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Maysa Polcri
Publicado em 26 de novembro de 2024 às 05:43
Três unidades do supermercado Bompreço serão fechadas em Salvador no dia 13 de dezembro. As lojas do Canela, Imbuí e Rio Vermelho instalaram placas que informam o encerramento das atividades na mesma data. Os fechamentos fazem parte de um contexto nacional de reposicionamento da marca. Em outubro, foi anunciado que o Grupo Carrefour, dono do Bompreço, contratou uma assessoria de investimentos para vender as unidades do Nordeste. >
Não é exagero dizer que as lojas do Bompreço estão, aos poucos, desaparecendo das ruas de Salvador. A mais recente foi a unidade da Avenida Centenário, que foi convertida em Atacadão, em junho deste ano. O Atacadão faz parte do Grupo Carrefour. As unidades localizadas na Avenida Garibaldi, Brotas e Itapuã também já tinham sido substituídas pelos letreiros verde e laranja. A loja do Campo Grande também foi fechada neste ano. >
No caso do Rio Vermelho, um novo supermercado, da marca Redemix, está sendo construído em um terreno ao lado. A previsão de inauguração é para abril de 2025. Antes, o terreno era ocupado pelo McDonald’s mais antigo de Salvador. Outra unidade da lanchonete também será inaugurada no terreno.>
O Carrefour foi questionado sobre o encerramento das atividades do Bompreço, mas não informou se as duas unidades serão convertidas em outras marcas do grupo. O Atacadão é o maior atacadista brasileiro em número de lojas e está presente em todos os estados brasileiros. A notícia de fechamento das lojas gera corrida de clientes em busca de promoções em Salvador. >
O economista Acilio Marinello, sócio-fundador da Essentia Consulting, avalia que as mudanças promovidas pelo grupo fazem parte de uma estratégia de reposicionamento no mercado. “O grande foco do Atacadão é vender produtos em grandes quantidades para os clientes terem acesso a um preço menor por unidade. Com a aquisição do Bompreço, o Carrefour tem feito reposicionamento estratégico e de marca”, diz. >
O especialista ressalta ainda que as mudanças são feitas após estudos. “Foram feitos novos estudos sócio-demográficos para ver qual a melhor bandeira para operar em cada um desses pontos, de acordo com o perfil do público e o potencial de consumo. Isso justifica o fechamento de algumas lojas, assim como a troca de marca”, explica Acilio Marinello. “É um movimento para potencializar a receita por loja e reduzir os custos”, resume. >
Em outubro, foi anunciado que o Carrefour contratou o Banco de Investimentos Bradesco (BBI) para assessorar a negociação de lojas do Bompreço, no Nordeste, e da Nacional, na região Sul do país. Serão 65 lojas vendidas, sendo 18 delas no Nordeste, de acordo com informações do jornal Valor Econômico. >
Antes disso, 10 unidades do Bompreço já haviam sido vendidas ao Grupo Mateus, do Maranhão. Apesar de não ter lojas em Salvador, a varejista inaugurou unidades em três cidades baianas: Juazeiro, Teixeira de Freitas e Jacobina. A reportagem questionou se há planos da rede Mateus inaugurar unidades na capital, mas a empresa não se manifestou. >
Enquanto fecha lojas em Salvador, o Grupo Carrefour, que tem origem francesa, enfrenta uma delicada situação nacional. Na semana passada, a JBS, um dos principais frigoríficos brasileiros, interrompeu o fornecimento de carne ao Carrefour. A ação foi uma resposta ao boicote anunciado pelo CEO da rede às carnes dos países que compõem o Mercosul. A Masterboi realizou a suspensão de 250 toneladas de carne aos supermercados da marca. >
Na última quarta-feira (20), Alexandre Bompard, CEO global do Carrefour, anunciou o boicote como forma de solidariedade ao agronegócio da França, que tem se posicionado contra o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Para os franceses, os produtores da América do Sul teriam vantagens competitivas por não seguirem as legislações rígidas da Europa. >
Para o economista Acilio Marinello, o efeito na vida dos brasileiros deve ser a diminuição da oferta de carne nas lojas do grupo Carrefour, que nega o desabastecimento. “A carne é um produto altamente perecível. Os estoques que os supermercados têm hoje devem durar, no máximo, quatro a sete dias”, avalia. >