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Luiza Gonçalves
Publicado em 20 de março de 2025 às 11:14
Uma afinidade artística à primeira vista uniu os caminhos dos músicos baianos Fatel e Giovani Cidreira, que, antes mesmo de se conhecerem, já sabiam que tinham tudo a ver. “Eu já ouvia falar muito de Fatel, as pessoas me encontravam na rua e perguntavam ‘Você conhece Fatel?’, como se a gente já devesse se conhecer, como se ele fosse um artista que tivesse tudo a ver comigo, como se as linguagens fossem próximas. E, de fato, logo quando a gente se encontrou, não demorou muito para comprovarmos isso”, relembra Cidreira. O mesmo acontecia do outro lado, aproximados pela visceralidade na performance, pela dedicação no ofício de ser intérprete. >
Apresentados por um amigo em comum, o também músico Rei Lacoste, viraram amigos e, agora, com a performance Cortes de Navalha, colegas de palco.“A gente viu que fazia todo sentido criar algo já, para colocar no mundo e dar continuidade a isso que tem sido uma parceria muito bonita”, afirma Fatel.>
O show acontece hoje (20), às 17h e às 19h, no Teatro Gamboa, com um repertório majoritariamente autoral, reunindo as líricas do norte da Bahia, da aridez sensível do cantor juazeirense, com a poética de Cidreira em sua difusão de energia marginal e soteropaulistana. “Eu acho que Giovani traz muito consigo essa energia da metrópole e da mesma quantidade que eu trago a do interior e a gente consegue fazer uma mescla boa. É justamente essa diversidade dos sotaques e isso, literariamente, falando”, completa Fatel.>
No show, apresentarão novidades e releituras de canções que compõem o repertório e são referência para ambos. “Vamos tocar música nossa, muita música nova que o público nunca ouviu, e temos algumas surpresas, algumas releituras, que valem a pena ver e crer na hora”, diz Cidreira, animado. Um dos spoilers do show é a versão em dueto de Terceira Lâmina, do cantor Zé Ramalho, públicada pelos dois nas redes sociais.>
Fatel explica que Cortes de Navalha vem ainda com o foco na reflexão de como a interpretação, a entrega da mensagem da música pode ser brindada pelo pasmo, pelo primeiro arrepio na pele, pelo sentimento, antes da cognição. “Antes da cabeça e da pele, a alma. Nós somos artistas nordestinos, não somos filhos de ninguém, tudo o que a gente faz é com muita luta, com muita garra. Nosso trabalho é comprometido com a verdade, com o real, e por isso a poesia é ferina, a performance é visceral, por isso Cortes de Navalha, desbravando com pouco, tudo”, explica Giovani, sobre o título do encontro.>
Ou melhor, pelo sentimento e rapidez na conexão, reencontro, ratifica Cidreira: “É um reencontro. Eu acho que, quando a coisa é verdadeira, quando acontece dessa maneira, a gente não tem nenhum jogo, além da vontade de estar um perto do outro mesmo, de consumir a música do outro, de se influenciar por ela. Acho que o público pode esperar um show muito verdadeiro e com vontade”, finaliza Giovani.>
Teatro no gamboa>
No final de semana, a intensidade nas performances continua a ser protagonista do palco do Teatro Gamboa, com a mostra de teatro Solos Flutuantes. O evento apresenta as montagens Habitei Cantos que Deveriam no Máximo ser Frequentados, com solo de Gabriela Vasconcelos, no sábado (22), às 17h, e A Cidade dos Pequenos Causos, com solo de Davi Dias, no domingo (23), às 17h, ambas inspiradas no livro A Poética do Espaço, do poeta francês Gastor Bachelard e interpretadas pelo Coletivo Poéticas da Meia Noite.>
Com direção de Thiago Carvalho, Solos Flutuantes são biograficções, pois rasuram os limites entre autobiografia e ficção, mesclando memórias reais e criação. Partindo da imagem de uma casa em destroços, os solos refletem sobre lembranças, medos e sonhos esquecidos em cada lugar já habitado. As dores da infância de uma criança negra, a solidão de um jovem descobrindo a sua sexualidade e as incertezas de uma garota desvendando os desafios de ser mulher.>
Serviço: Show ‘Cortes de Navalha’ de Giovani Cidreira e Fatel / Hoje (20), às às 17h e às 19h, no Teatro Gamboa / Ingressos: R$ 40 e R$ 20.>