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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 3 de abril de 2025 às 10:22
Na madrugada desta quinta-feira (03), os brothers do BBB 25 discutiram quais artistas gostariam de ver se apresentando no programa. Durante a conversa, surgiu um debate sobre a identidade de gênero de Gloria Groove, levando a confusão e diferentes interpretações entre os brothers.>
A discussão começou quando João Pedro perguntou: “Gloria Groove é trans?” Renata, que recentemente recebeu o título de "Rainha das Gays" de um fã, tentou responder: "Não. Acho que é travesti, né?".>
Ela seguiu tentando explicar: "Ele é Daniel e ela, Gloria Groove. Quando ele não está montado, é Daniel. Ela se traveste. Canta muito", elogiou.>
Maike, por sua vez, perguntou: "Mas não é drag?". Renata concordou. Já João Pedro e Maike admitiram não saber ao certo. Apesar das incertezas, Maike reforçou sua admiração: "Eu queria muito que ela viesse".>
A conversa reflete uma confusão comum: Gloria Groove é um homem cisgênero que performa a arte drag. Sua identidade de gênero não se altera, mas sua expressão artística envolve transformação estética. Diferente disso, a transexualidade e a travestilidade dizem respeito a uma identidade de gênero vivida e não apenas performada.>
A diferença entre mulher trans e travesti é histórica e política. Enquanto o termo "mulher trans" está mais ligado ao conceito de identidade de gênero conforme reconhecido em espaços acadêmicos e médicos, a travestilidade carrega um histórico de resistência social. Muitas travestis, especialmente na América Latina, enfrentam uma realidade de exclusão e marginalização, o que faz do termo um símbolo político de luta. >
A diferença entre trans e travesti, por sua vez, envolve aspectos políticos e históricos, e não cirúrgicos, como explicou a historiadora Giovanna Heliodoro: "Por muito tempo, acreditava-se que mulher trans era a ‘operada’ e travesti era quem não havia feito cirurgia. Esse pensamento é equivocado".>
Já a arte drag tem raízes no teatro e se popularizou globalmente por meio da cultura pop. Drag queens criam personagens femininos exagerados como forma de entretenimento, sem que isso signifique uma mudança na identidade de gênero de quem está por trás da maquiagem.>
O episódio do BBB 25 evidencia a importância de ampliar o debate sobre identidade de gênero e expressão artística, evitando equívocos comuns.>