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A desaprovação de Lula, a bola de ferro do PT e a série de Jerônimo 'primeiro promete, depois enrola'

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 28 de fevereiro de 2025 às 05:00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Nunca antes

Nunca antes na história desse país… a Bahia reprovou Lula. O conhecido bordão do presidente Lula serve agora para descrever o tombo histórico de popularidade que ele vê acontecer em um dos seus principais redutos eleitorais. Pela primeira vez, segundo mostrou a pesquisa Quaest/Genial desta semana, o número de baianos que desaprovam Lula chegou a 51%, numericamente maior que os 47% que aprovam. Em dias de inflação em alta e alimentos nas alturas - vide o preço do ovo e do café -, o encantamento dos baianos com o petista parece ter chegado ao fim. Soma-se a isso a queda, conforme a pesquisa, entre aqueles que se identificam como petistas, lulistas e esquerdistas. Historicamente vermelha, a Bahia dá sinais de que quer mudar de cor.

Bola de ferro

O mesmo levantamento que mostrou a desaprovação histórica de Lula na Bahia, indicou crescimento na aprovação do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Motivo para festa no Palácio de Ondina? Nem tanto. Sabem os petistas que, com o principal cabo eleitoral enfraquecido, a próxima rodada eleitoral toma um rumo imprevisível e não há aprovação local que salve o projeto petista em 2026. Afinal de contas, a verticalização que ajudou a impulsionar em 2022, pode virar uma bola de ferro no ano que vem. Em resumo, se Lula continuar ladeira abaixo, os aliados baianos vão juntos. Sem Lula forte, Jerônimo vira só um bom coadjuvante em um filme que pode não ter final feliz para o petismo na Bahia.

5 a 1

Além da queda de Lula, parlamentares da própria base petista menos emocionados analisam, sob anonimato, que outros quatro pontos do levantamento não são para comemorar, muito pelo contrário. Primeiro, a avaliação positiva do governo, que chegou a 42%, enquanto 29% consideram regular. O outro é que nenhuma das áreas pesquisas (educação, atrair empresas, infraestrutura e mobilidade, emprego e renda, saúde e segurança pública) atingiu 50% de avaliação positiva. Segurança e saúde são os setores com maior índice negativo, com 39% e 38%, respectivamente. O terceiro é que, nas intenções de voto, Jerônimo perde para ACM Neto (União Brasil) por 42% a 38%. O quarto é que a pesquisa mostra que cresceu a percepção de que a Bahia está pior do que os outros estados - foi de 43% no levantamento anterior para 49% agora.

Constrangimento

A propósito, o balanço da pesquisa Quaest/Genial sobre a desaprovação torrencial de Lula mobilizou os porões governistas para uma onda de fake news numa tentativa de desviar as atenções do despenhadeiro petista. O alvo óbvio foi o ex-prefeito de Salvador e principal líder da oposição na Bahia, ACM Neto, com falsas notícias de que ele não disputará o governo do estado em 2026, mas concorrerá a deputado federal. Um dia depois, a pesquisa trouxe um panorama da intenção de voto ao Palácio de Ondina e lá estava o “federal” pontuando melhor que o governador Jerônimo. A fake news virou um verdadeiro constrangimento interno.

Primeiro promete, depois enrola

Muito se engana quem pensa que as obras atrasadas do governo Jerônimo Rodrigues estão apenas em Salvador. Se na capital a ponte Salvador-Itaparica e o VLT seguem no campo da promessa, no interior a situação é parecida. Em Vitória da Conquista, por exemplo, uma intervenção inacabada tem se tornado um símbolo do descaso das gestões do PT com o interior da Bahia e virou um pesadelo para a população da capital do Sudoeste. Trata-se da duplicação da Avenida Presidente Vargas, iniciada em 2022, no pacote das intervenções eleitoreiras para a campanha de Jerônimo, segue até hoje sem conclusão. Desde então, já foram pelo menos cinco prazos anunciados e não cumpridos pelo governo. A duplicação virou sinônimo de chacota e, na terceira maior cidade da Bahia, o povo apelidou a intervenção de ‘a obra de 3 quilômetros que já dura três anos’.

Descaso fatal

Mas o assunto é muito sério. O descaso do governo tem provocado diversos acidentes ao longo dos últimos anos. Na semana passada, inclusive, uma pessoa morreu vítima de um atropelamento no local. Em Conquista, há quem reclame que o descaso de Jerônimo com a obra é, na verdade, mais um caso de perseguição política, visto que a prefeita da cidade, Sheila Lemos (União Brasil), integra o grupo da oposição. Mas aí só mesmo o governador para explicar. Enquanto isso, quem paga o preço é o povo.

Gestão do atraso

A situação é similar em outras regiões da Bahia. Outra marca do descaso são as mais de 200 casas em Medeiros Neto, no extremo sul, que seriam entregues a pessoas afetadas pelas fortes chuvas na região em 2021. Contudo, até hoje as habitações não foram entregues, prejudicando mais de 2 mil pessoas. Ainda estão na lista as obras da Barragem do Rio Catolé, que deveriam ter sido concluídas em 2022, e a duplicação da BA-210, na região de Juazeiro.

A estratégia é fugir

Deputados da base do governador Jerônimo desenvolveram uma estratégia inusitada para lidar com as críticas ao governo no campo da segurança pública: a ideia é não comparecer aos debates da comissão que discute o tema na Assembleia Legislativa da Bahia, como se viu na última terça (25). Isso porque o colegiado é presidido por um deputado da bancada de oposição. Como o governo tem a maioria dos assentos, o jogo combinado de esvaziar a comissão impede que as reuniões sejam realizadas oficialmente por falta de quórum. A estratégia já foi adotada nos anos quando a comissão de Meio Ambiente também era pilotada por um deputado oposicionista. Ao que parece, a ordem no governo é fugir e fingir que os problemas não existem.

Sororidade

Não se ouviu um pio de indignação sequer das vozes femininas da política baiana sobre a fritura pública a que o governo Lula submeteu a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, antes de oficializar sua demissão. Fossem outros tempos, notas de repúdio com menções ao machismo estrutural e à exclusão das mulheres em espaços de poder estariam borbulhando nas redes sociais, mas como o golpe veio do próprio Lula, vale a regra do silêncio. Depois de chegar à pasta sob festejos de sua reputação científica, a ministra saiu pela porta dos fundos, sem a menor sororidade das mesmas que defendiam a ciência.

Rui tinha razão

O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), parece ter tido razão quando chamou Brasília de “ilha da fantasia”, porque agora ele mesmo, como um dos ilustres inquilinos do Planalto, dá demonstrações do quanto um governo encastelado é prejudicial à nação. Na crise mais elementar que o país atravessa, no que diz respeito à dificuldade das famílias para colocar comida na mesa, Rui já trocou o anúncio de medidas econômicas pela sugestão nutricional de evitar a laranja porque o preço da fruta está muito alto. E agora, quando o aumento da desaprovação de Lula desmoronou à fantasia, o ministro disse que o problema do governo está no campo da comunicação, preservando a vitrine política do Lula 3. Brinca-se em Brasília que o mantra no terceiro andar do Planalto virou “mais otimismo e menos Brasil”.

Competência

O lançamento do edital para a construção do bilionário túnel Santos-Guarujá ontem com a presença de Lula e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), despertou uma reflexão sobre a demora da nossa prometida ponte Salvador-Itaparica. “Em dois anos Tarcísio fez o que três governadores do PT da Bahia, tendo o apoio do governo federal, não fizeram em 15”, arredondou o vice-líder da oposição na Alba, deputado Alan Sanches (União Brasil).