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Banda Mel vai mexer com a nostalgia do público neste domingo (7)

Márcia Short e Robson Morais, que marcaram auge do grupo, estão de volta

  • Foto do(a) author(a) Roberto Midlej
  • Roberto Midlej

Publicado em 5 de abril de 2024 às 06:00

Márcia Short e Robson MOrais
Márcia Short e Robson MOrais Crédito: divulgação

A nostalgia vai bater forte neste domingo: o público que for ao Parque da Cidade, ao meio-dia, vai ouvir dois dos maiores clássicos da história da axé music: Prefixo de Verão e Baianidade Nagô. E vai ouvir também duas vozes que marcaram especialmente os carnavais do início dos anos 1990: Márcia Short e Robson Morais.

E se o leitor ainda não percebeu, estamos falando da Banda Mel, que anunciou seu retorno pouco antes do Carnaval deste ano, depois de uma batalha judicial que acabou concedendo aos dois vocalistas o direito de uso da marca. “Eu e Márcia já vínhamos ‘ensaiando’ esse retorno faz uns quatro ou cinco anos, mas o processo retardava. Fomos pegos de surpresa, uns 15 dias antes do Carnaval, em janeiro, com a decisão judicial. Aí, foi uma loucura, porque o Carnaval foi cedo e a gente queria ir para a rua. Montamos o repertório rápido e deu certo!”, celebra Robson.

E o repertório que eles apresentaram no trio elétrico há dois meses é basicamente o mesmo que o público vai ouvir neste domingo, no show que integra as comemorações dos 475 anos de Salvador e tem entrada grauita.

Por enquanto, não haverá nada inédito, até porque ainda não houve tempo para garimpar canções com os compositores. Mas em breve a dupla vai gravar em vídeo um show para celebrar os 40 anos da Banda e aí, sim, os fãs vão conhecer novas canções.

“Neste domingo, vamos revisitar nosso repertório e cantar algumas músicas pontuais de outros artistas, para atender a um público diverso que vai estar no Parque da Cidade”. Segundo Robson, os arranjos das músicas são basicamente os mesmos que o público conhece.

“A maioria tem os arranjos originais, mas há mudanças na sonoridade, porque os instrumentos mudaram com o passar do tempo. Na época em que gravamos, não tinha os surdões com a afinação de hoje”, diz Robson. Também serão acrescentados sax e trompete, porém, sem descaracterizar as canções originais: “A intenção é remeter à memória afetiva”, reconhece o cantor.

Os músicos que vão acompanhar Márcia e Robson não faziam parte da antiga Banda Mel. A cantora explica que, como estava em atividade em carreira solo, já conhecia os instrumentistas e resolveu mantê-los, afinal já os conhece há quase 30 anos. Desde que saiu da banda, em 1993, ela gravou dois álbuns e realizou projetos como o Sapoti, dedicado à cantora ngela Maria (1929-2018). “Fiz shows fora da Bahia, mas a maioria foi aqui mesmo. Tive também incursões por Rio, São Paulo… Nunca parei, até porque vivo de música”, destaca Márcia.

Robson deixou a Banda Mel também em 1993, mas diz que nunca deixou de se apresentar no Carnaval. Fez também muitos eventos corporativos. “Esses eventos não dão visibilidade na mídia, mas continuei trabalhando. Também realizei um trabalho para dar uma força a Ademar Furtacor, o Axé Forever, em 2017”. Ademar foi um cantor, músico e arranjador que teve destaque anos 1980, com músicas como Frenesi. O artista, que morreu em 2021, passava por dificuldades econômicas e precisava de dinheiro para tratamento de um câncer. Por isso, teve a ajuda de colegas.

A história da Banda Mel

A Banda Mel surgiu em 1984 e lançou o primeiro álbum com Janete, Jaciara e Buk Jones nos vocais. Márcia entrou em 1989 e Robson no ano seguinte. Juntos, formaram um trio com Alobêned. Com os três, surgiram alguns dos maiores sucessos da banda: Prefixo de Verão, Baianidade Nago e Crença e Fé (Vou dar a volta no mundo, eu vou/ Vou ver o mundo girar…).

Mas ainda antes dessa formação, a Banda Mel teve outros sucessos, como Faraó, Ladeira do Pelô, Bagdá e um outro clássico: Protesto do Olodum, que tinha forte conotação política em versos como “Na Bahia existe Etiópia/ Pro Nordeste, o país vira as costas”. A canção havia sido gravada pelo Olodum, mas a versão da Mel deu projeção nacional à música.

Prefixo de Verão já era cantada por Robson quando ele se apresentava em um trio independente, o Realce. “Quando entrei na Banda Mel, levei a música para lá. A composição era de Beto Silva e foi um boom no Carnaval de 1991. Entrou nas rádios pouco antes do Carnaval, uns 15 dias antes e fez um grande sucesso!”, lembra Robson.

Aquela música deu projeção nacional ao trio, que começou a se apresentar intensamente, com até 140 shows no período de um ano, segundo o cantor. “A agenda ficou muito concorrida, numa época em que em havia tantas micaretas, como passou a ter depois”, observa o vocalista.

Márcia e Robson saíram da banda em 1993. Segundo o cantor, a banda não conseguiu acompanhar algumas mudanças do mercado. “Nós víamos necessidade de uma produção mais aprimorada , mas não tivemos retorno. Por isso, acabamos saindo”. Em 1993, Márcia e Robson formaram a Bândabah, que foi encerrada em 1996.

Banda Mel. Domingo (7), 12h, no Parque da Cidade. Grátis.