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Luiza Gonçalves
Publicado em 24 de janeiro de 2024 às 05:00
De 24 a 27 de janeiro as ruas do Pelourinho serão invadidas pelo carisma, força e beleza das musas da literatura Amadiana. Dona Flor, Tereza Batista, Gabriela e Tieta, quatro protagonistas de peso, são as personagens principais do espetáculo de teatro musical itinerante “As Musas do Amado, Jorge”, com texto de Cleise Mendes e direção de Elisa Mendes. Saindo do Terreiro de Jesus, a partir das 19h, às musas estarão acompanhadas de músicos, dançarinos e seus pares românticos, conduzindo o público pelo centro histórico com muita música e alegria. >
No Terreiro, o ator Saulo Castro iniciará o espetáculo como narrador, situando e convidando o público e demarcando a chegada dos outros atores, bailarinos, banda de percussão dos Meninos da Rocinha do Pelô e da cantora Denise Correa, que guiará o cortejo. Com tudo preparado, ele então anuncia as musas: Dona Flor (Cristiane Mendonça), Teresa Batista ( Mariana Freire), Gabriela (Dani Souza) e Tieta (Márcia Andrade) que chegam em carro aberto dirigido por Teresa Batista.>
“Chegamos apoteóticas. Então, nós temos esse início de espetáculo muito vibrante e convidativo. E aí, nós e os bailarinos, vamos dançando e cantando pelas ruas do Pelourinho, onde em cada estação, em cada lugar, vai acontecer cenas das protagonista”, explica a atriz Márcia Andrade. O espetáculo, que promete ser puro drama e paixão, terá como paisagem as sacadas do Casarão 17, o Largo do Pelourinho, a Rua Gregório de Mattos e se encerra no Largo do Cruzeiro do São Francisco. Além das quatro atrizes, integram o elenco: Paulo Borges (Vadinho), Eddie Marques (Teodoro e delegado), Joseph Caio (Bafo de Bode) e Saulus Castro (Nacib e narrador).>
Fazer um espetáculo nas ruas do Pelourinho, em pleno janeiro, não é mole não! “Um dos primeiros desafios é ensaiar. Porque o Pelourinho não vai parar para você ensaiar. Nada para, então você tem negociar com as outras bandas que passam, com o cachorro que late, com as pessoas que beberam um pouco a mais e estão contracenando ali com você”, brinca Márcia Andrade. Porém, isso não desestimulou os atores, para a atriz o ambiente efervescente do verão e das movimentações do centro é o elemento certeiro que dará ainda mais potência às mulheres marcantes que interpretam. >
Responsável por dar vida a Tieta, Marcia enxerga o papel como uma honra e pretende aproveitar o imaginário do público e sua maturidade enquanto atriz para adicionar seu toque próprio à personagem. “A minha Tieta é empoderada, ela é uma feminista, uma mulher generosa e que tem o lugar de fala dela. Entre ela e as outras personagens, existirá uma sororidade. Por exemplo, quando eu contraceno com Tereza Batista e com as meninas, as dançarinas, nós estamos ali representando essa força do empoderamento feminino, porque juntas somos mais fortes”, enfatiza. >
Noites que serão marcadas por um reencontro com os personagens de literatura de Jorge Amado, com a dramaturgia de Cleise Mendes, com o espaço público e, fundamentalmente, com as pessoas: “Nós estamos ocupando esse espaço com a nossa arte. E a plateia é essencial. Venham viver com a gente nesse momento tão especial, que é fazer as musas. O espetáculo se complementa quando vem essa plateia e nos olha, olho no olho. Essa vibração é essencial”, chama Márcia Andrade. >
Circuito Jorge Amado>
“O Circuito Jorge Amado surgiu do meu desejo de levar para a rua um teatro profissional ligado à linguagem da dança, da música, ou seja, um teatro musicado que pudesse enaltecer os talentos que nós temos na Bahia de profissionais das artes cênicas, prestigiá-los e que o público baiano, sobretudo, conhecesse esses profissionais e um pouco mais o seu centro histórico e o seu cenário natural para uma realização dramatúrgica, em que a gente tenha a possibilidade de usar o Pelourinho como um cenário natural no momento que a gente ocupa suas sacadas, suas ruas, seus becos”, afirma Eliana Pedroso.>
O espetáculo “As Musas do Amado, Jorge” é o segundo a fazer parte da iniciativa idealizada pela bailarina e gestora cultural, Eliana Pedroso. O projeto já recebeu de 2017 a 2019 temporadas do espetáculo “A Cidade da Bahia é Nossa”, que tem direção de Edvard Passos. >
A gestora explica que o circuito faz parte de um projeto chamado POTE - Polo de Teatro Itinerante da Bahia - que planeja implementar o conceito do teatro musical a céu aberto em outros bairros. A iniciativa criaria outros circuitos, exaltando as culturas de cada localidade e levando um pouco da sua história de forma lúdica e artística. O Centro Histórico marca o início dessa trajetória e tem espetáculo destinado em primeiro lugar aos soteropolitanos, declara Eliana: >
“Obviamente que os que nos visitam vão ficar encantados também, mas é uma forma de chamarmos, é um chamamento aos nossos conterrâneos para que vão ao Centro Histórico ter a possibilidade de uma vivência diferenciada e curtir tudo de bom que há no Centro Histórico. Lojas encantadoras, restaurantes maravilhosos, docerias, galerias, e agora, atores, dançarinos, um elenco de primeira linha circulando pelas ruas, levando o nosso teatro a dança e a música de primeira linha”.>