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Larissa Almeida
Publicado em 5 de janeiro de 2024 às 07:00
Da época em que os únicos ferryboats que existiam em Salvador eram o Agenor Gourdilho e o Juracy Magalhães, o aposentado Marcos Mota, 57 anos, foi acostumado desde criança a usar o transporte marítimo para se locomover entre Salvador e Itaparica – rumo a Vera Cruz. Quis o destino que fosse justo em um Ferry de nome Vera Cruz, na década de 90, que Marcos ficasse 'flutuando' em mar aberto. >
“Já estive em ferryboat que parou e ficou à deriva próximo ao Bom Despacho. Faltando uns 20 minutos para chegar, o ferry parou. Nós ficamos flutuando e a nossa sorte era que estava próximo e a embarcação não balançou muito. Muita gente se desesperou, mas eu sabia que não ia afundar porque só um motor foi quebrado”, lembra. >
Sem precisar voltar tanto no tempo, ele tem a memória recente de quando, logo após o fim da pandemia, em 2022, precisou passar 10 horas na fila de carros para voltar da Ilha para Salvador. Segundo conta, o pior é que a longa espera não foi por ocasião de um feriadão, mas sim por falhas nos ferries. “Um funcionário da Internacional Travessias me disse que todos os ferries estavam quebrados e só havia três funcionando com capacidade reduzida, porque eram pequenos”, diz. >
Desde então, Marcos evita o ferryboat sempre que pode e só recorre ao modal quando não quer pegar a estrada e vê que a fila de carros está tranquila. Em breve, no que depender da advogada Taiana Martizes, 29 anos, o exemplo de Marcos deve ser seguido por ela, que precisou fazer a travessia para chegar até Itacaré para as festas de final de ano e se demonstrou desapontamento com o serviço. >
“Eu e minha amiga decidimos voltar no dia 2, mas como a fila de pedestres estava gigante às 20h, ficamos na casa de um amigo em Vera Cruz. Voltamos hoje em um ferry com problemas de limpeza. Havia lixo no chão e mau cheiro. O serviço como um todo deixa a desejar e até desestimula a viajar”, frisa. >
A bordo com um bebê de colo, a jovem Thaila Cristina, de 17 anos, viajou para passar o Ano Novo na ilha e se decepcionou com a falta de recursos para tornar o local acessível para famílias com crianças de colo. “No ferry, o fedor do banheiro das meninas está insuportável, tem até xixi no chão. Lá, deveria ter trocador porque meu filho fez cocô e não tinha lugar para trocar. Eu tive que trocar ele no meu colo. Também podia ter um chuveirinho para lavar ele, mas não tinha. Além disso, o calor estava insuportável, os bancos estavam sujos. Com a falta de higiene, eu não sei como vendem lanche lá”, criticou. >
*Com orientação da subeditora Fernanda Varela >