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Carol Neves
Publicado em 17 de fevereiro de 2025 às 07:36
Alvo principal de um envenenamento de um bolo com arsênio no Rio Grande do Sul, Zeli dos Anjos falou pela primeira vez sobre o crime que abalou sua família. A nora dela, Deise Moura dos Anjos, foi presa suspeita pelo crime e na semana passada foi achada morta dentro da cadeia, em Guaíba, na Grande Porto Alegre. >
Zeli sobreviveu ao atentado e se emocionou ao falar do assunto no Fantástico, da TV Globo. "Eu não tenho nem pena, nem raiva, nem ódio, nem sei que tipo de sentimento. Mas, quando eu penso que ela tirou as quatro pessoas mais importantes da minha vida...". Ela também afirmou que já suspeitava do comportamento maldoso da nora, mas nunca imaginou que isso chegaria a um nível tão extremo: "Eu sabia que ela era má, que ela fazia maldades, mas nunca que fosse chegar a um nível desses.">
O crime ocorreu em 23 de dezembro, quando Zeli e outros membros da família se reuniram para a tradicional confraternização com bolo de reis. Porém, logo após o consumo das primeiras fatias, todos começaram a passar mal. As vítimas fatais foram as irmãs de Zeli, Maida e Neuza, e a sobrinha Tatiana, filha de Neuza. Zeli, seu marido Jefferson, o filho de Tatiana, de 11 anos, e João, marido de Neuza, sobreviveram, sendo que João não comeu o bolo.>
Inicialmente, o caso foi tratado como intoxicação alimentar, mas a descoberta de arsênio em amostras de sangue e urina das vítimas mudou o rumo da investigação. Durante o processo, a polícia descobriu que Deise possuía um histórico de pesquisas na internet relacionadas a substâncias tóxicas, incluindo "arsênio" e "veneno para matar humanos". A descoberta indicou que ela havia pesquisado, entre outras coisas, o veneno mais mortal do mundo.>
Antes do episódio de dezembro, a polícia também identificou que Deise já havia envenenado Zeli e o marido dela, Paulo Luiz dos Anjos. Em agosto de 2022, Deise misturou arsênio no leite em pó, o que resultou em intoxicação. Paulo Luiz faleceu em setembro, e a morte foi inicialmente atribuída a uma "infecção alimentar". Zeli, por sua vez, teve sintomas mais graves e precisou ficar 19 dias internada.>
Com o avanço das investigações, foi confirmado que Deise foi a responsável por envenenar nove membros da família, resultando na morte de quatro pessoas. Três dias após as mortes, Deise foi chamada para depoimento, mas negou qualquer envolvimento. No entanto, evidências apontaram que ela estava mentindo, levando à apreensão de seu celular e computador, onde foram encontrados mais indícios de sua culpa.>
Prisão e morte>
Deise foi encontrada morta dentro de sua cela na Penitenciária Feminina de Guaíba, com o laudo de necropsia confirmando que a causa da morte foi enforcamento. Em uma camiseta, escreveu que não era assassina e deixou outras anotações. O advogado de defesa de Deise alegou que ela sofria de depressão, agravada pelo confinamento. A Polícia Penal do Rio Grande do Sul informou que ela recebeu atendimento psicológico e apresentava comportamento estável.>
A polícia concluiu que Deise foi a responsável pelos envenenamentos, mas o caso alerta para a facilidade de acesso a substâncias perigosas como o arsênio pela internet. O inquérito está prestes a ser arquivado pela Justiça.>