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Publicado em 10 de junho de 2024 às 23:45
Com quase dois meses de greve, a mobilização das universidades e institutos federais tem preocupado o governo federal, que tem sofrido pressões de suas bases. Segundo aliados ouvidos pela reportagem do Estadão, a avaliação é de que o movimento grevista gera desgastes para o Planalto. >
Os professores de 54 das 69 universidades federais brasileiras seguem em greve, que teve início há 55 dias. Docentes de cinco institutos federais (IFs) e três Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs) também se somam à paralisação.>
Já foram feitas sete rodadas de negociação especificamente com o setor de educação (que engloba, além dos docentes, os servidores técnico-administrativos), mas não houve consenso entre os docentes e o governo federal.>
Nesta segunda-feira,10, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou recursos para tentar aplacar as reivindicações. Em cerimônia no Planalto, o presidente e o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciaram investimentos para as universidades federais no âmbito do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e para o orçamento de custeio das instituições federais.>
A recomposição do orçamento é uma das reivindicações grevistas. Em seu discurso, Lula questionou a demora da greve e disse que as propostas feitas pelo governo não são recusáveis.>
O governo estuda investir em soluções que não dependam diretamente de recursos financeiros, como a revisão de portarias e a estruturação da carreira, para tentar pôr fim à greve.>
A avaliação é de que, nesse momento, é preciso avançar principalmente nas negociações com técnicos-administrativos, o que poderia resolver o impasse e finalizar a greve. O governo tem dito que chegou ao limite financeiro para ceder aos grevistas.>
Uma das cartas na manga em análise é a possibilidade de reduzir o tempo para chegar no topo da carreira dos técnicos. Nesse sentido, há uma discussão de baixar de 24 anos para 18.>
Outra possibilidade em estudo é propor a revisão da portaria 983, editada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, o texto é amplamente criticado pelos docentes por ampliar a carga horária semanal de professores dos institutos federais. Esse tópico é uma das pautas de reivindicação da greve>
A última proposta do governo não prevê reajuste em 2024, propõe 9% de aumento em janeiro de 2025 e 5,16% em maio de 2026. Os servidores rejeitaram a proposta e pedem recomposição das perdas salariais, com reajuste de 3,69% em agosto de 2024. Na semana passada, os servidores ameaçaram ocupar o prédio do Ministério da Gestão e Inovação, após a reunião de negociação ser encerrada sem nova data.>
Após a pressão, o governo agendou uma reunião para terça-feira, 11, sobre a carreira dos técnicos administrativos, e outra para o dia 14 de junho, sobre a carreira docente. Nesta segunda-feira, durante o evento no Palácio do Planalto, servidores em greve protestaram na Praça dos Três Poderes.>
"Os R$ 400 milhões o anunciados hoje vieram da mesa de negociação, que se tirou de outras áreas do MEC para o custeio, como uma das demandas atendidas do movimento sindical", afirmou o deputado Pedor Uczai (PT-SC), que tem participado das rodadas de negociação. "É evidente que o governo está preocupado.">
O governo chegou a fechar um acordo com um dos sindicatos envolvido na greve, o Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes), mas não conseguiu debelar o movimento.>
Isso porque a greve tem ainda a participação do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN); o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe); e a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). Todos esses rejeitaram a proposta governamental.>
Após a assinatura do acordo do governo com o Proifes, apenas a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Federal de Goiás (UFG) finalizaram a greve; esta última, no entanto, permanece com paralisação dos alunos.>
Após a tentativa frustrada de encerrar o movimento, a pasta da Gestão procurou parlamentares do PT para reduzir a tensão a relação com os grevistas e auxiliar nas negociações sindicais.>
A orientação do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) foi para que as seções sindicais pedissem a suspensão dos calendários acadêmicos por tempo indeterminado. Algumas universidades atenderam integral ou parcialmente, outras ainda não deram um retorno sobre como ficarão as aulas e atividades acadêmicas.>
Onde paralisação continua ocorrendo nas universidades federais?>
Universidade Federal do Rio Grande (FURG)>
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)>
Universidade Federal do Ceará (UFC)>
Universidade Federal do Cariri (UFCA)>
Universidade de Brasília (UnB)>
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)>
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)>
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)>
Universidade Federal de Viçosa (UFV)>
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)>
Universidade Federal do Maranhão (UFMA)>
Universidade Federal do Pará (UFPA)>
Universidade Federal do Paraná (UFPR)>
Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)>
Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa)>
Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)>
Universidade Federal de Rondônia (UNIR)>
Universidade Federal de Roraima (UFRR)>
Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)>
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)>
Universidade Federal de Catalão (UFCAT)>
Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB)>
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)>
Universidade Federal de Tocantins (UFT)>
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)>
Universidade Federal Fluminense (UFF)>
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)>
Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE)>
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)>
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)>
Universidade Federal da Bahia (UFBA)>
Universidade Federal do ABC (UFABC)>
Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)>
Universidade Federal de Campina Grande - Campus Cajazeiras (UFCG-Cajazeiras)>
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)>
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)>
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)>
Universidade Federal do Acre (UFAC)>
Universidade Federal de Lavras (UFLA)>
Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)>
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)>
Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)>
Universidade Federal do Sergipe (UFS)>
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)>
Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)>
Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)>
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)>
Universidade Federal de Uberlândia (UFU)>
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)>
Universidade Federal de Rondonópolis (UFR)>
Universidade Federal do Piauí (UFPI)>
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)>
Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)>
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)>
IFs:>
Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) - Campus Pouso Alegre, Campus Poços de Caldas e Campus Passos>
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS)>
Instituto Federal do Piauí (IFPI) SINDIFPI 60 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste-MG (IF Sudeste-MG) - Campus Juiz de Fora, Campus Santos Dumont e Campus Muriaé>
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul) - Campus Visconde da Graça>
CEFETs:>
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)>
Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ)>
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)>
‘Não há muita razão para durar o que está durando’, diz Lula>
Nesta segunda-feira, durante o anúncio, o presidente fez um apelo para que os dirigentes sindicais avaliem as concessões já feitas pelo governo.>
"O montante de recurso que a companheira Esther colocou à disposição é um montante de recursos não recusável. Quero que leve isso em conta... os alunos estão à espera de voltar à sala de aula", disse.>
O presidente criticou ainda o tempo de demora da greve e disse que em sua experiência como dirigente sindical muitas vezes partiu para o "tudo ou nada" e ficou com "nada". Lula disse ainda que não se pode permitir que uma greve termine por "inanição".>
"Eu acho que nesse caso da educação se analisar no conjunto da obra vão perceber se não há muita razão para essa greve estar durando o que está durando, porque quem está perdendo não é o Lula, o reitor, que está perdendo é o Brasil e os estudantes brasileiros", afirmou. >