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Larissa Almeida
Alan Pinheiro
Publicado em 22 de fevereiro de 2025 às 08:00
A morte de uma mulher de 40 anos enquanto fazia um exercício dentro de uma academia no município de Santo Estêvão, no centro-norte baiano, causou preocupação pela possibilidade de ocorrer um mal súbito. Francineide Pereira Soares usava a cadeira extensora, aparelho para fortalecer o quadríceps, e passou mal. Mesmo recebendo os primeiros socorros, morreu antes de chegar à unidade de saúde.>
Por definição, o mal súbito é um evento inesperado. Não há sinais prévios a ponto de dar tempo ser atendido antes de acontecer, mas há como detectar na hora que acontece e evitar a morte súbita – ela geralmente acontece em até 24 horas após o aparecimento do mal-estar. Pode ser causado por muitos fatores, como problemas cardiovasculares, neurológicos e metabólicos. O esforço intenso, desidratação ou hipoglicemia podem causar o quadro, que nem sempre é fatal.>
Alguns sinais para identificação do mal súbito são: queda abrupta, dor no peito, falta de ar, dificuldade para falar ou compreender a linguagem, fraqueza, tonturas, palpitações, desmaio, paralisia do rosto e da perna num dos lados do corpo, perda ou obscurecimento da visão, perda do equilíbrio ou coordenação e dor de cabeça intensa.>
Antes de começar a prática de qualquer exercício físico, é importante passar por uma avaliação cardíaca para descartar condições silenciosas e não diagnosticadas que podem ser desencadeadas por exercícios intensos. Prevenir o mal súbito é considerado complicado, uma vez que acontece repentinamente e com poucos sintomas. O cardiologista Luiz Ritt destaca que em pessoas com menos de 35 anos, as causas mais prováveis – apesar de raras – de mal súbito são as genéticas. Acima de 35 anos, as causas costumam estar mais relacionadas a infartos e problemas de coração.>
É essencial evitar o exagero e forçar o corpo além da sua capacidade. O praticante de esportes precisa respeitar o que o seu condicionamento físico permite. Também é necessário estar atentos ao uso de substâncias como hormônios e estimulantes, principalmente aqueles que aumentam a frequência cardíaca ou que têm o intuito de elevar o metabolismo. Essas pessoas, mesmo sem problemas no coração, correm risco de sofrer um mal súbito. O mesmo ocorre com pessoas que fazem uso de medicação de forma inadequada>
Um fator de risco, segundo o cardiologista, é quando há um estímulo externo diante desse contexto. “Digamos que o indivíduo está tomando um produto hormonal ou uma substância termogênica e ele tem um coração normal. Se ele vai fazer atividade física, se coloca numa intensidade maior, ele pode ter um mal súbito, mesmo com o coração a priori normal”, alerta.>