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Maysa Polcri
Publicado em 4 de abril de 2025 às 10:38
A maranhense Rede Mateus, que já possui supermercados no interior da Bahia, planeja inaugurar ao menos três estabelecimentos em Salvador. A previsão é que o primeiro deles seja aberto em novembro, no Salvador Norte Shopping. Porém, uma disputa travada na Justiça deve adiar os planos do grupo de adquirir o antigo Bompreço, na região do Iguatemi. >
Uma liminar do dia 18 de março suspendeu os efeitos de uma assembleia que autorizou a locação do imóvel, antes ocupado pelo Bompreço, para o Grupo Mateus. A juíza Indira Fábia dos Santos Meireles, da 4ª Vara Cível e Comercial de Salvador, entendeu que há conflitos de interesse envolvendo o administrador nomeado para conduzir a negociação. >
A ação foi movida pelo Bompreço Bahia Supermercados Ltda, do grupo Carrefour, que detém 30% do imóvel localizado na capital baiana. A empresa contesta a legalidade de uma assembleia realizada em 28 de janeiro deste ano. >
Nessa reunião, a empresa Aujjo Bahia Empreendimentos Ltda, coproprietária majoritária, nomeou Renato Furtado Zenni como administrador com poder para firmar contratos de locação do bem.>
O imbróglio acontece porque Zenni é, além de administrador nomeado, sócio de empresas do Grupo Mateus, interessado em alugar o imóvel. Na decisão, a magistrada pontua que "a iminência da formalização de um contrato de locação com prazo de até 20 anos, sem a concordância de um dos coproprietários do imóvel, pode configurar lesão grave e de difícil reparação".>
A liminar determina que as partes não celebrem qualquer contrato de locação até nova assembleia ou decisão posterior. Também foi fixada multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento. No processo, a Aujjo argumenta que o Carrefour vendeu sua participação majoritária no imóvel e, agora, busca impedir a sua locação a um de seus concorrentes em Salvador. >
Procurado através da sua assessoria de imprensa, o Grupo Mateus informou que tem interesse no imóvel e que aguarda a resolução do conflito entre a Aujjo e o Carrefour. O Carrefour, dono do Bompreço, também foi procurado, mas ainda não se manifestou sobre a decisão liminar. A reportagem não conseguiu contatar a Aujjo Bahia. >