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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 22 de abril de 2025 às 18:19
Pela primeira vez na história, pesquisadores das universidades da Califórnia, em Berkeley, e de Washington, nos Estados Unidos, afirmam ter revelado uma cor completamente nova aos olhos humanos. Nomeada de forma informal como olo, a tonalidade foi descrita como um azul-esverdeado extremamente vívido, tão intenso e único que não pode ser comparado a nada que já tenha sido registrado. >
A revelação só foi possível graças a um avanço tecnológico inédito: um sistema chamado Oz, capaz de estimular os cones da retina com altíssima precisão. Publicado na prestigiada revista Science Advances, o estudo vem chamando atenção não apenas da comunidade científica, mas também do público geral. Afinal, acreditava-se que a capacidade do olho humano de distinguir cores era limitada e imutável.>
Os testes iniciais contaram com cinco participantes com visão de cores normal, sendo que três deles eram os próprios pesquisadores. Todos relataram ter enxergado uma cor indescritível, que não se encaixa em nenhum tom conhecido ou disponível na natureza. "É como ver algo impossível, mas real", disse um dos cientistas envolvidos.>
O segredo está no funcionamento dos cones, células sensíveis à luz que possibilitam a visão colorida. O olho humano possui três tipos principais: um que percebe o azul, outro o verde e outro o vermelho. A combinação entre esses estímulos gera todas as cores que somos capazes de ver.>
O sistema Oz, no entanto, conseguiu isolar a ativação dos cones verdes (conhecidos como cones M), deixando os outros completamente inativos. Isso nunca havia sido feito com tanta exatidão, e o resultado foi a percepção de uma nova cor, que só se manifestou porque o cérebro foi “enganado” pela precisão do estímulo.>
O nome “olo” foi escolhido de maneira simbólica, já que nenhuma palavra existente é capaz de expressar com fidelidade essa nova percepção visual. A "nova" cor se aproxima do 333U da Pantone.>
A descoberta pode ter impactos significativos no futuro. A tecnologia por trás do Oz abre possibilidades para o estudo mais aprofundado de condições como o daltonismo, oferecendo caminhos promissores para diagnósticos mais precisos e, possivelmente, tratamentos inovadores.>
Além disso, os cientistas acreditam que o avanço pode transformar o universo das imagens digitais, criando uma nova geração de telas, celulares e dispositivos capazes de ampliar a gama de cores visíveis.>
E quem sabe? Em alguns anos, talvez o “olo” possa fazer parte do nosso dia a dia, não apenas como um fenômeno de laboratório, mas como uma cor acessível a todos, por meio de novos tipos de display ou óculos especiais.>