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Ex-Testemunhas de Jeová preparam ação judicial contra a organização religiosa no Brasil

Queixas incluem prática do ostracismo, que obriga fiéis a cortarem relação com quem deixa igreja, até casos de abuso

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 28 de fevereiro de 2025 às 08:15

Sede das Testemunhas de Jeová no Brasil, que fica em São Paulo
Sede das Testemunhas de Jeová no Brasil, que fica em São Paulo Crédito: Divulgação

Ex-membros das Testemunhas de Jeová estão reunindo documentos para processar a organização religiosa no Brasil, acusando-a de práticas como acobertamento de casos de pedofilia, pressão para evitar o ensino superior, humilhação pública e o que chamam de "indução ao suicídio" —referindo-se à proibição de transfusões de sangue, mesmo em situações de risco de vida. A ação, que pode incluir até 28 dissidentes, busca indenizações por danos morais. As informações foram divulgadas em reportagem do Uol. 

Entre as principais queixas está a prática do ostracismo, que obriga fiéis a cortarem relações com familiares e amigos que deixam a religião. Essa política levou a Noruega a cancelar o registro da igreja no país em 2021, fato que inspirou os dissidentes brasileiros a buscarem medidas semelhantes aqui. "É como se eu tivesse sido enterrada viva", desabafa Ester Lopes Bueno, 42, que não fala com familiares desde que deixou a igreja em 2019.

Relatos de abuso sexual também são frequentes entre os ex-integrantes. O psicólogo Lucas Vasconcelos, 24, afirma que foi molestado aos 15 anos por um superior da igreja, que o embriagou até perder a consciência. Quando acordou, ele diz ter encontrado marcas de abuso pelo corpo. A estudante de jornalismo Mirela Costa, 25, relata ter sofrido abuso sexual aos 10 e 12 anos por dois membros da igreja e diz que não foi tratada como vítima. "Na segunda vez, me perguntaram se eu não estava apaixonada pelo agressor", conta.

A organização, por sua vez, nega as acusações. Em nota, afirmou que considera o abuso sexual "um ato maldoso e repugnante" e que cumpre a lei ao reportar casos às autoridades. Sobre o ostracismo, defende que "os adeptos devem limitar o contato com a pessoa que é removida da congregação". Quanto à proibição de transfusões de sangue, o porta-voz Laércio Ninelli destacou que a prática é baseada em "instrução bíblica" e foi reconhecida como um direito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Outro ponto de conflito é a desvalorização do ensino superior. A organização desencoraja os fiéis a cursarem faculdade, alegando que isso pode expô-los a "perigos morais e espirituais". Lara Prado, 27, que deixou a igreja aos 23, lamenta não ter seguido o sonho de cursar história ou jornalismo. "Perdi todas as pessoas com quem convivia. E, principalmente, perdi minha mãe. Ela está viva, mas me trata como se eu estivesse morta", desabafa.

A ação judicial também deve abordar a proibição de transfusões de sangue, que os dissidentes chamam de "indução ao suicídio". Jacira Araújo, 72, mostrou um documento autenticado em cartório em que renuncia ao procedimento. "Legalizei minha morte em cartório. Isso é um sacrifício de vida", afirma. Ninelli rebateu, afirmando que a recusa à transfusão é um direito garantido e que a igreja não induz ao suicídio.

A organização mantém sua posição, afirmando que as acusações partem de "pessoas fazendo afirmações inverídicas e caluniosas". Enquanto isso, os ex-membros seguem mobilizados, buscando justiça e reparação pelos impactos que afirmam ter sofrido.