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Carol Neves
Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 12:28
Perseguido por um militar da reserva, Thiago Marques foi liberado após cerca de 17 horas detido na prisão de Benfica, no Rio de Janeiro, na tarde da terça-feira (25). Ele relatou os momentos de terror vividos na madrugada de segunda, quando um policial militar reformado perseguiu e atirou contra ele e o passageiro Igor Melo, que foi baleado nas costas. Segundo Thiago, mesmo após o disparo, o policial continuou a perseguição. "Fugimos porque ele voltou para tentar nos matar. Se não tivéssemos fugido, ele teria nos matado", afirmou Thiago a O Globo.>
O incidente ocorreu quando o policial, à paisana, emparelhou seu carro com a moto e, de repente, sacou uma arma. Thiago descreveu: "Minha única reação foi me jogar no chão. Vi que o carro parou um pouco à frente. Corri, levantei o passageiro que estava comigo, fomos para trás do carro e pulamos o viaduto.">
Após uma audiência de custódia, Thiago foi solto. Os advogados de Igor Melo e Thiago Marques conseguiram o relaxamento da prisão dele e de Igor, que haviam sido considerados suspeitos de assaltar a esposa do policial reformado. A juíza reconheceu a ilegalidade da prisão, destacando a falta de evidências concretas.>
A juíza Rachel Assad da Cunha, da 29ª Vara Criminal da Capital, determinou a soltura dos dois, afirmando em sua decisão: "Todas as informações indicam que Carlos Alberto e Josilene confundiram os custodiados com os supostos autores do crime de roubo, esvaziando os indícios de autoria e exigindo a imediata soltura.">
Ao sair da unidade prisional, Thiago, visivelmente emocionado, correu para os braços de sua mãe, Jaqueline Marques, e questionou: "Eu estava trabalhando, mãe. Ia deixar minhas duas crianças sozinhas porque estava trabalhando. Como isso aconteceu comigo?", perguntou, chorando.>
Entenda o caso>
Igor voltava para casa em uma moto de aplicativo após trabalhar na casa de festas Batuq. Dois disparos feitos pelo policial reformado atingiram a moto, ferindo Igor nas costas e Thiago na perna direita. O secretário de Segurança do Rio, Victor Cesar Carvalho dos Santos, negou que o caso represente "justiça com as próprias mãos".>
"Não considero justiça com as próprias mãos. Ele é um policial e tomou conhecimento de um fato criminoso. Tem o dever de agir, independentemente de ser sua namorada. Ele está aposentado, mas suas obrigações continuam. Não pode ver um crime e se omitir", declarou o secretário.>
O caso foi encaminhado à Corregedoria da PM e está sob investigação.>