Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Esquema que levou à condenação de médica em Feira movimentou R$ 50 milhões e teve morte de patriarca

Larissa Gabriela Lima Umbuzeiro é apontada como chefe de grupo criminoso que envolvia a própria família

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Carol Neves

  • Thais Borges

Publicado em 2 de abril de 2025 às 13:26

Larissa Gabriela Lima Umbuzeiro
Larissa Gabriela Lima Umbuzeiro Crédito: Reproduçaõ

A condenação da médica Larissa Gabriela Lima Umbuzeiro a 16 anos e seis meses de prisão marcou o desfecho de uma extensa investigação que desvendou uma organização criminosa familiar especializada no tráfico de maconha em Feira de Santana, na Bahia, e região. A operação, que resultou em prisões e apreensão de bens estimados em R$ 50 milhões, teve como episódio mais dramático a morte do patriarca Rener Manoel Umbuzeiro durante confronto com a Polícia Federal em fevereiro deste ano.

As investigações, que se estenderam por cinco anos, revelaram uma sofisticada estrutura de crime organizado que ia desde o cultivo ilegal da maconha até a lavagem de dinheiro por meio da aquisição de imóveis de alto padrão. A família Umbuzeiro, originária do sertão pernambucano, teria se estabelecido em Feira de Santana no início dos anos 2000, transformando a cidade em base de operações de um esquema que se estendia por vários estados do Nordeste.

O caso chamou atenção também pela participação ativa de Larissa, médica formada em instituição privada com mensalidades de R$ 12 mil, que ostentava vida luxuosa nas redes sociais enquanto seu pai mantinha perfil discreto, evitando até mesmo aparecer em fotos familiares. A investigação apontou que os recursos para manter esse padrão de vida viriam do tráfico, com a família utilizando contas de parentes e empresas de fachada para lavar o dinheiro.

A operação policial que desmantelou o esquema ocorreu em 21 de fevereiro do ano passado, com cumprimento de mandados em nove cidades. Rener Umbuzeiro, considerado o líder da organização, morreu após troca de tiros com agentes da PF em uma fazenda na região de Morpará. Segundo relatos policiais, ele teria disparado três vezes contra os oficiais antes de ser neutralizado.

Além da condenação de Larissa e sua mãe Niedja Maria de Lima Souza Umbuzeiro, outras quatro pessoas ligadas à família foram sentenciadas. A decisão judicial, proferida na terça-feira (1º), permitiu que todos os condenados recorressem em liberdade. As defesas contestam as acusações e afirmam que provarão a origem lícita dos bens da família.

A sentença foi proferida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Feira de Santana, que também determinou o confisco definitivo de bens, entre 11 imóveis, 15 veículos e mais de 500 cabeças de gado, que ainda serão periciados, podendo chegar ao valor de R$ 50 milhões movimentados no esquema.

Esquema sofisticado

O caso chamou atenção não apenas pelo volume de recursos movimentados, mas também pela sofisticação do esquema de lavagem de dinheiro, que incluía desde apartamentos de luxo em bairros nobres até fazendas registradas em nome de laranjas. A investigação revelou ainda que, apesar do alto padrão de vida, alguns membros da família chegaram a receber auxílio emergencial do governo federal.

A operação Kariri, como foi batizada, destacou a persistência do chamado "Polígono da Maconha" - região que engloba partes da Bahia e Pernambuco tradicionalmente conhecida pelo cultivo ilegal de cannabis. Os Umbuzeiros inovaram ao estabelecer plantios em terras alheias e criar uma rede de distribuição que abastecia várias capitais nordestinas.