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Luiz Caldas fala sobre mudanças na sociedade e músicas que já não canta: ‘Não se aplicam mais’

Pai do axé iniciou desfile no circuito Osmar (Campo Grande) na noite desta quinta-feira (27)

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 27 de fevereiro de 2025 às 19:51

Luiz Caldas
Luiz Caldas Crédito: Maysa Polcri/ Divulgação

Ao dar início ao desfile da sua pipoca, no início da noite desta quinta-feira (27), no Campo Grande, Luiz Caldas era preenchido por um clima de nostalgia. O pai do axé se apresenta no circuito mais tradicional da folia acompanhado de fãs sedentos para relembrar os antigos carnavais. Apesar das lembranças, muita coisa mudou nos 40 anos do movimento musical. O próprio cantor tirou do repertório músicas que, segundo ele, “não se aplicam mais”.

Luiz Caldas recebeu a reportagem no camarim do seu trio elétrico e falou sobre a responsabilidade de montar um repertório que dê conta de abarcar as quatro décadas do movimento, do qual é precursor. O cantor revelou que as músicas cantadas ao longo do circuito dependem do envolvimento com o público.

“Estou há 40 anos fazendo axé music, com muita energia e vontade de cantar cada vez mais. Em um trio elétrico, é muito difícil seguir um repertório. Há uma entrega muito grande entre artista e público, então, vou olhando a cara da galera”, disse. Mas nem tudo que fazia sentido lá atrás, no início do movimento, se aplica à sociedade de hoje.

Um dos exemplos pode ser um dos maiores sucessos da carreira de Luiz Caldas. A canção Fricote, que o levou ao estrelato em 1985, tem versos considerados hoje, por muitos, como “problemáticos”. “Nêga do cabelo duro. Que não Gosta de Pentear. Quando passa na Baixa do Tubo, o negão começa a gritar”, diz a música. Questionado se a música entraria no repertório desta quinta-feira (27), Caldas desconversou.

“Não colocaria Fricote no centro dessa discussão, mas a mudança social de várias coisas, não é só a música. São gestos, atitudes, falas, um monte de coisa, que ficaram no tempo e não se aplicam bem à sociedade”, falou. “É uma coisa de ver que está errado e seguir pelo lado certo”, finalizou.

Em entrevista concedida ao programa Fantástico, no domingo passado (23), o cantor falou sobre a ausência de Fricote no repertório atual, dizendo que cantá-la é “desnecessário”. De fato, não faltam sucessos a serem cantados para comemorar os 40 anos do axé. Do chão, um público ansiava desde cedo pela presença de Luiz Caldas.

Caso de um grupo de 80 amigos, que utilizam camisas verde neon estampadas com o rosto do cantor. A professora de Educação Física Ilana Rodrigues explicou que os colegas começaram a pular Carnaval juntos há seis anos. Desde então, homenageiam alguma personalidade.

O escolhido da vez não poderia ser outro. “A gente vê Luiz Caldas como o precursor da axé music, então decidimos homenageá-lo pelos 40 anos do axé”, comemorou. O grupo de amigos não foi único. Durante a abertura do Carnaval de Salvador, comandada por Carlinhos Brown, outras gerações fizeram reverência ao pai do axé. Foi o caso de Felipe Pezzoni, vocalista da banda EVA, e Xanddy Harmonia. Ambos utilizaram camisetas com o rosto do cantor.

O clima de nostalgia foi compartilhado por artista e fãs. A volta ao circuito mais tradicional da folia baiana, no Campo Grande, fez muita gente se emocionar. A servidora pública Michele Pereira, 50, relembrou os antigos carnavais. “Aqui é onde, de fato, está a energia da cidade. Luiz Caldas representa nostalgia e atualidade ao mesmo tempo, já que ele nunca parou de produzir ao longo desses anos”, comentou.

E, no que depender do cantor, serão mais muitos anos comandando o trio elétrico. “Pretendo estar com uma bengalinha, guitarra no pescoço, muito rock n'roll e axé music”, disse Luiz Caldas. O cantor também celebrou o avanço da proposta, em Brasília, que planeja instituir o Dia Nacional do Axé em 17 de fevereiro.

O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados, na terça-feira (25). Agora, segue para o Senado. A data rememora o domingo de Carnaval de 1985, quando o axé, embalado por Luiz Caldas, explodiu na Bahia.

O projeto Correio Folia é uma realização do jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.