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Wendel de Novais
Publicado em 10 de abril de 2024 às 05:00
Ruas alagadas pelo volume de chuva, casas invadidas pela água e prejuízos que doem no bolso. É com isso que moradores do Parque São Cristóvão, em Salvador, precisaram lidar nesta terça-feira (9). No bairro, que fica nas margens do Rio Ipitanga I, a água do afluente subiu há quatro dias, quando as chuvas começaram na capital. Com a persistência da precipitação e a abertura da barragem para que esta não estourasse, o rio chegou nas ruas do Parque e, depois, ao interior das casas, causando perdas de até R$ 5 mil para quem mora no local. >
“A geladeira queima, a máquina de lavar para de funcionar, os móveis são estragados pela água, ficando sem condição de utilizar. Aproximadamente, o prejuízo já é de R$ 5 mil, e pode ficar maior, já que eu estou com o carro na garagem e não tenho como tirar porque a rua está toda alagada. Se continuar subindo, como está desde sábado, a tendência é piorar, porque pode também afetar meu veículo. E todo ano é assim, já passei por problema parecido antes”, reclama Fernando da Silva, 43, que mora no Parque São Cristóvão há sete anos e trabalha como motorista por aplicativo. >
Uma outra moradora, que prefere não se identificar, diz que perdeu o sofá e o hack de casa, totalizando um prejuízo de R$ 2 mil. Além de citar o problema, assim como Fernando, ela destaca que é recorrente. Por isso, junto com familiares, até conseguiu se antecipar à chegada das águas em relação a outros eletrodomésticos, mas não teve tempo para mover os itens mais pesados para que não fossem molhados. >
“Estava com mais uma pessoa em casa e deu para salvar ventilador, cadeira e outros itens que são mais leves, que a gente conseguiu colocar em cima das coisas. Mas não dava para pegar o sofá, por exemplo, que serviu de abrigo para essas coisas e está com o material todo prejudicado pela água. O hack, que é baixo e de madeira, está na mesma situação. Juntos, os dois foram R$ 2 mil. Outra vez, perco coisa. Já tive TV perdida há dois anos. É muito difícil ficar perdendo as coisas para a chuva”, lamenta. >
O Rio Ipitanga I passa pelo Parque São Cristóvão e por Cassange, desaguando em Lauro de Freitas, no Rio Joanes. A barragem do Ipitanga, entretanto, fica antes, em Boca da Mata. A abertura das comportas da barragem, procedimento de segurança para que esta não estoure pelo volume de água, é apontada pelos moradores como principal causa dos problemas de alagamento. >
Procurada, a Embasa informou que o problema "reflete principalmente o grande volume de chuvas que caiu na bacia do rio Ipitanga, manancial que possui moradias ocupando irregularmente trechos em suas margens”. A empresa destacou ainda que a abertura das comportas foi iniciada na semana passada de forma gradual, além de explicar que ainda não é possível precisar o tempo necessário para que as condições meteorológicas permitam o fechamento gradual das comportas da barragem, que seguem abertas.>