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Cinco pessoas são presas por 'golpe do consórcio' em Salvador após denúncia de influenciador

Influencer chegou a pagar por um imóvel na Boca do Rio, mas nunca recebeu

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 26 de março de 2025 às 12:24

Apartamento que teria sido vendido ao influenciador
Apartamento que teria sido vendido ao influenciador Crédito: Divulgação

A Polícia Civil da Bahia prendeu, em flagrante, cinco pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa especializada em aplicar golpes financeiros por meio de falsas vendas de imóveis em Salvador. A ação foi realizada pela Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), vinculada ao Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic).

As investigações começaram após denúncias feitas por um influenciador digital, que alertou sobre um grupo que atuava com anúncios fraudulentos em aplicativos. As vítimas eram convencidas a visitar supostos imóveis e, em seguida, pressionadas a pagar "taxas administrativas" sem nunca receberem documentação que comprovasse a negociação. A modalidade é conhecida como "golpe do consórcio".

O influenciador, que não teve nome divulgado, relatou em sua denúncia que entrou em contato com a empresa no fim de 2023, quando buscar por imóveis na internet. Ele buscava um apartamento maior para se mudar. O contato inicial foi por um aplicativo de viagem e ele foi convidado para conhecer a sede da empresa, no Itaigara. Ele também visitou dois apartamentos, no Imbuí e Boca do Rio. Ele fez a escolha pelo endereço na Boca do Rio, em um prédio com piscina e área gourmet, e pagou uma entrada, mas o imóvel não era liberado, nem quando a compra já estava quase totalmente paga. Se sentindo lesado, ele foi à polícia. 

Durante diligências em um escritório na Avenida Antônio Carlos Magalhães, na região do Itaigara, a polícia constatou que outras pessoas estavam sendo enganadas. No local, foram apreendidos documentos, contratos e dispositivos eletrônicos, além de R$ 18 mil em dinheiro, dois carros, celulares, notebooks e máquinas de cartão de crédito.

Ao todo, 11 pessoas foram levadas à delegacia, mas apenas cinco foram presas em flagrante pelos crimes de propaganda enganosa, estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O grupo, que já era monitorado há meses pela Decon, tinha estrutura hierarquizada e usava uma empresa de fachada para simular a venda de imóveis e firmar contratos de "consultoria" falsos.

Segundo a polícia, cerca de 120 ocorrências já haviam sido registradas contra os suspeitos, com prejuízos que variavam de R$ 5 mil a R$ 1 milhão por vítima. O material apreendido será analisado, e os presos passarão por exames de praxe antes de serem encaminhados à Justiça.