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Bicampeão: Casa Ópera leva pela segunda vez seguida prêmio de melhor ovo de Páscoa

CORREIO Experimenta premia sabor Pistache-me, criado pela chocolatier Fabiane Teixeira

  • Foto do(a) author(a) Roberto  Midlej
  • Roberto Midlej

Publicado em 5 de abril de 2025 às 11:00

Fabiane Teixeira, com sua criação, o Pistache-me
Fabiane Teixeira, com sua criação, o Pistache-me Crédito: Marina Silva/CORREIO

A criadora do ovo de Páscoa que venceu o CORREIO Experimenta deste ano, Fabiane Teixeira, quando lhe pedem para comentar sobre o sabor vitorioso, chamado Pistache-me, vai logo avisando, sem esconder uma ponta de orgulho: “Não é um ovo ‘com’ pistache, mas ‘de’ pistache”. Ela explica a diferença: “O chocolate usado neste ovo é um chocolate branco que tem pistache introduzido em sua formulação. É, portanto, um chocolate branco sabor pistache”.

Então, leitor, fique sabendo que o pistache não está somente nos pedaços que você notará enquanto saboreia o ovo: ele também está na própria ‘massa’, o que não é muito comum. Esse sabor é uma exclusividade da loja de Fabiane, a Casa Ópera, na Pituba, já que é ela mesma que fabrica o chocolate. O leitor mais atento vai reconhecer a marca: é a mesma que venceu o concurso no ano passado, com um ovo que levava chocolate branco, goiabada-cascão e queijo parmesão.

A receita do vencedor deste ano não tem muito açúcar e inclui morango desidratado, o que, segundo Fabiane, combina muito bem com o resultado final. A chocolatier diz que não se inspirou diretamente em nenhum modelo, mas, como tem experiência como jurada de concursos, é provável que já tenha degustado algo parecido.

O chocolate criado por ela leva manteiga de cacau, leite, açúcar orgânico e, claro, pistache, que recebe de São Paulo.

“Primeiro, fazemos uma pasta de pistache. O resultado, depois de mais ou menos 48 horas nos moinhos de pedra, fica pronto para uso. É um chocolate totalmente natural, onde o sabor vem do próprio pistache”

Fabiane Teixeira

empresária e criadora do ovo vencedor

Uma formação que reflete no bolso: há um ano, o quilo da manteiga custava R$ 40; hoje, está por R$ 160.

No caso do chocolate branco, usado na receita, há nele um ingrediente fundamental, que precisa ter muita qualidade para fazer a diferença: a manteiga de cacau. Fabiane explica por que: “É uma gordura do próprio cacau e é o que faz diferenciar um chocolate premium dos chocolates industriais, que usam a gordura vegetal. A gente usa apenas a manteiga de cacau, que vem do próprio fruto”. A manteiga que ela usa vem de produtores baianos, assim como o cacau usado em sua produção, cultivado em cidades baianas como Ilhéus, Belmonte, Uruçuca e Ibirataia.

E, antes que algum repita o clichê de que “chocolate branco não é chocolate”, Fabiane logo se defende: “É chocolate, sim, porque vem do cacau. Mas, em vez de usar os nibs [sementes de cacau trituradas], que dão o tom escuro ao chocolate, usa a manteiga”. O pistache, embora tenha se tornado moda de uns anos para cá, é paixão antiga de Fabiane: “Sempre foi um queridinho meu e eu tinha essa carta na manga. Achei que finalmente havia chegado a hora!”.

Para chegar à fórmula final do vencedor, Fabiane levou cerca de dois meses e realizou quatro testes com sua equipe. “A parte técnica é minha, mas eu gosto de compartilhar a aprovação com todos. Algumas receitas haviam ficado com muito leite; outras haviam ficado muito oleosas. Nos primeiros testes, realmente não acertamos. Mas hoje, para mim, é chocolate de competição internacional. Está ‘redondíssimo’”, festeja Fabiane. O morango desidratado deu trabalho de conseguir: “Demorei até encontrar um fornecedor, que é quase exclusivo. E o morango combina super bem, porque tem o traz o azedinho e a doçura ao mesmo tempo”.

Formada em administração pela Ufba, Fabiane atuava neste mercado, tendo passado em áreas como marketing, compras e publicidade. Mas sempre esteve de olho na gastronomia: “Viajava pensando em comida e vinho. Até que fui a São Paulo fazer um curso de confeitaria, por hobby, e passei um mês lá”. Estudou com Diego Lozano, jurado do Masterchef Confeitaria e também na escola da Callebaut, fabricante belga de chocolate. Em 2019, deu um passo adiante e fez um curso de fabricação de chocolate, o que lhe permite hoje ter um ingrediente exclusivo em suas receitas.

Para começar a própria fabricação, pediu a uma amiga para trazer uma máquina de uma viagem, o que era suficiente para fabricar quatro quilos de chocolate. Hoje, seis anos depois, para se ter uma ideia de como o negócio cresceu, Fabiane usa duas máquinas que produzem 20 quilos e mais duas com capacidade de quatro quilos. Isso permitiu que no ano passado a Casa Ópera fabricasse 1,2 mil quilos de chocolate.

Antes de inaugurar a loja na Pituba, em dezembro de 2022, ela tinha um pequeno espaço num edifício empresarial, que funcionou como uma cozinha de 2016 até 2021. Na época, ela apresentava o negócio como confeitaria e não se dedicava somente a chocolates. As vendas eram feitas diretamente pelo Whatsapp ou Instagram.

Na loja, através de duas janelinhas, o cliente pode assistir à fabricação dos chocolates e à confecção dos produtos. Vai poder conferir que o produto usado é 70% cacau. “Além disso, só tem nibs, açúcar e manteiga. Nada de gordura vegetal nem aromatizante”, assegura Fabiane. E, também através das janelas, o cliente vai notar que faz muito sentido o texto que está numa plaquinha, na entrada da loja: “Chocolate com emoção”.