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Dom Sergio da Rocha
Publicado em 31 de março de 2025 às 05:00
O título de Cidadão Baiano concedido pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, dia 27 de março, tem sido motivo de grande alegria e profunda gratidão. O honroso título recebido expressa a acolhida carinhosa do querido povo baiano, desde a minha chegada na Bahia, como arcebispo de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil, em 05 de junho de 2020. Ao mesmo tempo, expressa o generoso reconhecimento da missão bela e exigente da Igreja na vida e na história de nosso Estado, compartilhando alegrias e dores de nosso povo. >
Quem chega na Bahia, logo vai se sentindo em casa e querendo aqui permanecer, pois encontra uma grande família que acolhe e une. É justo ressaltar a importância histórica, cultural, artística e religiosa da Bahia. A preciosa herança histórica, cultural e religiosa é motivo de orgulho e de responsabilidade. Ao mesmo tempo, a riqueza maior de nosso Estado é justamente o nosso povo alegre e acolhedor, que vive da fé que anima o seu caminhar. Tenho aprendido com a nossa gente aquilo que diz a bela canção de Maria Betânia (Brincar de Viver): “a arte de sorrir cada vez que o mundo diz não”, a arte de conservar a alegria e a esperança diante dos desafios da vida. >
Há laços que me ligam à Bahia desde o meu nascimento, pela bondade do Criador. Nasci em casa, na zona rural do interior paulista, pelas mãos de uma parteira conhecida naquela região como Da. Maria Baiana, justamente pela sua origem e cultura baiana. Ela representa inúmeras mulheres negras da Bahia que dão a vida para que muitos possam nascer e viver dignamente. As mãos de Da. Maria Baiana se prolongam nas mãos de tantas baianas e baianos que continuam a me acolher, a me abraçar, a me apoiar e a rezar por mim.>
O título de “cidadão” é dom e compromisso; faz pensar no exercício consciente e responsável da cidadania. Sentindo-nos participantes da grande família baiana e reconhecendo a Bahia como a nossa casa, somos estimulados a crescer na corresponsabilidade e no amor incansável, com especial atenção aos mais pobres e sofredores, para que cada pessoa possa ter a sua vida e dignidade valorizadas e os seus direitos assegurados. É grande o desafio, na Bahia e em todo o país, de conjugar o crescimento econômico com o desenvolvimento humano e social, de harmonizar a prosperidade econômica com a preservação ambiental e a efetivação dos direitos sociais da população, de construir a justiça e a paz.>
Cidadão baiano vive da fé. A religiosidade baiana mostra como é importante “andar com fé”, pois “a fé não costuma faiá”, conforme a conhecida canção de Gilberto Gil. No coração dos baianos, dentre outras devoções, ocupam lugar especial o amado Senhor do Bonfim, que a todos abençoa com os seus braços abertos; Nossa Senhora da Conceição da Praia, excelsa padroeira do Estado; e a querida santa baiana, Dulce dos Pobres, com quem aprendemos, sempre mais, a “amar e servir”. >
Dom Sergio da Rocha é cardeal arcebispo de Salvador>