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Da Redação
Publicado em 22 de janeiro de 2024 às 05:55
Dois fazendeiros foram presos após o assassinato da indígena indígena Maria de Fátima Muniz de Andrade, a Nega Pataxó, na tarde deste domingo (21), no Extremo Sul da Bahia. Ela é irmã do cacique Nailton Muniz Pataxó, do povo indígena Pataxó-hã-hã-hãe, que também foi baleado na ação. >
Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), os fazendeiros foram autuados por homicídio e tentativa de homicídio. Quatro armas de fogo e munições foram apreendidas com a dupla. As pistolas e revólveres foram encaminhados ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), para perícia.>
Equipes de unidades especializadas das Polícias Militar e Civil foram enviadas à região de Potiraguá para impedir novos conflitos entre indígenas e ruralistas. Ainda segundo a SSP, os agentes devem auxiliar na investigação dos crimes graves contra a vida. >
Policiais militares e civis do Batalhão de Choque, da CATI, entre outras unidades atuarão por tempo indeterminado na região. "Me solidarizo com toda a comunidade indígena. Os autores desses crimes graves serão responsabilizados. Dois suspeitos foram presos e as possíveis armas utilizadas apreendidas. Enviamos reforço para a região por tempo indeterminado", enfatizou o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner.>
Ação violenta>
O caso aconteceu após um conflito entre indígenas, policiais militares e fazendeiros no território Caramuru, município de Potiraguá, no extremo sul da Bahia. A informação é da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). >
Além da morte de Nega Pataxó, outras duas pessoas foram espancadas, uma mulher teve o braço quebrado e outras pessoas foram hospitalizadas, mas sem gravidade. Dois fazendeiros foram presos por porte ilegal de arma.>
De acordo com a Apib, a retomada de uma fazenda por parte dos indígenas como parte do território Caramuru teve início na madrugada de sábado (20).>
Após mobilização dos ruralistas da região pelo Whastapp, os indígenas foram cercados por homens que chegaram ao local com dezenas de caminhonetes. A mobilização via internet convocava os fazendeiros e comerciantes para realizar a reintegração de posse da fazenda com as próprias mãos.>
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um dos feridos no chão, cercado pelo grupo de ruralistas comemorando a ação violenta, narra a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. >
“Exigimos acompanhamento das autoridades e apuração do caso. Reiteramos que a demarcação das terras indígenas é o único caminho para amenizar a escalada de violência que atinge os povos da região sul da Bahia”, completou a Apib, por meio de nota.>