cá e foi acolhida", relembrou.>
Na Bahia, Wanda Chase fez morada. Não só fincou raízes no estado, como também entrou na casa de muitos baianos nos 27 anos que atuou como repórter na TV Bahia. No tempo livre, recebia amigos em casa. Ela foi desligada da TV Bahia em 2015, mas continuou com projetos jornalísticos. Recentemente, estava envolvida em um projeto de podcast. >
Em um dos episódios, Wanda chegou a receber o Olodum. "Nós íamos lá para poder dizer a ela que ela não estava sozinha. Ela nos ajudou tanto, então também tínhamos que estar com ela, firmes e fortes. O nosso último encontro foi no Carnaval, mas a história de amor de Wanda Chase começou no Olodum, no Ilê e na Bahia com o movimento negro por causa da gente, que ficou dizendo que ela tinha que vir para Salvador", reiterou Lazinho.>
Entre as principais contribuições da jornalista para o Olodum, além do seu trabalho como assessora de impressa do bloco afro, está a veiculação de imagens sobre eles que se distinguia da mídia hemegônica. "Ela nos colocava na tela de uma forma digna. Era uma mulher negra contando a história do povo negro. Quando um negro conta a história dele é diferente", ressaltou.>
"Ela era uma mulher negra que falava não só do negro, mas da mulher negra. Ela abriu essa janela e a presença dela era mais fácil para todos nós. Ela vai fazer muita falta", finalizou Lazinho.>