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Carmen Vasconcelos
Publicado em 20 de maio de 2026 às 18:00
A virada de ano em 2026 trouxe mais do que um novo calendário para os trabalhadores brasileiros; trouxe o avanço da idade mínima progressiva nas regras de transição do INSS. O impacto foi imediato no comportamento digital: as buscas pelo termo “aposentadoria por idade” registraram um pico de 233% no último trimestre, segundo levantamento da Bocchi Advogados. >
O fenômeno revela uma mudança de mentalidade. O trabalhador baiano e brasileiro deixou de olhar para o INSS apenas na véspera de parar de trabalhar. >
"Hoje, o planejamento previdenciário deixou de ser algo feito apenas perto da aposentadoria", explica o advogado especialista Hilário Bocchi Neto. >
Para quem pretende se aposentar pelas regras de transição este ano, a régua subiu. As mulheres agora precisam de 59 anos e seis meses de idade (com 30 anos de contribuição), enquanto para os homens a exigência saltou para 64 anos e seis meses (com 35 anos de contribuição).>
Essa mudança direta na idade mínima feminina ajuda a explicar por que elas concentram 55% do interesse nas pesquisas. "O erro mais comum das seguradas é focar em apenas um tipo de aposentadoria e não fazer uma análise comparativa de todas as regras disponíveis", alerta Bocchi Neto.>
Geração Y >
Um dado surpreendente do estudo é que a Geração Y (nascidos entre 1981 e 1996) responde por 44,1% das buscas. Mesmo longe da idade mínima, esse público busca organização financeira e quer evitar surpresas. >
A estratégia é identificar falhas no cadastro (CNIS) e períodos sem contribuição o quanto antes para garantir um benefício mais vantajoso no futuro.>
Para o trabalhador baiano, especialmente no interior, o maior gargalo continua sendo a aposentadoria rural. O INSS exige provas materiais (notas fiscais, contratos, documentos antigos) que muitos trabalhadores informais ou de economia familiar têm dificuldade em reunir.>
Professores também enfrentam um cenário complexo em 2026, com a idade mínima progressiva exigindo 54 anos e seis meses (mulheres) e 59 anos e seis meses (homens), mantendo o bônus pelo desgaste da profissão, mas sob novas exigências de pontos e pedágio.>
Com a facilidade do aplicativo Meu INSS, muitos trabalhadores tentam protocolar o pedido sozinhos. Contudo, o especialista alerta que um cálculo errado ou a ausência de um vínculo antigo — muitas vezes "escondido" em holerites ou extratos de FGTS guardados no fundo da gaveta — pode gerar um prejuízo financeiro vitalício.>
"A melhor decisão nem sempre é se aposentar o mais rápido possível, mas sim no cenário mais favorável", conclui Hilário Bocchi Neto.>
Canto de sereia >
Muitos trabalhadores, atraídos pela facilidade do botão "Pedir Aposentadoria" no aplicativo Meu INSS, acreditam que o sistema é infalível. Não é. O sistema do INSS só enxerga o que foi reportado pelas empresas e pelo próprio segurado ao longo das décadas.Se você trabalhou em uma empresa nos anos 90 e ela não recolheu o FGTS ou não informou a data de saída, o INSS pode simplesmente ignorar esses anos.>
Se faltarem dois anos no seu registro, você pode ser enquadrado em uma regra de transição muito pior ou ter o valor do benefício reduzido drasticamente.>
Muitas vezes, o CNIS registra que você trabalhou, mas não informa o valor do salário recebido (aparece como "valor mínimo" ou sem valor) e a consequência disso é que, no cálculo da média salarial, o sistema jogará seu benefício para baixo. Corrigir isso antes do pedido, apresentando holerites e a Carteira de Trabalho, garante que a sua média reflita a realidade da sua carreira.>
Ao baixar o seu CNIS, você verá siglas ao lado de alguns vínculos (como PEXT, AVPV, PREM-RET). Elas são "bandeiras vermelhas".PEXT (Pendência de Extemporaneidade) significa que o INSS tem dúvidas sobre aquele período e você precisará de provas documentais para confirmá-lo. Se você pedir a aposentadoria com essa sigla lá, o tempo será descartado automaticamente no cálculo inicial.A solução é abrir um processo administrativo de "Atualização de Vínculos e Remunerações" antes de solicitar o benefício. Isso "limpa" o seu histórico.>
Não esqueça os documentos essenciais: Carteiras de Trabalho (mesmo as rasgadas), carnês de contribuição (GPS), extratos de FGTS e contratos de trabalho.>