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A cartada final do governador

Troca de toda a cúpula da segurança pública na Bahia escancara uma gestão que está sem rumo

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  • Editorial

Publicado em 28 de março de 2025 às 05:00

Na última segunda-feira, parentes e amigos se despediram de Larissa Azevedo, a cirurgiã dentista morta após ser baleada em um tiroteio na Avenida Paralela, a mais movimentada da capital baiana. O corpo da jovem foi levado de Salvador para Itamari, sua cidade natal. Ela foi atingida no dia 14, quando estava na garupa de um mototaxista a caminho do seu trabalho.

No mesmo dia em que Itamari se despediu precocemente de Larissa, o governador Jerônimo Rodrigues demitiu a cúpula da Segurança Pública (SSP) no estado, poupando apenas o secretário Marcelo Werner. De uma só vez, caíram o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Paulo Coutinho; a delegada-geral, Heloísa Brito; e o coronel Adson Marchesini, comandante do Corpo de Bombeiros.

O coronel Antonio Carlos Silva Magalhães assumiu como comandante geral da PM, no lugar de Paulo Coutinho, que estava no cargo desde janeiro de 2021. No Corpo de Bombeiros, o coronel Aloisio Mascarenhas Fernandes é o comandante, no lugar de Adson Marchesini,que também era da corporação desde janeiro de 2021. E André Augusto de Mendonça Viana assume o cargo de Heloísa Brito, que estava no cargo desde dezembro 2020.

Além das alterações no comando, o Diário Oficial do Estado registrou 95 movimentações na SSP em delegacias e batalhões, entre movimentos de nomeações e exonerações.

A coincidência de datas entre as decisões administrativas e a tragédia na Paralela sugere uma conexão entre os episódios. E a antiga fábula das três cartas que um governante antigo deixa para o seu sucessor pode ser útil para compreender a movimentação no último andar do prédio da Governadoria.

Conta-se que um experiente gestor entregou ao seu sucessor uma caixa com três cartas para serem abertas em momentos de crise. A primeira dizia: “culpe o seu antecessor”. Na segunda, estava escrito: “culpe seus auxiliares”. Por fim, a terceira carta recomendava: “escreva três cartas para o seu sucessor”.

Jerônimo não pode culpar ostensivamente aquele quem o colocou na cadeira – isso inviabiliza o uso da primeira carta. Atribuir culpa aos seus auxiliares, lançados aos leões diante dos sucessivos maus resultados registrados na área de segurança, é o que ele já está fazendo. Ou ele resolve o problema – contrariando os poucos que ainda depositam alguma fé em sua capacidade de gestão – ou começa a escrever as cartas.

O solavanco que o governador provocou na carreira dos antigos comandantes da polícia foi certamente a última cartada de um governo que indica não ter um rumo definido na Segurança Pública, que é uma das mais sensíveis áreas de atuação do Poder Público, ao lado das pastas da Saúde e Educação. Até onde se sabe, o coronel Paulo Coutinho, a delegada Heloísa Brito e o coronel Adson Marchesini fizeram tudo o que estava ao seu alcance para tentar impedir o avanço das facções criminosas no território baiano. E Jerônimo precisa deixar claro o que será feito de diferente, para evitar que novas histórias como a de Larissa sejam escritas.