Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Nilson Marinho
Publicado em 8 de abril de 2024 às 05:01
A ex-vendedora Carla Alves*, que atuou em uma concessionária de veículos em Salvador, ficou cansada do ambiente de trabalho em que permaneceu por cinco anos. Isso porque, a princípio, não conseguiu lidar com as desavenças que, quase todos os dias, tinha com a sua superior. >
A profissional, que se descreve como uma pessoa que "foge do embate", não conseguia expressar o quanto se sentia mal com a "forma alterada" que a sua chefe pontuava as falhas dos funcionários, inclusive as dela.>
Os aborrecimentos foram se acumulando e logo veio a vontade de pedir demissão. O desejo não foi adiante porque, durante as sessões de terapia, Carla entendeu que precisava colocar para fora tudo aquilo que lhe afligia.>
“Em um dia, pedi uma conversa e desabafei sobre o quanto estava me sentindo mal com aquilo. No final, nos entendemos. Ela disse que não percebia que estava fazendo mal para os colaboradores e prometeu mudanças, que realmente aconteceram”, contou a ex-vendedora.>
De acordo com uma pesquisa de 2023 da plataforma de software de gestão ZipDo, 85% dos funcionários entrevistados disseram enfrentar conflitos no trabalho. O que os especialistas frisam é que as desavenças são inevitáveis e que “abraçá-las” é a chave da resolução.>
"Digo até que os conflitos são necessários, mas o que não devemos fazer é varrê-los para debaixo do tapete; pelo contrário, quando algo estiver em desordem o melhor é pontuar, só assim conseguimos resolver de prontidão e evitar que o clima fique pesado", comenta Carlos Fonsêca, mestre em Consultoria e Desenvolvimento Organizacional e especialista em Gestão de Conflitos.>
Mas antes de tomar qualquer atitude em relação ao conflito, Fonsêca orienta dar um passo para trás, analisar a situação de forma racional e tentar visualizá-la com o olhar do outro. Se posicionar no calor do momento, diz ele, não é a melhor opção.>
“É importante deixar o desagrado de molho de um dia para o outro, só assim você consegue analisar os fatos de maneira racional. É necessário abaixar a guarda, mas ser sincero e franco. Pontue tudo aquilo que não está lhe fazendo bem. A conversa sempre será o caminho certo”, completa o especialista.>
Os conflitos não resolvidos são responsáveis por comprometer a harmonia e o desempenho da equipe. Um estudo do Pandapé, software de RH do Infojobs, portal de vagas de emprego, mostrou que o péssimo clima organizacional foi apontado por 21,36% dos entrevistados como o principal fator que causa a insatisfação no trabalho.>
“Por isso, lidar com essas questões de forma coerente e madura, ajuda a transformar conflitos em degraus para o crescimento e fortalecimento das relações profissionais. A resolução profissional de conflitos não apenas constrói um ambiente saudável, produtivo e colaborativo, mas também revela o potencial de transformar desafios em oportunidades valiosas para o progresso coletivo”, diz Ana Paula Prado, CEO do Infojobs.>
O sentimento de descontentamento inclusive leva ao baixo desempenho, que afeta não só o próprio profissional, mas toda a empresa. Por isso, afirma Maria Dantas, gestora de Recursos Humanos e especialista em Gestão Estratégica de Conflitos, ter líderes capacitados para lidar com a questão é fundamental para a saúde da organização.>
“Todo e qualquer líder precisa estar preparado para lidar com conflitos. Empresas são feitas por pessoas e pessoas são diferentes. Divergências sempre surgirão. Naturalmente, há chefes de maior tato para lidar com a situação, mas aqueles que não o têm podem adquirir, como, por exemplo, por meio de cursos e mentorias”, pontua a especialista.>
A gestora de Recursos Humanos orienta que, diante de uma situação de conflito entre colegas de trabalho, a melhor postura a ser adotada pelo superior é ouvir atentamente as queixas de cada um dos envolvidos, mas de forma individual. >
“É preciso também entender a origem do problema, sem vieses inconscientes, sem pender para um lado ou outro. O foco deve ser sempre como achar uma solução para que aquele conflito cesse o mais rápido possível”, completa Maria Dantas.>