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Saiba quem é o ex-Palmeiras que limpou bueiros e virou entregador de açougue na Lapa

Jorge Preá trabalha entregando encomendas no Mercadão da Lapa, ensinando crianças em uma escolinha de futebol e treinando times de várzea

  • Foto do(a) author(a) Marina Branco
  • Marina Branco

Publicado em 3 de abril de 2025 às 15:42

Preá, ex-Palmeiras, no Mercadão da Lapa
Preá, ex-Palmeiras, no Mercadão da Lapa Crédito: Reprodução

Quem acompanha o Palmeiras há mais tempo talvez lembre de Jorge Preá, ex-atacante do Verdão. Desde criança quando ainda morava em Casa Verde, bairro de São Paulo, ele se destacava pela velocidade com que corria, recebendo de seu vizinho o apelido que se tornou nome no mundo do futebol. 

Foi apenas aos 23 anos, idade acima do comum para jogadores, que Preá começou a ter mais oportunidades na carreira. "As coisas começaram a dar certo tarde. Fui para o Pelotas, no Rio Grande do Sul, após ser aprovado em uma peneira organizada pelo César Sampaio. Antes disso, jogava na várzea desde os 15 anos", contou ao UOL.

No Pelotas, o sucesso foi certo. Emplacando três gols já no primeiro jogo em campo, ele foi artilheiro pelo clube, e começou a ser mais conhecido nacionalmente. Foi assim que ele acabou indo ao Palmeiras, onde ficou conhecido pela velocidade que desde pequeno o caracterizou. 

Entregador de açougue

Contudo, o destino guardava um futuro inusitado para Preá. Desde que parou de jogar futebol e passou a ser apenas torcedor do São Paulo, Preá se tornou entregador em um estabelecimento do Mercadão da Lapa, em São Paulo. Lá, ele faz as entregas para o açougue do seu Carlos e dois boxes do Mercadão, para garantir o sustento da família. 

"Eu sou entregador, faço entrega para o açougue. Dois boxes, tem aqui do seu Carlos, o box Sanchez e Vitória. Boxes 20 e 18. Eu trabalho nos dois, faço entrega de carro nas ruas de São Paulo, em restaurantes, bares, casas, prédios. Já estou aqui há 5 anos, muito feliz, graças a Deus", conta ele.

Jogador e professor de futebol

Quanto ao futebol, a paixão não morreu, e ele e a bola não se distanciaram completamente. Hoje, Preá também ensina crianças que sonham em jogar futebol no projeto Chute Inicial, do Corinthians. Lá, ele conta suas experiências nos clubes por onde passou, lista que inclui até mesmo times internacionais. 

Preá, ex-Palmeiras, na escolinha em que dá aula
Preá, ex-Palmeiras, na escolinha em que dá aula Crédito: Reprodução

Enquanto jogava no Rio Grande do Sul, ele recebeu uma proposta para fazer um teste na Coreia do Sul. No entanto, uma lesão no joelho atrapalhou os planos e trouxe Preá de volta ao Brasil, quando assinou com o Verdão, onde tratou o problema. O principal responsável pela contratação foi o técnico do Palmeiras da época, Vanderlei Luxemburgo.

"O Vanderlei Luxemburgo me reconheceu e pediu minha contratação. Luxemburgo foi o melhor treinador com quem trabalhei. Me ensinou muito sobre postura, confiança e espírito de vencedor", elogia ele. Sob o comando de Luxemburgo, foram sete jogos e um gol decisivo contra a Portuguesa, responsável por colocar o Palmeiras antecipadamente na semifinal do Paulistão de 2008.

Limpador de bueiros

No entanto, nem tudo são flores no caminho de Preá, que conta que, na prática, o sonho de ser jogador não é tão glamoroso quanto parece. "O futebol é muito sujo. Hoje, o que conta é dinheiro e não talento. Empresários influenciam na escalação, e muitos jogadores talentosos acabam ficando para trás", afirma.

Em sua carreira, Preá integrou ainda os elencos de Athletico-PR, ABC, Cascavel e Sinop, até que pendurou as chuteiras em 2019 quando jogava pelo Real Ariquemes-RO. Na ocasião, ele afirma que foi tirado do time sem uma justificativa, e não recebeu os valores que deveria.

"Entrei na Justiça e, enquanto esperava, percebi que conseguia viver sem o futebol. Eu não tinha dinheiro e precisava pagar as contas em casa, então comecei a trabalhar. Arrumei um serviço na Prefeitura de São Paulo, limpando bueiros. Era o que tinha de mais fácil na época, sem burocracia - um amigo que já trabalhava lá me chamou, levei os documentos e comecei", conta.

"Eu precisava garantir o sustento da minha família, não dava para viver só do status de ex-jogador de futebol. Já tinha cinco filhos para criar, precisava colocar comida na mesa, independente de onde o dinheiro viesse, desde que fosse de forma honesta. Fui junto com meu cunhado, o Washington, que é meu grande amigo, meu parceiro, meu compadre. Trabalhamos lá por seis meses. Ao mesmo tempo, eu também jogava na várzea, que me ajudava com um dinheiro extra", completa.

Profissões diversas

Foram muitos os papeis assumidos por Preá ao longo de sua vida, todos com um objetivo em comum - ajudar sua família a ascender financeiramente. Chegando ao pico salarial no último ano em que jogou pelo Palmeiras, ganhando 35 mil reais por mês, Preá ganha hoje de 4 a 5 mil reais, unindo os empregos de entregador, professor e treinador.

"Prefiro estar do jeito que estou, trabalhando e com a consciência tranquila. Passei por 14 clubes e saí de todos pela porta da frente. Queria dar uma casa para minha mãe. Graças a Deus, consegui.", comemora.