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Carol Neves
Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 10:47
O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar que os ataques de 8 de janeiro ao Congresso Nacional foram "programados pela esquerda" e defendeu os invasores, classificando-os como "pobres coitados". A declaração ocorre uma semana após ele ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado. Durante a conversa com o jornalista Léo Dias, Bolsonaro também comentou os áudios divulgados pelo programa Fantástico, que revelaram conversas de militares sobre possíveis medidas extremas, como a decretação de estado de defesa ou estado de sítio. >
Bolsonaro repetiu a acusação de que a esquerda teria planejado os ataques, argumentando que a ausência de imagens completas dos momentos das invasões seria uma prova disso. "O 8 de janeiro foi programado pela esquerda. Você tem imagens do pessoal quebrando lá dentro, mas não quando entrou a turma. O governo dizia que não tinha mais imagem, mas pouco tempo depois apareceram mais imagens", afirmou. Ele também ressaltou que estava nos Estados Unidos durante os ataques e que recebeu 33 alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI ), sugerindo que o episódio teria sido orquestrado.>
Sobre os invasores, o ex-presidente minimizou a gravidade do ocorrido, negando que fossem "terroristas" ou "golpistas". "São pobres coitados. Com bíblia na mão, bandeira na mão, velhinhas. Foi um ato de vandalismo. Vai dar golpe em um prédio? Sem nada, sem presidente, sem arma?", questionou. Ele ainda comparou o episódio ao ataque ao Capitólio nos Estados Unidos, sugerindo que teria sido uma cópia do caso americano.>
Em relação aos áudios divulgados pelo Fantástico, que mostram militares discutindo a possibilidade de decretar estado de defesa ou estado de sítio, Bolsonaro confirmou que essas hipóteses foram estudadas, mas negou que tenham sido colocadas em prática. "Conversei com as pessoas, e perguntei o que a gente poderia fazer dentro das quatro linhas. E daí foram estudadas hipóteses de estado de defesa e de sítio", explicou. Ele afirmou que, para decretar o estado de sítio, seria necessário convocar os conselhos da Defesa e da República, o que não ocorreu. "Houve nem tentativa, nem convocação, nada. Por que essas conversas? De hipóteses de dispositivos constitucionais", justificou.>
Bolsonaro também abordou temas pessoais durante a entrevista, como a relação conturbada entre sua esposa, Michele, e seus filhos. Ele admitiu que Carlos Bolsonaro, um dos filhos, não fala com a madrasta, mas destacou que ele "amadureceu muito". Além disso, o ex-presidente foi questionado sobre o filme "Ainda Estou Aqui", indicado ao Oscar, e respondeu que não assistiu à produção. "Não tenho mais tempo de ver filme", disse, rebatendo críticas do diretor Walter Salles, que afirmou que o filme não teria sido feito sob o governo Bolsonaro. "Por que? Não perseguimos ninguém. Eu não persegui ninguém", respondeu.>
Ao longo da entrevista, Bolsonaro também admitiu a possibilidade de ser condenado e reconheceu que é "horrível" viver sob a ameaça de prisão. No entanto, afirmou que vai "enfrentar" o processo e reiterou sua esperança de participar das próximas eleições, apesar de estar inelegível até 2030.>